Em
discurso sobre justiça social e combate à desigualdade, Lula destacou que não
existe sociedade igualitária, mas que é preciso governar para aqueles que
precisam do Estado. Ele reafirmou que o crescimento econômico do país tem por
base o consumo da população.
A
economia não cresce por conta do tamanho da conta bancária de ninguém, a
economia cresce por conta do consumo que a sociedade pode ter a partir dos
alimentos, disse.
E
o rico não fica mais pobre. Se o pobre consome mais, o rico vai ficar mais
rico. O rico vai vender mais carne, mais roupa, vai vender mais carro. É isso
que as pessoas precisam compreender para se fazer economia, acrescentou o
presidente.
Lula
repetiu uma frase recorrente em seus discursos, - a de que muito dinheiro na
mão de poucos significa miséria, mas pouco dinheiro na mão de muitos significa
distribuição de riqueza.
Se
você pegar R$ 10 milhões e der para uma pessoa, aquele dinheiro vai virar uma
conta bancária e ele vai viver de juros. Pega esses R$ 10 milhões e divide para
mil pessoas; aquele dinheiro vai virar alimento, roupa, caderno, vai virar
alguma coisa que faz a economia circular e é isso que faz a economia crescer,
explicou.
A
nova lei, aprovada por unanimidade pelo Congresso, estabelece ainda descontos
no imposto para pessoas que ganham entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350. Atualmente, a
isenção do IR alcança apenas quem ganha até dois salários mínimos.
Dos
novos beneficiados, 10 milhões deixarão de pagar o tributo e 5 milhões terão
redução no valor devido.
Especialistas
ouvidos pela Agência Brasil lei afirmam que a lei tem potencial redistributivo,
ela aumentará o consumo das famílias, poderá diminuir o endividamento e
impactará positivamente no crescimento da economia.
Na
prática, a nova isenção terá impacto na declaração do Imposto de Renda da
Pessoa Física (IRPF) de 2027, ano-base 2026.
Tabela do IR
Não houve, entretanto, uma correção da tabela do IR, apenas a aplicação da
isenção e descontos para essas novas faixas de renda. Uma eventual correção de
toda a tabela custaria mais de R$ 100 bilhões por ano, segundo cálculos do
governo.
Então,
mesmo com a nova lei, quem ganha mais de R$ 7.350 continuará pagando 27,5% de
Imposto de Renda.
Atualmente,
a tabela do Imposto de Renda acumula defasagem média de 154,67% de 1996 a 2024,
segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese). A última correção parcial em todas as faixas de renda ocorreu em
2015.
Desde
2023, o governo tem garantido a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até
dois salários mínimos, mas isso só beneficia a faixa inferior da tabela. No
total, a tabela tem cinco alíquotas: de zero, 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%.
Mais ricos
Para compensar a perda de arrecadação, o texto prevê uma alíquota extra progressiva de até 10% para aqueles que recebem mais de R$ 600 mil por ano (R$ 50 mil por mês), cerca de 140 mil contribuintes. Para quem já paga 10% ou mais, não muda nada.
Hoje,
contribuintes pessoas físicas de alta renda recolhem,em média, uma alíquota
efetiva de 2,5% de IR sobre seus rendimentos totais, incluindo distribuição de
lucros e dividendos. Enquanto isso, trabalhadores em geral pagam, em média, 9%
a 11% de IR sobre seus ganhos.
Alguns
tipos de rendimentos não entram nessa conta, como ganhos de capital, heranças,
doações, rendimentos recebidos acumuladamente, além de aplicações isentas,
poupança, aposentadorias por moléstia grave e indenizações. A lei também define
limites para evitar que a soma dos impostos pagos pela empresa e pelo
contribuinte ultrapasse percentuais fixados para empresas financeiras e não
financeiras. Caso isso ocorra, haverá restituição na declaração anual.
A
nova lei também estabelece a tributação para lucros e dividendos remetidos para
o exterior com alíquota de 10%.
Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que essaé uma lei neutra do
ponto de vista fiscal, já que o andar de cima vai pagar pela compensação.
Quando se fala em ajuste de conta, todo mundo arrepia e com razão, porque todas
as vezes que se fez um ajuste nas contas, se fez no lombo dos mais pobres,
disse.
Desta
vez, nós resolvemos fazer diferente. Esse projeto é neutro do ponto de vista
fiscal. Mas tudo que nós fizemos para ajustar as contas e que causa certa
revolta em algumas pessoas, é que o andar de cima foi convidado a fazer o
ajuste. Não foi o andar de baixo, acrescentou Haddad. (com
Agência Brasil)
(JB - Por Andreia Verdélio)

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