"Programa envolve 18 ministérios e quer aumentar oferta de alimento
fresco, estimular educação nutricional e construir ciclovias e academias
populares".
Os
ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social, em parceria com outros 17
ministérios, finalizaram um documento que vai subsidiar as metas para controle
e redução da obesidade no Brasil para os próximos dez anos. O plano deve ser
lançado em janeiro. O Plano Intersetorial de Prevenção e Controle da Obesidade
tem como objetivos principais reverter a curva de crescimento da obesidade
reduzindo drasticamente os índices entre crianças de 5 a 9 anos e estacionar a
evolução do problema entre adultos. Segundo Maya Takagi, secretária nacional de
segurança alimentar e nutricional do Ministério de Desenvolvimento Social, o
plano terá três eixos para atingir as metas.
O primeiro é aumentar a disponibilidade e a oferta de alimentos frescos (frutas, hortaliças, grãos e peixes), fortalecendo o programa de alimentação escolar, ofertando cardápios mais saudáveis em restaurantes populares e ampliando a comercialização das 15 frutas e das 10 hortaliças mais consumidas.
O primeiro é aumentar a disponibilidade e a oferta de alimentos frescos (frutas, hortaliças, grãos e peixes), fortalecendo o programa de alimentação escolar, ofertando cardápios mais saudáveis em restaurantes populares e ampliando a comercialização das 15 frutas e das 10 hortaliças mais consumidas.
O
segundo eixo é de educação e informação, detalhando como a alimentação saudável
deve ser trabalhada em escolas e em políticas públicas. A ideia é atualizar os
guias alimentares levando em consideração as condições regionais e elaborar
materiais de orientação à população, com campanhas educativas na TV, rádio,
jornais, redes sociais etc. O terceiro eixo é a promoção de modos de vida mais
saudáveis, com incentivos para a construção de ciclovias, academias populares e
outras ações que tenham como foco a adoção de hábitos para uma vida saudável. "Esse
é um plano que temos fomentado. As metas são para dez anos porque mudar hábito
alimentar não é uma coisa que se muda de uma hora para outra. Por isso, nossa
proposta é lançar o plano já com ações operacionais no início de 2012",
diz Maya.
Epidemia
- A obesidade é considerada uma epidemia pelo Ministério da Saúde. Isso porque,
em 1975, 18,5% dos homens adultos estavam com excesso de peso - em 2010, esse
índice saltou para 50,1%. Os dados apontam que na década de 70, apenas 2,8%
deles eram obesos, enquanto em 2010 esse valor saltou para 12,4%. Entre as
mulheres adultas os valores também preocupam o governo: na década de 70, 28,7%
delas tinham excesso de peso e 8% eram obesas. Em 2010, 48% delas estavam acima
do peso e 16,9% eram obesas.
Infância
- Evitar o avanço da obesidade infantil é uma das principais metas do plano.
"Se conseguirmos barrar o crescimento da obesidade entre adultos já será
um grande avanço. Por isso nosso foco será reduzir os índices entre crianças.
Elas estão cada vez mais gordinhas e ainda estão adquirindo os hábitos
alimentares", explica Maya. Enquanto em 1975 apenas 2,9% dos
meninos de 5 a 9 anos eram obesos, em 2009 eles somavam 16,6%. A meta é chegar
ao patamar de 1998, de 8%. Entre as meninas da mesma idade, em 1975, 1,8% delas
eram obesas. Em 2009, 11,8% estavam obesas. Nesse caso, a meta também é chegar
ao índice de 1998, que era de 5%. "Se mantivermos essa tendência de
crescimento da obesidade entre as crianças, em 13 anos chegaremos a um nível
inaceitável. Deter o avanço dessa epidemia é uma questão de saúde
pública", afirmou Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do
Ministério da Saúde.
Academias
- Barbosa, do Ministério da Saúde, diz que uma das ações para
tentar estimular a prática de atividade física entre a população foi o lançamento
das academias da saúde em várias regiões do País. São academias ao ar livre e
com equipamentos públicos, instaladas em regiões mais pobres, em que um
profissional orienta a população sobre prática de exercícios. O objetivo é
inaugurar 4 mil unidades em quatro anos. "O fato de ter uma academia
pública perto de casa aumenta em quatro vezes a prática de exercícios
físicos", diz Barbosa.Outra ação de combate à obesidade foi o acordo que o
ministério fez com a indústria para redução dos teores de gordura, sódio e
açúcar dos alimentos industrializados. "É um processo lento, ainda não é o
ideal, mas a gente tem de começar de alguma maneira", diz o secretário.
(Ag. Estado)

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