Ataques a bomba contra igrejas durante as
celebrações de Natal, entre os quais um fora da capital, mataram pelo menos 39
pessoas na Nigéria.
A seita islamita Boko Haram, da Nigéria,
reivindicou a autoria do atentado contra uma igreja de Madalla, perto da
capital, Abuja, enquanto três novas explosões foram registradas em igrejas do
país, uma delas na igreja evangélica da cidade de Jos (centro), na qual morreu
um policial que vigiava o templo, e no templo de Damaturu. "Somos
responsáveis por todos os ataques dos últimos dias, inclusive a bomba na igreja
de Madalla", disse à agência de notícias France Presse um porta-voz da
Boko Haram, Abul Qaqa. "Continuaremos lançando ataques como estes no norte
do país nos próximos dias", declarou.
Na quinta e na sexta, confrontos entre o grupo
(que exige a criação de um Estado islâmico na Nigéria) e forças de ordem no
nordeste do país deixaram cem mortos. Segundo o porta-voz do Vaticano, Federico
Lombardi, o ataque foi fruto de um "ódio cego e absurdo". "O
atentado contra a igreja na Nigéria, precisamente no dia de Natal, manifesta
infelizmente mais uma vez um ódio cego e absurdo que não tem nenhum respeito
pela vida humana", disse Lombardi, em declarações à imprensa, na Santa Sé.
Segundo Lombardi, o atentado contra uma igreja
católica em Madalla "busca suscitar e alimentar ainda mais o ódio e a
confusão". Em Gadaka, "fiéis cristãos foram atacados em uma igreja da
cidade", afirmou um morador da cidade. "Uma bomba explodiu na igreja
Mountain of Fire. Um policial que vigiava a igreja morreu e um muro da igreja
foi destruído", disse o porta-voz do governo do estado de Plateau, do qual
Jos é a capital.
O porta-voz informou que o policial morreu ao
ser alvo de disparos durante troca de tiros com os atacantes. De acordo com uma
testemunha chamada Jude, os atacantes lançaram um explosivo contra a igreja
evangélica da cidade. "O alvo deles era a igreja, mas um dos policiais que
patrulhava a área os viu e atirou contra eles", contou a testemunha, acrescentando
que os atacantes estavam armados e dispararam várias vezes antes de fugir.
As forças de ordem
teriam conseguido deter um dos terroristas.
Os três atentados ocorreram no estado de Yobe,
alvo no fim de semana de uma onda de ataques praticados pela seita Boko Haram.O
ministro nigeriano encarregado da polícia, Caleb Olubolade, disse que em
Madalla ocorria uma "guerra". "É como se tivesse sido iniciada
uma guerra civil no país. Devemos estar à altura e enfrentar a situação",
afirmou Olubolade.
O aumento das tensões inter-religiosas na
Nigéria, sexto país do mundo em número de cristãos, inquieta o Vaticano. Em
novembro passado, durante sua visita a Benin, o papa Bento 16 insistiu na
tradição tolerante do Islã na África e na coexistência pacífica entre
muçulmanos e cristãos. (Ag. Folha)

Nenhum comentário:
Postar um comentário