
Vitória da saúde. É o que se pode considerar a proibição da venda de cigarros aromatizados e com sabor no Brasil, conforme relata abaixo a reportagem da Agência Brasil. Já é um bom começo, apesar de que isso só tenha sido possível através de muita luta nos tribunais, quando deveria vir da conscientização de que todo tipo de cigarro faz mal. Que essa vitória da saúde seja mais um estímulo para que o Brasil consiga a erradicação total do hábito de fumar. Parabéns a quem já deixou de ser refém desse vício. Agora, é tornar-se multiplicador da estratégia que o levou a tal liberdade tão desejada por milhões de pessoas.
Depois de mais de três horas de debate, a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) baniu os cigarros aromatizados e com sabor no
país.
Em reunião hoje (13), os quatro diretores da agência reguladora decidiram proibir a adição de substâncias que dão sabor e aroma aos cigarros e a outros produtos derivados do tabaco, como os mentolados e os de sabor cravo, chocolate e morango.
Em reunião hoje (13), os quatro diretores da agência reguladora decidiram proibir a adição de substâncias que dão sabor e aroma aos cigarros e a outros produtos derivados do tabaco, como os mentolados e os de sabor cravo, chocolate e morango.
A medida vale para os
produtos nacionais e importados. Estão isentos os destinados à exportação. Os
cigarros com sabor vão sair das prateleiras somente daqui um ano e meio.
No caso do açúcar, a
Anvisa cedeu aos apelos da indústria do fumo e manteve a adição, porém limitada
à reposição do açúcar perdido na secagem da folha de tabaco. Segundo os
fabricantes, o tipo de fumo mais usado no país perde açúcar no processo de
produção e, por isso, é necessária a reposição. O açúcar foi motivo de impasse
entre os diretores na reunião passada, em fevereiro, o que acabou adiando a
decisão para hoje (13).
A indústria nacional e
as importadoras terão um ano para adaptar o processo de fabricação do cigarro e
seis meses para retirar de circulação os aromatizados. Para outros produtos,
como charuto e cigarrilha, o prazo foi ampliado. São 18 meses de adequação e
seis meses para recolhimento do mercado.
Fica permitido o uso
de algumas substâncias nos derivados do tabaco: açúcar, adesivo, aglutinante,
agentes de combustão, pigmento ou corante (usado para branquear papel ou na
impressão do logotipo da marca), glicerol e propilenoglicol e sorbato de
potássio. A proposta aprovada prevê ainda que novos ingredientes precisam
passar pelo aval da agência reguladora para serem usados no futuro.
O relator da proposta,
diretor Agenor Álvares, considerou a decisão positiva e disse que ela servirá
para tornar o fumo menos atrativo aos adolescentes e crianças. “A nossa ideia é
diminuir o número de novos fumantes”.
O diretor executivo da
Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo), Carlos Galant, disse que
o setor ainda vai avaliar o impacto financeiro da decisão. Ele argumenta que a
retirada dos aromatizados pode estimular o contrabando. Além do açúcar, o setor
queria também a permanência dos cigarros mentolados e dos que têm sabor de
cravo, que foram banidos pela Anvisa. Os cigarros de mentol representam apenas
3% das vendas, conforme dados divulgados pelos fabricantes na semana passada.
Antes de tomar a
decisão, os diretores da Anvisa ouviram opiniões favoráveis e contrárias ao
banimento dos aromatizados. A pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública,
da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Vera da Costa, disse que um estudo recente
mostra que a maioria dos adolescentes de 13 a 15 anos procura pelos cigarros
com sabor para experimentar o tabaco. “Colocar menta, morango, chocolate
aumenta a aceitação desse produto e promove a experimentação. É preciso que a
Anvisa mostre o que uma agência reguladora dentro do Brasil faz com os produtos
do tabaco”, disse.
Já Carlos Galant,
representante da indústria tabagista, defendeu a permanência do mentol e do
cravo no Brasil, justificando que um estudo norte-americano mostra que o
mentolado não eleva o risco à saúde. O número de fumantes, segundo Galant, não
caiu nos países que já retiraram esses aditivos. “Os cigarros mentolados já se
encontram presentes no mercado brasileiro há décadas. O risco de câncer de
pulmão devido ao cigarro mentolado é 41% menor.”
A versão original da
proposta da Anvisa, em discussão desde 2010, era proibir a adição de açúcar e
outros ingredientes que mascaram o gosto amargo do tabaco, como mentol,
chocolate e baunilha.
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