O
percentual de mulheres no Poder Legislativo em todas as suas esferas (federal,
estadual e municipal) é um dos principais parâmetros utilizados pela comunidade
internacional para identificar as limitações impostas pela questão do gênero em
cada país. No caso brasileiro, a sofrível representatividade das mulheres
ocupando vagas no Legislativo e o lento avanço em direção a uma situação mais
igualitária vem sendo criticada por organismos internacionais.
Mesmo que o país tenha eleito uma presidenta, o parâmetro
utilizado mundialmente para medir o nível de participação política das mulheres
coloca o Brasil em último lugar na América Latina.
Considerando que a atual bancada feminina na Câmara Federal representa apenas 8,77% do total da Casa – 45 deputadas – e no Senado há 12 senadoras dentre os 81 lugares, o Brasil ocupa o 142º lugar nesse ranking, ficando atrás de países como Afeganistão, Iraque, Timor Leste, Moçambique e Angola.
Considerando que a atual bancada feminina na Câmara Federal representa apenas 8,77% do total da Casa – 45 deputadas – e no Senado há 12 senadoras dentre os 81 lugares, o Brasil ocupa o 142º lugar nesse ranking, ficando atrás de países como Afeganistão, Iraque, Timor Leste, Moçambique e Angola.
Para a socióloga e pesquisadora do Departamento de Ciências
Sociais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) Clara Araújo, um
conjunto de fatores influi na situação do Brasil em comparação a outros países.
Além da desigual divisão do trabalho entre homens e mulheres, ainda reservando
às mulheres a responsabilidade pelo universo da casa, há a ineficiência das
regras eleitorais em vigor para, efetivamente, aumentar as condições de disputa
das mulheres.
Um exemplo disso é a inaplicabilidade da Lei 9.504, em vigor desde
1997, conhecida como Lei das Cotas. Essa regra nunca foi cumprida pelas
agremiações partidárias, e, apesar disso, nunca houve punição para os partidos. No ano passado, a Justiça Eleitoral chegou até a cobrar a
aplicação dessa lei, que garante 30% das vagas de candidaturas para mulheres,
No entanto, o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que para se
processar um partido seria necessário a queixa de integrantes da legenda
contribuiu para que a impunidade prevalecesse.
“Em outros países, a Justiça Eleitoral, em casos como esse, pode
ser acionada por outras entidades representativas de mulheres, por exemplo, não
só por representantes dos partidos. A forma como é no Brasil acaba contribuindo
para a impunidade das legendas, que não se sentem obrigadas a cumprir a lei. No
nosso caso, a punição não ocorre.”
O resultado foi que, em 2010, somente o PCdoB cumpriu o que
determina a Lei de Cotas e nenhum partido foi processado por desobedecê-la. Clara questiona também a própria eficácia das cotas para aumentar
a representação feminina no atual sistema eleitoral brasileiro. “As cotas,
quando são aplicadas em listas abertas ou listas fechadas, fazem uma enorme
diferença.”
Outro fator que ainda beneficia os homens é o fato de eles estarem
mais presentes e terem voz dominante em espaços que historicamente, no Brasil,
levam à eleição. Ela cita, por exemplo, sindicatos importantes, cargos de
liderança e de gestão de órgãos públicos, empresas estatais, cargos de
ministros, secretários estaduais e municipais, cargos ocupados, em sua maioria,
por homens. “Identificamos por onde chegam essas pessoas que se elegem.
Verificamos que a ocupação de cargos públicos, de ministro, secretário, cargos
administrativos, direção de estatais, são importantes portas de entrada para a
política”, destacou.
Esses “canais de acesso” à vida pública incluem ainda as igrejas,
que também representam papel importante de ascensão política no Brasil e que se
conservam como reduto dos homens. “Geralmente, as vozes dominantes nas igrejas
são masculinas, os padres e os pastores. As mulheres não se destacam nesse
segmento, que também é uma importante porta de entrada para o Legislativo. (Ag. Brasil)
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