A
presidente Dilma Rousseff vetou nesta sexta, 25, um total de 12 artigos do
projeto de lei do Código Florestal aprovado no final de abril pela Câmara dos
Deputados. Também foram feitas 32 modificações no texto, sendo que 14
recuperaram o que foi aprovado no ano passado pelo Senado Federal, 5 são
dispositivos novos e 13 são ajustes ou adequações de conteúdo do projeto.
O anúncio foi feito em entrevista coletiva que conta também com a
participação dos ministros Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Pepe Vargas
(Desenvolvimento Agrário), Mendes Ribeiro (Agricultura) e Luís Inácio Adams
(Advocacia Geral da União).
Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o governo
levou em conta algumas diretrizes para definir os vetos ao Código Florestal.
São elas: recompor o texto aprovado pelo Senado; preservar acordos e respeitar
o Congresso Nacional; não anistiar o desmatador; preservar os pequenos
proprietários; responsabilizar todos pela recuperação ambiental e manter os
estatutos de Área de Preservação Permanente (APP) e reserva legal.
Ela afirmou que o texto favorece os produtores da agricultura
familiar, que têm propriedades com limite de até quatro módulos fiscais. Esse
grupo abrange cerca de 90% das propriedades rurais e corresponde a 24% da área
agrícola do País.
Entre as premissas do governo, disse a ministra, estão a
preservação das florestas e dos biomas brasileiros e a produção agrícola
sustentável. Izabella Teixeira também disse que o objetivo é não permitir
anistia aos desmatadores e nem a redução da proteção ambiental. O veto parcial
da presidente Dilma Rousseff é "respeito ao Congresso Nacional e evita a
insegurança jurídica", concluiu.
O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, ainda comentou
que o novo texto não é dos ambientalistas nem dos ruralistas. "Esse é o
Código daqueles que têm bom senso". Para o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, com o
novo texto o governo está garantindo a inclusão social e produtiva de milhares
de produtores rurais. Segundo ele, no processo de regularização, não haverá
"anistia para ninguém, todos terão de contribuir para a recomposição de
áreas de preservação permanente (APP) que foram utilizadas ao longo dos
anos". Ele observou que a recomposição será proporcional ao tamanho da
propriedade e quem tem mais área de terra vai recompor mais.
De acordo com o ministro da Advocacia Geral da União, Luís Inácio
Adams, a presidente decidiu reintroduzir o artigo primeiro do texto aprovado no
Senado, que trata dos princípios da lei, pois entende ser essencial para a
produção sustentável e o meio ambiente. Dilma vetou ainda o artigo 61 que,
segundo Adams, é considerado central para a questão produtiva e social. (Estadão)
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