A Comissão Interamericana de
Direitos Humanos promove hoje (28) audiência
pública sobre a atuação do Estado nas manifestações de rua ocorridas
em junho do ano passado. Na reunião, em Washington, nos Estados Unidos, o
Estado brasileiro deverá responder a questionamentos sobre 200 casos de
violência policial, criminalização dos manifestantes, leis de exceção e
repressão a jornalistas e a advogados, de acordo com a Conectas, uma das
organizações não governamentais (ONG) que solicitou a reunião.
Deverá
ser abordada ainda a possível aprovação de uma série de leis endurecendo a
repressão às manifestações, sob a alegação de conter a violência. Nos estados
de Pernambuco e do Rio de Janeiro, por exemplo, foram editadas legislações
proibindo o uso de máscaras durante os protestos.
Documento
divulgado pela Conectas diz que, desde junho de 2013, foram contabilizadas em
torno de nove mortes e mais de 1.700 detenções no contexto das
manifestações". O documento lembra que pelo menos duas pessoas ficaram
cegas durante os protestos, incluindo um repórter fotográfico.
Para a organização, a atuação
policial tem dificultado o exercício da liberdade de expressão em todo o país.
A ONG destaca que “entre os principais artifícios utilizados pelo Estado para
criminalizar as iniciativas populares e buscar suprimir o exercício da livre
expressão por meio da repressão violenta, destacam-se: condução ou detenção
para averiguação; detenção por desacato; quebra de sigilo e espionagem pelas
redes sociais; utilização de aparatos repressivos e armamentos contra os
manifestantes, apoiadores e jornalistas; sigilo da investigação policial; falta
de acesso à informação e flagrantes forjados”.
Um desses casos foi o do estudante
Isaac Galvão, 15 anos, detido sob a alegação de portar explosivos. O caso ficou
famoso devido à existência de vídeo que mostra um policial colocando o suposto
explosivo aos pés de Isaac momentos antes da detenção.
As
organizações também vão questionar as prisões para averiguação ocorridas
durante os protestos. Esse tipo de prisão foi abolido pelo Código Penal
Brasileiro. Elas também vão chamar a atenção para os jornalistas que foram
vítimas da atuação policial. Documento divulgado pela Associação Brasileira de
Jornalismo Investigativo (Abraji), em outubro do ano passado, registrou 102
casos de agressão contra jornalistas, sendo que 77 partiram de policiais
militares e agentes da Força Nacional.
Em
diversas cidades do país, a ação da polícia foi alvo de protestos, a exemplo de
Brasília, do Rio de Janeiro e de São Paulo. Na capital federal, manifestantes reclamaram da atuação
policial na semana de
comemorações do 7 de Setembro. No
Rio, durante a greve dos professores, também foram recebidas denúncias de violência policial. Em São Paulo, movimentos sociais protestaram contra
a violência da repressão policial a uma manifestação contra os gastos públicos
na organização da Copa do Mundo.
Além
da Conectas, também pediram a audiência as seguintes entidades: Justiça Global,
Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa, Instituto de Defensores de
Direitos Humanos, Serviço de Assessoria Jurídica da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Artigo 19, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município
do Rio de Janeiro, United Rede Internacional de Direitos Humanos e Quilombo Xis
– Ação Comunitária Cultural. (Ag. Brasil)
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