sábado, 29 de março de 2014

De Olho na Língua - Prof. Antônio da Costa - antoniodacosta53@hotmail.com – (Do Jornal Correio da Semana - 29.03.14)

QUANDO A GALINHA POR OU PUSER?

A segunda frase é a gramaticalmente correta. Sendo o verbo de uma oração temporal (introduzida pela palavra “quando”) ou condicional (introduzida pela palavra “se”), o verbo pôr assume a forma puser. O mesmo ocorre com seus derivados. Exs.: Quando eu depuser (e não: Quando eu depor); Se ele compuser (e não: Se ele compor); Se ele impuser (e não: Se ele impor); Quando ele decompuser (e não: Quando ele decompor); Se ele recompuser (e não: Se ele recompor).

VIMOS OU VIEMOS?
Quanto ao verbo vir, devemos usar vimos, quando se trata de ação presente. E viemos, quando se trata de ação passada. Exs.: Ontem, viemos aqui e não o encontramos; Por isso, hoje, vimos novamente.

FALOU E DISSE
Segundo a tradição gramatical, quem fala fala “de”, ou fala “sobre”, ou fala “para”, ou fala “a”. Enfim, o verbo falar exige preposição. Não está, portanto, de acordo com o padrão culto da Língua a construção: Ele falou que chegaria atrasado. No caso, o verbo foi empregado sem preposição. Corrige-se, substituindo o verbo “falar” pelo verbo “dizer”: Ele disse que chegaria atrasado.
O verbo falar dispensa, entretanto, a preposição quando tem por objeto um idioma ou a palavra “verdade”: Falar espanhol; Falar inglês; Falar francês; Falar português; Quem fala verdade não merece castigo.

ESQUECERAM DE MIM
Diga-se: Esquecerem-se de mim. Este verbo, como o seu antônimo “lembrar”, pode ser transitivo direto, transitivo indireto e intransitivo. Como transitivo direto, pede objeto direto: Esqueci a lição. Como transitivo indireto, exige objeto indireto: Esqueci-me (Esqueci-me da lição). Como intransitivo: Esqueceu-me a lição (A lição sendo sujeito de “esqueceu-me”)

LEMBRO-ME O DIA DO EXAME
O correto será: Lembra-me o dia do exame. O verbo lembrar é, ao mesmo tempo, transitivo direto e indireto, sendo igualmente pronominal.  A frase acima também pode construir-se com a preposição “de” e teremos: Lembro-me do dia dos exames.
Vejamos os exemplos seguintes: - Como verbo transitivo direto: Lembro-lhe a sua promessa (a sua promessa, objeto direto); - Como verbo transitivo indireto: Não me lembro disso (disso, objeto indireto); - Como verbo intransitivo: Não me lembra o que lhe disse (“o que lhe disse” funciona como sujeito).

HOJE É VINTE DO MÊS
Deve-se dizer: Hoje são vinte do mês. O número de dias é que determina a concordância. Entretanto, se empregarmos a palavra “dia”, o verbo ficará logicamente no singular. Ex.: Hoje é dia 15 de mês.
Há gramáticos que aceitam também a concordância: Hoje é vinte do mês (usando o cardinal vinte pelo ordinal vigésimo). Assim, hoje é o vigésimo dia do mês. O melhor, o mais consentâneo é seguir a orientação acima.

(*) Professor Antonio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Contatos: (088) 9409-9922 e (088) 9762-2542.



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