Sob ameaça de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para
investigar irregularidades na Petrobrás, a presidente Dilma Rousseff vai mudar
a articulação política do governo. Na tentativa de recompor a relação com a
Câmara, Dilma substituirá, nos próximos dias, a ministra das Relações
Institucionais, Ideli Salvatti, pelo deputado Ricardo Berzoini (PT-SP).
Dilma planeja transferir Ideli para a Secretaria de Direitos
Humanos, no lugar de Maria do Rosário (PT), que deixará o cargo até a próxima
semana para concorrer a mais um mandato de deputada. O problema é que Ideli
sofre resistências por parte do movimento gay, que se ressente da orientação da
ministra de não ter posto em votação, no ano passado, o projeto criminalizando
a homofobia. O gesto foi interpretado como uma concessão do Planalto à bancada
religiosa, por temor de represálias na campanha.
Após sucessivas derrotas no Congresso, Dilma quer que a Casa
Civil, comandada por Aloizio Mercadante, assuma um papel cada vez mais
político. A ideia é por Berzoini, que tem bom trânsito na Câmara, para atuar
como uma espécie de "ouvidor" das insatisfações. A principal
preocupação do governo, hoje, é com a divisão da base aliada. O racha ficou
evidente com a criação do "blocão". Idealizado pelo líder do PMDB na
Câmara, Eduardo Cunha (RJ), o grupo reúne sete partidos da base, além de um da
oposição, e tem criado muitas dificuldades ao governo nas votações da Câmara.
Ex-presidente do PT e ex-ministro da Previdência e do Trabalho no
governo Lula, Berzoini também terá a missão de reaproximar Dilma do partido.
Sem autonomia para tomar decisões, Ideli se desgastou na relação com os
parlamentares. A presidente pretendia deixá-la no cargo até outubro,
indicando-a depois para uma cadeira no Tribunal de Contas da União (TCU), que
deve ter duas vagas em novembro.
Diante
de tantos problemas, no entanto, Dilma foi convencida a antecipar a troca. Além
da ameaça de CPI, a Comissão de Meio Ambiente do Senado aprovou nesta terça convite
para a presidente da Petrobrás, Graça Foster, e o
ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, participarem de audiência pública.
Os senadores cobram explicações de denúncias sobre a compra da refinaria
Pasadena, no Texas, por parte da Petrobrás.
Graça também foi convidada pela Comissão de Fiscalização e
Controle da Câmara, há duas semanas, para esclarecer acusações de pagamento de
propina a funcionários da estatal por uma empresa holandesa. Nos últimos dias,
deputados aprovaram convites e convocações de outros dez ministros, irritando
Dilma.
Petistas tentam convencer Ideli, ex-senadora, a disputar uma vaga
de deputada federal, caso ela não assuma a Secretaria de Direitos Humanos. Mas,
como o seu grupo perdeu o controle do diretório do PT em Santa Catarina, ela
avalia que corre o risco de não ser eleita. (COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA) (Estadão)
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