O
presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, defendeu o direito à
informação como “valor essencial no regime democrático”, mas ressaltou que não
pode ser confundido com violação da privacidade, da imagem e da honra, “muito
menos servir ao discurso do ódio, do racismo, da discriminação de gênero, da
estigmatização religiosa”, que Barbosa classificou como “intrínsecos perigos”
da liberdade de expressão. O ministro defendeu algum tipo de regulação dos
meios de comunicação.
“A
falta de norma só serve ao mais forte, a quem tem o poder, a quem tem o
dinheiro. A normatização, a regulação, seja vinda do Estado ou autorregulação,
é importante. Não estou falando de censura, nada disso”, afirmou Barbosa em
entrevista após o discurso de abertura do seminário A Liberdade de Expressão e
o Poder Judiciário, organizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pela
Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização dos Estados Americanos
(OEA). “Sem balizamento normativo, quem tem a incumbência de resolver conflitos
tem dificuldade de fazê-lo. Não pode haver vazio.”
O
ministro pregou a democratização dos meios de comunicação. “Falta maior
diversidade, que expresse todo o espectro complexo da sociedade brasileira, em
especial na diversidade racial, que não se encontra espelhada no panorama
audiovisual brasileiro. Há ausência de minorias em liderança e controle da
maior parte dos meios de comunicação desse País”, discursou. Na entrevista,
Barbosa afirmou que “o Brasil, no que diz respeito à comunicação, é quadradinho,
formatadinho, uniformizado”. “Vocês não acham que a informação no Brasil é
repetitiva, obsessiva, cansativa às vezes?” (Estadão)
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