Após meses de discussão, a Câmara de Educação
Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou hoje (3) as novas
diretrizes curriculares nacionais dos cursos de medicina, com a obrigatoriedade
de que pelo menos 30% da carga horária do estágio obrigatório, em regime de
internato, ocorra no Sistema Único de Saúde (SUS), na atenção básica e em
serviço de urgência e emergência. O documento segue agora para o ministro da
Educação, Henrique Paim, a quem caberá analisar e homologar as diretrizes.
As novas diretrizes aprovadas pelo CNE incluem
ainda uma avaliação nacional dos estudantes de medicina a cada dois anos, que
será obrigatória e classificatória para os programas de residência médica. A
previsão é que a avaliação comece em um prazo de dois anos após a aprovação da
medida e seja aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O Inep é uma autarquia do Ministério da
Educação responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
As mudanças foram apresentadas pelo conselho e
discutidas em audiência pública no dia 26 de fevereiro com a
participação de entidades que representam estudantes de medicina, médicos e
instituições de ensino e também integrantes dos ministérios da Saúde e da
Educação.
Segundo o conselheiro da Câmara de Educação
Superior Arthur Roquete de Macedo, a expectativa é que o Ministério da Educação
aprove rapidamente o documento. “Tenho absoluta convicção de que o ministério
vai homologar as diretrizes que foram aprovadas hoje no conselho em um prazo
relativamente curto. Elas são importantes e consolidam alguns avanços que
ocorreram nas diretrizes de 2001, abrem perspectivas para que novos
aprimoramentos ocorram, como resultado do avanço da medicina no Brasil, do
atendimento do SUS, das transformações sociais e do avanço tecnológico que vai
ocorrer”, disse ele.
A reformulação das diretrizes dos cursos de
medicina foi motivada pela Lei 12.871/2013, que instituiu o Programa Mais
Médicos. Um dos objetivos do programa – aumentar o número de vagas na
residência médica – foi incluído nas novas diretrizes. O documento aprovado
hoje prevê que, até o final de 2018, os programas de residência médica devem
ofertar vagas em número igual ao de egressos dos cursos de graduação em
medicina do ano anterior. Pela resolução aprovada, a duração do curso de
medicina ficou confirmada em seis anos. Ao criar o Mais Médicos, o governo
cogitou ampliar a duração para oito anos.
Para o conselheiro Arthur Roquete, as mudanças
permitem a humanização da formação do médico, sem prejuízo da formação técnica.
Ele acredita que o SUS terá capacidade de absorver o trabalho dos médicos que
terão de cumprir 30% do estágio obrigatório no sistema. “O SUS já tem
oferecido, de forma crescente, a possibilidade de estágios [para alunos] dos
cursos de medicina", disse Roquete, que considera importante os
estudantes terem formação condizente com a realidade da medicina praticada no
país. "A proposta é que o SUS vá aumentando essa capacidade de absorção”,
acrescentou.
Os cursos de medicina em funcionamento têm prazo de
um ano, a partir da data de publicação da resolução do CNE, para aplicar as
determinações às turmas abertas após o início de sua vigência. Os estudantes
matriculados antes da aprovação das novas diretrizes podem optar por concluir o
curso com base nas diretrizes anteriores ou nas novas. (Ag. Brasil)

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