De Olho na Língua - Prof. Antônio da Costa - antoniodacosta53@hotmail.com (Jornal Correio da Semana - 13.08.14)
A OPERAÇÃO DUROU
CERCA DE UMA HORA E CINQUENTA E SETE MINUTOS
A frase contém
informações numéricas exatas para uma expressão aproximada. Diga-se: A operação durou cerca
de duas horas. A expressão “cerca de” denota aproximação, arredondamento.
TEMO QUE O BARRIL DE
PÓLVORA EXPLODA A QUALQUER MINUTO
O verbo explodir é
conjugado somente em algumas pessoas. “Expluda” e “exploda” não existem (são
usadas somente na linguagem vulgar). Diga-se: Temo que o barril de
pólvora venha a explodir a qualquer minuto. “Explodir” é conjugado nas pessoas
em que a letra “d” é sucedida por “e” ou “i”: A bomba explode; O carro explodiu.
“A GENTE DEVE ESTAR
PREVENIDA, DISSE O MOTORISTA” OU “A GENTE DEVE ESTAR PREVENIDO, DISSE O
MOTORISTA”?
Ambas as construções
estão corretas. O uso da expressão “a gente”, referente ao falante (= eu, nós),
deve restringir-se à comunicação coloquial.
Recomenda-se a
concordância no feminino, ainda quando o falante é pessoa do sexo masculino.
Ex.: A gente deve estar prevenida, disse o motorista; “Com estes leitores assim
previstos, o mais acertado e modesto é a gente ser sincera” (Camilo Castelo
Branco, Apud. Mário Barreto, Últimos Estudos - cap. 44); A gente já está segura
(Austregésilo de Ataíde).
Contudo, é freqüente,
nesse caso, o uso do predicativo no masculino: “Quando a gente é novo, gosta de
fazer bonito” (Guimarães Rosa, Sagarana, 6ª Edição - pág. 229); “A gente é
obrigado a varrer até cair morto” (Josué Guimarães, Os ladrões - pág.13).
Na língua culta, em
vez de “a gente”, emprega-se o pronome “se”: Deve-se estar prevenido contra as
adversidades; Quando se é jovem, tudo parece fácil. Ou a 1ª pessoa do plural:
Devemos estar prevenidos contra as adversidades; Quando somos jovens, tudo
parece fácil.
O verbo deve
concordar no singular: A gente está (e não, estamos) namorando; A gente está (e
não, estamos) morando aqui faz pouco tempo; “A vida é cheia de obrigações, que
a gente cumpre, por mais vontade que tenha de as infringir deslavadamente”
(Machado de Assis, Dom Casmurro).
Opera-se a
concordância normalmente, em gênero e número, quando se usa “gente” na acepção
de conjunto de pessoas, povo, população: A gente da favela está temerosa; As
gentes da África foram escravisadas pelos brancos. Às vezes, porém, é permitida
a concordância ideológica, isto é, a concordância não com o termo “gente”, mas
com a idéia de plural a ele associada em nossa mente: ‘Coisa curiosa é gente
velha. Como comem!” (Aníbal Machado); “A gente não só da aldeia, mas também dos
casais e lugares vizinhos, afluindo de contínuo, enchem a igreja” (Alexandre
Herculano).
(*) Professor Antonio
da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e
Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor
do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Contatos: (088)
9409-9922 e (088) 9762-2542.
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