sábado, 13 de setembro de 2014

De Olho na Língua - Prof. Antônio da Costa - antoniodacosta53@hotmail.com (Jornal Correio da Semana - 13.08.14)

A OPERAÇÃO DUROU CERCA DE UMA HORA E CINQUENTA E SETE MINUTOS

A frase contém informações numéricas exatas para uma expressão aproximada. Diga-se: A operação durou cerca de duas horas. A expressão “cerca de” denota aproximação, arredondamento.

TEMO QUE O BARRIL DE PÓLVORA EXPLODA A QUALQUER MINUTO

O verbo explodir é conjugado somente em algumas pessoas. “Expluda” e “exploda” não existem (são usadas somente na linguagem vulgar). Diga-se: Temo que o barril de pólvora venha a explodir a qualquer minuto. “Explodir” é conjugado nas pessoas em que a letra “d” é sucedida por “e” ou “i”: A bomba explode; O carro explodiu.

“A GENTE DEVE ESTAR PREVENIDA, DISSE O MOTORISTA” OU “A GENTE DEVE ESTAR PREVENIDO, DISSE O MOTORISTA”?

Ambas as construções estão corretas. O uso da expressão “a gente”, referente ao falante (= eu, nós), deve restringir-se à comunicação coloquial.

Recomenda-se a concordância no feminino, ainda quando o falante é pessoa do sexo masculino. Ex.: A gente deve estar prevenida, disse o motorista; “Com estes leitores assim previstos, o mais acertado e modesto é a gente ser sincera” (Camilo Castelo Branco, Apud. Mário Barreto, Últimos Estudos - cap. 44); A gente já está segura (Austregésilo de Ataíde).

Contudo, é freqüente, nesse caso, o uso do predicativo no masculino: “Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito” (Guimarães Rosa, Sagarana, 6ª Edição - pág. 229); “A gente é obrigado a varrer até cair morto” (Josué Guimarães, Os ladrões - pág.13).

Na língua culta, em vez de “a gente”, emprega-se o pronome “se”: Deve-se estar prevenido contra as adversidades; Quando se é jovem, tudo parece fácil. Ou a 1ª pessoa do plural: Devemos estar prevenidos contra as adversidades; Quando somos jovens, tudo parece fácil.

O verbo deve concordar no singular: A gente está (e não, estamos) namorando; A gente está (e não, estamos) morando aqui faz pouco tempo; “A vida é cheia de obrigações, que a gente cumpre, por mais vontade que tenha de as infringir deslavadamente” (Machado de Assis, Dom Casmurro).

Opera-se a concordância normalmente, em gênero e número, quando se usa “gente” na acepção de conjunto de pessoas, povo, população: A gente da favela está temerosa; As gentes da África foram escravisadas pelos brancos. Às vezes, porém, é permitida a concordância ideológica, isto é, a concordância não com o termo “gente”, mas com a idéia de plural a ele associada em nossa mente: ‘Coisa curiosa é gente velha. Como comem!” (Aníbal Machado); “A gente não só da aldeia, mas também dos casais e lugares vizinhos, afluindo de contínuo, enchem a igreja” (Alexandre Herculano).

(*) Professor Antonio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Contatos: (088) 9409-9922 e (088) 9762-2542.

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