quinta-feira, 23 de julho de 2015

Testes indicam que novo medicamento pode retardar Alzheimer

Cientistas divulgaram os primeiros detalhes de como um novo medicamento pode retardar o avanço da doença de Alzheimer em suas primeiras fases.nDados da companhia farmacêutica Ely Lilly sugerem que o medicamento, chamado de solanezumab, pode cortar em cerca de um terço a taxa do avanço da demência. As informações foram apresentadas durante uma conferência nos Estados Unidos.


Atualmente, não há como parar a morte de neurônios por causa do Alzheimer. Mas, o solanezumab poderá, segundo os cientistas, manter estas células vivas. Os medicamentos disponíveis podem gerenciar os sintomas da doença ao ajudar no funcionamento das células do cérebro que estão morrendo.

Este novo medicamento ataca as proteínas deformadas, chamadas amilóides, que se acumulam no cérebro devido ao Alzheimer. Acredita-se que a formação das placas de amilóides entre os neurônios leva ao dano e, depois, à morte da célula.

Fracasso - O solanezumab já vinha sendo usado nas pesquisas sobre a doença mas, os testes de 18 meses da droga acabaram em fracasso em 2012. Quando o laboratório Eli Lilly analisou com mais atenção os dados, havia pistas de que o medicamento poderia funcionar para pacientes nos primeiros estágios da doença.


A companhia pediu para que mais de mil pacientes que participaram daquele primeiro teste de 18 meses, e que apresentavam Alzheimer mais leve, para tomar o remédio por outros dois anos. E os resultados positivos destes dois anos foram apresentados na Conferência da Associação Internacional de Alzheimer.

"É outra prova de que o solanezumab tem um efeito na patologia subjacente da doença", afirmou à BBC Eric Siemer, do Laboratório de Pesquisas Lilly, no Estado americano de Indiana.

"Acreditamos que há uma chance de que o solanezumab será a primeira medicação disponível que modifica a doença", acrescentou.

Em 2016 serão divulgados mais resultados dos testes e, então, a comunidade científica saberá se o solanezumab é realmente a evolução no tratamento de Alzheimer esperado por todos.

"Os dados dão uma pista de que os anticorpos estão tendo um efeito, é promissor e é melhor do que não ter efeito nenhum, mas é inconclusivo", disse à BBC Clare Walton, gerente de pesquisa da organização Alzheimer's Society.

"Depois de uma década de nenhum tratamento e do fracasso de muitos remédios, é animador ouvir notícias promissoras, mas (estas notícias) não falam realmente se o resultado é bom ou ruim. Precisamos esperar a terceira fase do estudo, e isto é apenas em 18 meses", acrescentou.

ESTUDO LISTA 5 ‘REGRAS DE OURO’ PARA PREVENIR DEMÊNCIA

Uma revisão de estudos acadêmicos feita pela ONG britânica Age UK identificou cinco passos que podem ajudar idosos a manter a saúde do cérebro e reduzir os riscos de se desenvolver o Mal de Alzheimer e outras formas de demência.

Segundo a organização, cerca de 76% do declínio cognitivo - mudanças nas habilidades cerebrais, que incluem perda de memória - está associado ao estilo de vida do idoso e a outros fatores ambientais, como o nível de educação. E essas mudanças nas habilidades cerebrais podem ser influenciadas por hábitos cotidianos.

"Ainda que não haja cura ou formas de reverter a demência, (os estudos) indicam que há formas simples e eficientes de reduzir o risco", declara Caroline Abrahams, diretora da Age UK, em comunicado da ONG.

"E mais, as mudanças que precisamos fazer para manter nossos cérebros saudáveis já se provaram boas para o coração e para a saúde em geral. Quanto mais cedo começarmos, melhores as nossas chances de termos uma vida saudável nessa etapa da vida."

Um dos estudos revisados pela Age UK - e realizado ao longo de 30 anos - percebeu que homens de 45 a 59 anos que seguiram ao menos quatro dos cinco pontos listados reduziram em mais de um terço seus riscos de perda cognitiva e de demência em relação aos demais.


Exercícios físicos regulares - Exercícios aeróbicos, de resistência ou equilíbrio se mostraram como o modo mais eficiente de evitar o declínio cognitivo entre idosos. "Estudos sugerem que exercitar-se três a cinco vezes por semana, entre 30 minutos e 1 hora, é benéfico", diz a Age UK.


Uma das sugestões da ONG é que idosos que não tenham problemas de mobilidade incorporem caminhadas em suas rotinas - caminhar ao supermercado em vez de dirigir; usar escadas em vez de elevador; mesmo ao dirigir, parar um pouco mais longe do ponto final, para andar pelo menos parte do percurso; planejar caminhadas em lugares agradáveis no final de semana.


Dieta mediterrânea - Em levantamento publicado no ano passado, pesquisadores analisaram os hábitos alimentares de 17,4 mil pessoas com uma idade média de 64 anos. E as que tinham uma dieta que se aproximava da mediterrânea tiveram seu risco de deterioração mental reduzido em quase um quinto.


A dieta mediterrânea é rica em ácidos graxos ômega-3, encontrados em alguns peixes, nozes e linhaça -, além de incluir muitos vegetais e frutas frescos, que têm pouca gordura saturada. Tudo isso ajuda o sistema nervoso e o cérebro, além de ter efeitos positivos já identificados sobre a memória.


Não fumar - Os dados revisados pela ONG apontam um número significativo de casos de demência entre fumantes em comparação com quem nunca fumou.


Beber álcool com moderação - Beber em excesso também está relacionado a maior risco de demência - causando perdas de tecido cerebral sobretudo em partes do cérebro responsáveis pela memória e pelo processamento de informações visuais.


Ao mesmo tempo, o consumo moderado de álcool parece proteger o tecido cerebral, ao aumentar o bom colesterol e baixar o mau.


Prevenir e tratar a diabetes, pressão alta e obesidade - Um estudo global apresentado em setembro pela entidade Alzheimer’s Disease International apontou que pessoas que sofrem de diabetes têm chances muito maiores de desenvolver demência.


O estudo não consegue precisar até que ponto a diabetes em si aumenta os riscos de demência, mas identificou que pessoas portadoras da diabetes tipo 2 - a mais comum - também têm mais probabilidade de sofrerem de obesidade e outros problemas de saúde que tendem a aumentar o risco de demência. (BBC)







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