sexta-feira, 18 de setembro de 2015

DE OLHO NA LÍNGUA - Prof. Antônio da Costa - antoniodacosta53@hotmail.com (Do Jornal Correio da Semana -19.09.1)

A PESQUISA REVELA ‘DE QUE’ O PARTIDO CRESCEU
Frase proferida por um conhecido radialista da área política. Meu caro radialista - É aconselhável você estudar um pouco de regência verbal. A frase correta é: A pesquisa revela que o partido cresceu. O verbo revelar é um verbo transitivo direto. Sendo assim, o seu complemento não pode vir regido de preposição. Você diz “revelar segredos” e não “revelar de segredos”.

Só se justifica a presença da preposição quando ela é exigida pela regência do verbo ou do nome. Exs: Gosto de que você me acompanhe; Gosto de sua companhia; Tudo depende de que ela chegue; Tudo depende da chegada dela; Há necessidade de que você compreenda; Há necessidade de sua compreensão.

Não se justifica, portanto, a colocação indiscriminada da preposição “de” antes de qualquer “que”... Acredito de que; Quero dizer de que; Todos notam de que. A isso dão os gramáticos o nome de contaminação. É a influência do certo sobre o errado.

O MÉDICO ‘MANDOU ELE’ ENTRAR
Frase usada na linguagem coloquial, informal. Na linguagem formal, culta, deve ser proferida assim: O médico mandou-o entrar. Há seis verbos que merecem atenção toda especial: fazer, deixar, mandar (chamados verbos causativos) e ver, ouvir, sentir (chamados verbos sensitivos). É comum esses verbos virem seguidos de outro verbo no infinitivo. Exs.: Deixou entrar; Mandou vir; Vimos morrer; Ouvir cantar. Senti aumentar...

Não se pode, porém, falar em locução verbal, pois cada um desses verbos tem seu sujeito próprio. Em linguagem castiça devemos dizer: O médico mandou-o entrar; Mandei-o sair (e não: Mandei ele sair); Vi-o cantar (e não: Vi ele cantar).

Lembre-se da famosa frase atribuída ao polêmico Jânio Quadros: “Fi-lo porque qui-lo”. Com toda certeza foi uma brincadeira que fizeram com o ex-presidente, que se diga de passagem, conhecia muito bem o vernáculo (chegou a escrever uma Gramática). “Fi-lo porque qui-lo” gramaticalmente correta fica: Fiz porque o quis.

MUITA GENTE, EM VEZ DE “NO ENTANTO” USA “NO ENTRETANTO”. É CORRETO?
Não. “No entretanto”, como conjunção conjuntiva já não existe. Use apenas “no entanto” ou, então, “entretanto”: Os professores trabalham muito, no entanto ganhou miséria; O governo sabe disso, entretanto finge que não sabe.

NUMA FRASE POSSO MISTURAR CONJUNÇÕES ALTERNATIVAS?
Não pode. Se você escolher “quer” é obrigado a repeti-la; se escolher “seja” é obrigada a repeti-la. Não misture nenhuma delas com “ou”. Construa sempre assim: Vou à praia hoje, quer chova, quer faça sol (e não: Vou à praia hoje, quer chova ou faça sol); O povo quer votar, seja para Presidente, seja para vereador (e não: O povo quer votar, seja para presidente ou para vereador).

TÍTULO DE MATÉRIA: “MAL HÁBITO DOS BRASILEIROS”
Caro jornalista: Mal é antônimo de bem. Mau é antônimo de bom. 

CORRIGINDO: Mau hábito dos brasileiros.



(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Escreve esta Coluna toda terça-feira. Contatos: (088) 9409-9922 e (088) 9762-2542.

Nenhum comentário:

Postar um comentário