A
PESQUISA REVELA ‘DE QUE’ O PARTIDO CRESCEU
Frase proferida por um conhecido
radialista da área política. Meu caro radialista - É aconselhável você estudar
um pouco de regência verbal. A frase correta é: A pesquisa revela que o partido
cresceu. O verbo revelar é um verbo transitivo direto. Sendo assim, o seu
complemento não pode vir regido de preposição. Você diz “revelar segredos” e
não “revelar de segredos”.
Só se justifica a presença da preposição
quando ela é exigida pela regência do verbo ou do nome. Exs: Gosto de que você me
acompanhe; Gosto de sua companhia; Tudo depende de que ela chegue; Tudo depende
da chegada dela; Há necessidade de que você compreenda; Há necessidade de sua
compreensão.
Não se justifica, portanto, a colocação
indiscriminada da preposição “de” antes de qualquer “que”... Acredito de que; Quero
dizer de que; Todos notam de que. A isso dão os gramáticos o nome de
contaminação. É a influência do certo sobre o errado.
O
MÉDICO ‘MANDOU ELE’ ENTRAR
Frase usada na linguagem coloquial,
informal. Na linguagem formal, culta, deve ser proferida assim: O médico mandou-o
entrar. Há seis verbos que merecem atenção toda especial: fazer, deixar, mandar
(chamados verbos causativos) e ver, ouvir, sentir (chamados verbos sensitivos).
É comum esses verbos virem seguidos de outro verbo no infinitivo. Exs.: Deixou
entrar; Mandou vir; Vimos morrer; Ouvir cantar. Senti aumentar...
Não se pode, porém, falar em locução
verbal, pois cada um desses verbos tem seu sujeito próprio. Em linguagem castiça
devemos dizer: O médico mandou-o entrar; Mandei-o sair (e não: Mandei ele sair);
Vi-o cantar (e não: Vi ele cantar).
Lembre-se da famosa frase atribuída ao
polêmico Jânio Quadros: “Fi-lo porque qui-lo”. Com toda certeza foi uma
brincadeira que fizeram com o ex-presidente, que se diga de passagem, conhecia
muito bem o vernáculo (chegou a escrever uma Gramática). “Fi-lo porque qui-lo”
gramaticalmente correta fica: Fiz porque o quis.
MUITA
GENTE, EM VEZ DE “NO ENTANTO” USA “NO ENTRETANTO”. É CORRETO?
Não. “No entretanto”, como conjunção
conjuntiva já não existe. Use apenas “no entanto” ou, então, “entretanto”: Os professores
trabalham muito, no entanto ganhou miséria; O governo sabe disso, entretanto
finge que não sabe.
NUMA
FRASE POSSO MISTURAR CONJUNÇÕES ALTERNATIVAS?
Não pode. Se você escolher “quer” é
obrigado a repeti-la; se escolher “seja” é obrigada a repeti-la. Não misture
nenhuma delas com “ou”. Construa sempre assim: Vou à praia hoje, quer chova,
quer faça sol (e não: Vou à praia hoje, quer chova ou faça sol); O povo quer
votar, seja para Presidente, seja para vereador (e não: O povo quer votar, seja
para presidente ou para vereador).
TÍTULO DE MATÉRIA: “MAL HÁBITO DOS
BRASILEIROS”
Caro
jornalista: Mal é antônimo de bem. Mau é antônimo de bom.
CORRIGINDO: Mau hábito dos brasileiros.


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