Há exatos 25 anos, em 07 de abril de 1992, eu perdi aquele que foi minha maior referência na
terra. Morreu meu querido pai, Gonçalo Alves da Costa (1919-1992), a quem sou
eternamente grato.
Foi um dia de muita dor, mas, aliviada pela fé, tornou-se também dia de
glória pela certeza de que ele cumpriu, e muito bem, a sua missão terrena.
Com o auxílio e a iluminação de Deus e a colaboração da nossa saudosa
mãe Gerarda (1923-2011), ele conseguiu mostrar aos filhos – hoje 13 vivos – os
melhores caminhos a trilhar. E, seguindo suas lições, prosseguimos por aqui
nossa caminhada até o dia do nosso grande encontro.
Muito Obrigado, meu pai, por nos ter orientado a nunca nos afastarmos da fé, da honestidade, da humildade, da caridade, do amor ao trabalho e, acima de tudo, por nos ter ensinado a sempre nos entregarmos nas mãos de Deus.
Eu até que poderia detestar o 7 de abril, a exemplo do que erroneamente muitas
pessoas na mesma situação fazem. Mas a formação recebida dos meus pais não
permite isso. Prefiro me lembrar dela como o dia em que meu pai foi ao encontro
do nosso Pai Eterno. E existe coisa melhor?
Desse modo, conforto-me na fé de que permanecerão eternamente juntos ao
Pai e à Mãe do Céu não apenas meu pai e minha mãe da Terra, mas também todas as
pessoas que já partiram, mas que aqui viveram semeando o bem. Assim vou vivendo
e me esforçando para um dia me juntar a essa turma e também viver feliz para
sempre. Assim seja!
GONÇALO ALVES DA COSTA nasceu a 30 de março de 1919,
em Várzea Redonda, Sobral (CE). Eram seus pais Pedro Alves da Costa e Raquel
Maria de Jesus. Por ser descendente de uma família de sertanejos pobres,
constituída de dezessete filhos; por residir no interior; devido às inúmeras
dificuldades financeiras e por ter perdido muito cedo a mãe (aos 11 anos) só
chegou a frequentar a escola durante 3 meses. Mesmo assim, conseguiu aprender a
escrever e ler, com alguma dificuldade. Em 1938, deixou Várzea Redonda e veio
para Sobral, onde chegou a trabalhar em alguns estabelecimentos, como o Grande
Hotel que existia à época, dentre outros. Mas sua vocação era para o comércio.
Com muitos esforços conseguiu montar uma bodeguinha.
GERARDA ALVES DA COSTA nasceu na Meruoca (CE) em 15 de
setembro de 1923, sendo seus pais Francisco Xavier Bôto e Albertina Muniz
Farrapo. Ainda menina foi morar no distrito de Bonfim. A 10 de janeiro de 1942,
casou-se com Gonçalo Alves da Costa, com quem gerou 22 filhos, dos quais 13
ainda sobrevivem. Era equilibrada no falar e no agir, silenciosa diante das
ofensas, defensora e promovente da concórdia e do perdão e esbanjadora no fazer
caridade.
Os
poucos recursos financeiros e a falta de escolarização não foram empecilho para
que o casal conduzisse sua grande família sempre no caminho do bem. Caridade,
humildade, otimismo, perseverança, amor ao próximo e, acima de tudo, a fé em
Deus eram ensinamentos que a menina aprendia cedo em casa.
Na tentativa de criar e educar a numerosa família,
Gonçalo Alves também buscou ganhar a vida como caminhoneiro, percorrendo Piauí
e Maranhão. Foi proprietário de padaria e de parque de diversão. Mas a
atividade em que mais tempo permaneceu foi na comercial. Por muitos anos
manteve um bar e mercearia no cruzamento das Ruas Cel. Diogo Gomes com Cel.
José Silvestre. Por último, negociava na Travessa do Xerez.
Filhos: Carlos, Artemísio, Antônio, seu Gonçalo, dona Gerarda, Heraldo e Edmilson.
Apesar de ter enfrentado grandes dificuldades
financeiras, Gonçalo Alves jamais se descuidou da educação dos filhos, dizendo
sempre: “Procurem estudar, se formar, pois me desdobrarei por vocês”. E não
media esforços, nem demonstrava desânimo diante das dificuldades para sustentar
os filhos com uma pequena fonte de renda. Mesmo assim, 5 dos 13 filhos
conseguiram chegar ao curso superior. Se o restante só atingiu o 2.º grau
completo, não chegou à universidade, não foi por falta de apoio e incentivo do
pai.
Gonçalo e Gerarda pautaram suas vidas no temor a
Deus, na caridade, na honestidade, na sinceridade, na lealdade aos amigos, na
naturalidade com que enfrentavam os revezes da vida. Solidariedade também era
peculiar ao casal, o que se constata no seu empenho em colaborar nas ocasiões
de dificuldades enfrentadas por familiares e amigos.
Filhas: Neuma, dona Gerarda, Patrícia, Fransquinha, Cleide, Rejane e Elza (sentada.
Seu Gonçalo estava sempre disponível a repassar uma
palavra amiga e importantes ensinamentos que surpreendiam pela pouca instrução
que detinha. Sempre tratava a todos por “meu filho (a)” ou “compadre” e
procurava a todo instante injetar uma boa dose de ânimo, de coragem em todos
que a ele se achegavam. Faleceu aos 73 anos, na Santa Casa de Misericórdia de
Sobral, no dia 07 de abril de 1992, e acha-se sepultado no Cemitério São José
desta cidade.
Dona Gerarda, com muita naturalidade esbanjava
serenidade e paciência. Era sua marca registrada, o que comprovou até seus
últimos dias. Depois de 19 de viuvez, anos guiando sozinha a grande família, a
grande matriarca faleceu aos 86 anos, em sua residência em Sobral, rodeada
pelos filhos, netos, parentes e amigos, no dia 27 de junho de 2011. Acha-se
sepultada no mesmo túmulo do esposo.
Filhos - Em pé: Antônio, Fco. Costa, Nonato Bôto (irmão de d. Gerarda) e Heraldo.
Sentados: Carlos, Armando, d. Gerarda e Edmilson.
São filhos (ainda vivos) do casal Gerarda e Gonçalo Alves da Costa, em ordem cronológica
decrescente: Francisco (residente em Fortaleza), Fransquinha Alves, Neuma,
Edmilson (em Macapá), Elza, Antônio, Artemísio, Carlos, Armando, Heraldo (em
Fortaleza), Rejane, Cleide (em Fortaleza) e Patrícia.





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