sexta-feira, 7 de abril de 2017

7 de abril - A dor aliviada pela fé

Há exatos 25 anos, em 07 de abril de 1992, eu perdi aquele que foi minha maior referência na terra. Morreu meu querido pai, Gonçalo Alves da Costa (1919-1992), a quem sou eternamente grato.

Foi um dia de muita dor, mas, aliviada pela fé, tornou-se também dia de glória pela certeza de que ele cumpriu, e muito bem, a sua missão terrena.

Com o auxílio e a iluminação de Deus e a colaboração da nossa saudosa mãe Gerarda (1923-2011), ele conseguiu mostrar aos filhos – hoje 13 vivos – os melhores caminhos a trilhar. E, seguindo suas lições, prosseguimos por aqui nossa caminhada até o dia do nosso grande encontro. 

Muito Obrigado, meu pai, por nos ter orientado a nunca nos afastarmos da fé, da honestidade, da humildade, da caridade, do amor ao trabalho e, acima de tudo, por nos ter ensinado a sempre nos entregarmos nas mãos de Deus. 

Eu até que poderia detestar o 7 de abril, a exemplo do que erroneamente muitas pessoas na mesma situação fazem. Mas a formação recebida dos meus pais não permite isso. Prefiro me lembrar dela como o dia em que meu pai foi ao encontro do nosso Pai Eterno. E existe coisa melhor?

Desse modo, conforto-me na fé de que permanecerão eternamente juntos ao Pai e à Mãe do Céu não apenas meu pai e minha mãe da Terra, mas também todas as pessoas que já partiram, mas que aqui viveram semeando o bem. Assim vou vivendo e me esforçando para um dia me juntar a essa turma e também viver feliz para sempre. Assim seja!


GONÇALO ALVES DA COSTA nasceu a 30 de março de 1919, em Várzea Redonda, Sobral (CE). Eram seus pais Pedro Alves da Costa e Raquel Maria de Jesus. Por ser descendente de uma família de sertanejos pobres, constituída de dezessete filhos; por residir no interior; devido às inúmeras dificuldades financeiras e por ter perdido muito cedo a mãe (aos 11 anos) só chegou a frequentar a escola durante 3 meses. Mesmo assim, conseguiu aprender a escrever e ler, com alguma dificuldade. Em 1938, deixou Várzea Redonda e veio para Sobral, onde chegou a trabalhar em alguns estabelecimentos, como o Grande Hotel que existia à época, dentre outros. Mas sua vocação era para o comércio. Com muitos esforços conseguiu montar uma bodeguinha.

GERARDA ALVES DA COSTA nasceu na Meruoca (CE) em 15 de setembro de 1923, sendo seus pais Francisco Xavier Bôto e Albertina Muniz Farrapo. Ainda menina foi morar no distrito de Bonfim. A 10 de janeiro de 1942, casou-se com Gonçalo Alves da Costa, com quem gerou 22 filhos, dos quais 13 ainda sobrevivem. Era equilibrada no falar e no agir, silenciosa diante das ofensas, defensora e promovente da concórdia e do perdão e esbanjadora no fazer caridade.

Os poucos recursos financeiros e a falta de escolarização não foram empecilho para que o casal conduzisse sua grande família sempre no caminho do bem. Caridade, humildade, otimismo, perseverança, amor ao próximo e, acima de tudo, a fé em Deus eram ensinamentos que a menina aprendia cedo em casa.

Na tentativa de criar e educar a numerosa família, Gonçalo Alves também buscou ganhar a vida como caminhoneiro, percorrendo Piauí e Maranhão. Foi proprietário de padaria e de parque de diversão. Mas a atividade em que mais tempo permaneceu foi na comercial. Por muitos anos manteve um bar e mercearia no cruzamento das Ruas Cel. Diogo Gomes com Cel. José Silvestre. Por último, negociava na Travessa do Xerez.
Filhos: Carlos, Artemísio, Antônio, seu Gonçalo, dona Gerarda, Heraldo e Edmilson.

Apesar de ter enfrentado grandes dificuldades financeiras, Gonçalo Alves jamais se descuidou da educação dos filhos, dizendo sempre: “Procurem estudar, se formar, pois me desdobrarei por vocês”. E não media esforços, nem demonstrava desânimo diante das dificuldades para sustentar os filhos com uma pequena fonte de renda. Mesmo assim, 5 dos 13 filhos conseguiram chegar ao curso superior. Se o restante só atingiu o 2.º grau completo, não chegou à universidade, não foi por falta de apoio e incentivo do pai.

Gonçalo e Gerarda pautaram suas vidas no temor a Deus, na caridade, na honestidade, na sinceridade, na lealdade aos amigos, na naturalidade com que enfrentavam os revezes da vida. Solidariedade também era peculiar ao casal, o que se constata no seu empenho em colaborar nas ocasiões de dificuldades enfrentadas por familiares e amigos.
Filhas: Neuma, dona Gerarda, Patrícia, Fransquinha, Cleide, Rejane e Elza (sentada.
Seu Gonçalo estava sempre disponível a repassar uma palavra amiga e importantes ensinamentos que surpreendiam pela pouca instrução que detinha. Sempre tratava a todos por “meu filho (a)” ou “compadre” e procurava a todo instante injetar uma boa dose de ânimo, de coragem em todos que a ele se achegavam. Faleceu aos 73 anos, na Santa Casa de Misericórdia de Sobral, no dia 07 de abril de 1992, e acha-se sepultado no Cemitério São José desta cidade.

Dona Gerarda, com muita naturalidade esbanjava serenidade e paciência. Era sua marca registrada, o que comprovou até seus últimos dias. Depois de 19 de viuvez, anos guiando sozinha a grande família, a grande matriarca faleceu aos 86 anos, em sua residência em Sobral, rodeada pelos filhos, netos, parentes e amigos, no dia 27 de junho de 2011. Acha-se sepultada no mesmo túmulo do esposo.
Filhos - Em pé: Antônio, Fco. Costa, Nonato Bôto (irmão de d. Gerarda) e Heraldo. 
Sentados: Carlos, Armando, d. Gerarda e Edmilson.
São filhos (ainda vivos) do casal Gerarda e Gonçalo Alves da Costa, em ordem cronológica decrescente: Francisco (residente em Fortaleza), Fransquinha Alves, Neuma, Edmilson (em Macapá), Elza, Antônio, Artemísio, Carlos, Armando, Heraldo (em Fortaleza), Rejane, Cleide (em Fortaleza) e Patrícia. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário