O presente
trabalho traz à tona, a importância e valorização da literatura cearense.
Conhecer nossas raízes locais é uma necessidade que nos permite entender a nós
mesmos, bem como nossa identidade e formação étnica, cultural, política,
econômica, social e religiosa.
No introito deste
trabalho, abordaremos a literatura cearense nos seus diferentes contextos
históricos e sociais bem como os movimentos literários ocorridos nos anos de
1920 e 1940, respectivamente, a academia dos novos e o grupo clã.
Aprofundaremos estes contextos, mediante a contribuição significativa de alguns
teóricos (muitas vezes esquecido) que nos legaram produções literárias
riquíssimas acerca da nossa identidade cearense. Como via de acesso, para tal
discussão, contamos com a contribuição de Azevedo (1976), Alencar (1984),
Araújo (1977), Seraine (1996), etc.
A fim de atingir
os objetivos propostos, seguimos uma metodologia que consistiu, inicialmente,
em pesquisas bibliográficas, reconhecendo o cenário histórico, social e
literário destes grupos que apresentamos no tema proposto. Neste trabalho,
propõe-se também, o incentivo à pesquisa de nossas raízes locais. Todavia, os
resultados percebidos mostram um tamanho distanciamento entre os indivíduos
escolarizados e a cultura literária do Ceará. Assim, esperamos com este
trabalho o incentivo e uso de nossa literatura cearense nos contextos de
ensino, apresentando aos indivíduos os fundamentos artísticos e literários de
nossa literatura cearense.
OS MOVIMENTOS DA LITERATURA CEARENSE E SUA IMPORTÂNCIA HISTÓRICA,
SOCIAL E LITERÁRIA.
A Academia dos
Novos
Sobre este
movimento, poucos são os registros bibliográficos. Mas, a Academia dos Novos
caracterizou-se pela rebeldia polêmica. Seus representantes levantavam-se contra
o apadrinhamento, “os literatos forjados na caldeira da adulação e do
protecionismo oficial”, contra as igrejinhas, os elogios mútuos e a inoportuna
do governo nas coisas da literatura.
Os velhos
literatos são chamados, entre outros epítetos, de “nulos compenetrados”,
“palhaços da feira” e “turba ignara fofa”. Vale destacar alguns representantes
desse movimento, como: Sobreira Filho, Edigar de Alencar e Jáder Carvalho.
O Grupo Clã
Enquanto o Mundo
figurava a II Guerra Mundial (1939-1945), precisamente no ano de 1942 eclode
também, no Ceará, o “1º Congresso de Poesia”. Cujo foco era valorizar a literatura da província na
época, lutando pela descentralização literária, pois o Congresso teve
repercussão nacional e internacional. Um grupo de jovens, formado
de poetas e escritores resolvem manifestar o desejo de mudanças nas artes,
cultura e mentalidade da época. Mais
adiante, conforme Azevedo (1976, p. 430) escritores e poetas fundam o Clube de
Literatura e Artes_Clã, como:
Aluízio Medeiros, Antonio Girão Barroso,
Antonio Martins Filho, Artur Eduardo Benevides, Braga Montenegro, Eduardo Campos,
Fran Martins, João Clímaco Bezerra, José Stênio Lopes, Lúcia Fernandes Martins,
Milton Dias, Moreira Campos, Mozart Soriano Aderaldo e Otacílio Colares (Artigo 9º do Grupo Clã, do dia 24 de Março
de 1964).
Estes foram, sem
dúvida, os reais fundadores desse movimento no Ceará. Ainda no ano de 1942, foi
publicada uma plaquete intitulada 3
discursos, contendo palestras de Mário de Andrade (do Norte), Artur Eduardo
Benevides e Eduardo Campos. Porém, em 1945, escritores, poetas e prosadores
cearenses realizam o 1º Congresso Cearense de Escritores. Assim, foram
debatidos assuntos de literatura e, desse congresso surgiu no ano de 1948 a
Revista Literária CLÃ.
O Grupo Clã veio
trazer, como contribuição mais importante às nossas letras, a definitiva
implantação do Modernismo no Ceará. E, conforme a relação de poetas e
escritores apresentadas, anteriormente, merece destaque alguns, como: Artur
Eduardo Benevides, na poesia, cujas obras foram: Navio da noite (1942) Os Hóspedes (1946) em parceria com Antonio Girão;
Milton Dias (cronista), João Clímaco Bezerra, Antonio Girão Barroso
(poeta).
Em resumo,
Conforme aponta Azevedo (1976, p. 500) “o Grupo Clã foi um movimento literário
de modernização de nossas letras. [...] Com o tempo, foi perdendo esse sentido
de movimento revolucionário (como, aliás, seria de se esperar), até
transformar-se numa agremiação aberta, na qual vão ingressando outros nomes de
nossa literatura, como foi o caso dos últimos nomes apresentados”.
Portanto, esta
breve síntese desses dois movimentos literários que aconteceram nos ano de 1920
e 1940, objetiva a valorização e o incentivo, por exemplo, da nossa literatura
cearense, aplicando-a de forma contextualizada na área de Língua Portuguesa,
promovendo reflexões críticas acerca da nossa cultura e identidade cearense,
pois, são necessidades imprescindíveis para a formação dos indivíduos
cearenses.
Despertar o
interesse dos indivíduos em conhecer a cultura local. Contribuir, junto aos discentes e docentes para um desenvolvimento
de competências e habilidades de nossa literatura cearense devem ser
prioridades curriculares, conforme apontam os Pcn´s.
Sabendo-se da
necessidade de trabalhar a literatura cearense no âmbito escolar, muitas vezes
abandonada, constatamos que: os docentes devem fazer uso da mesma, visto que a
cultura histórico-literária do Ceará compreende vários movimentos que tentaram
firmar uma literatura local e, até conseguiram.
(*) Andrea
Aragão; Elizabeth Paiva, João Batista Silva e Rebeca
Araújo, graduados
em Letras pela UVA

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