sexta-feira, 21 de abril de 2017

LITERATURA CEARENSE: A ACADEMIA DOS NOVOS E O GRUPO CLÃ ( Por Andrea Aragão; Elizabeth Paiva, João Batista Silva e Rebeca Araújo*)

O presente trabalho traz à tona, a importância e valorização da literatura cearense. Conhecer nossas raízes locais é uma necessidade que nos permite entender a nós mesmos, bem como nossa identidade e formação étnica, cultural, política, econômica, social e religiosa.
No introito deste trabalho, abordaremos a literatura cearense nos seus diferentes contextos históricos e sociais bem como os movimentos literários ocorridos nos anos de 1920 e 1940, respectivamente, a academia dos novos e o grupo clã. Aprofundaremos estes contextos, mediante a contribuição significativa de alguns teóricos (muitas vezes esquecido) que nos legaram produções literárias riquíssimas acerca da nossa identidade cearense. Como via de acesso, para tal discussão, contamos com a contribuição de Azevedo (1976), Alencar (1984), Araújo (1977), Seraine (1996), etc.


A fim de atingir os objetivos propostos, seguimos uma metodologia que consistiu, inicialmente, em pesquisas bibliográficas, reconhecendo o cenário histórico, social e literário destes grupos que apresentamos no tema proposto. Neste trabalho, propõe-se também, o incentivo à pesquisa de nossas raízes locais. Todavia, os resultados percebidos mostram um tamanho distanciamento entre os indivíduos escolarizados e a cultura literária do Ceará. Assim, esperamos com este trabalho o incentivo e uso de nossa literatura cearense nos contextos de ensino, apresentando aos indivíduos os fundamentos artísticos e literários de nossa literatura cearense.

OS MOVIMENTOS DA LITERATURA CEARENSE E SUA IMPORTÂNCIA HISTÓRICA, SOCIAL E LITERÁRIA.

A Academia dos Novos

Sobre este movimento, poucos são os registros bibliográficos. Mas, a Academia dos Novos caracterizou-se pela rebeldia polêmica. Seus representantes levantavam-se contra o apadrinhamento, “os literatos forjados na caldeira da adulação e do protecionismo oficial”, contra as igrejinhas, os elogios mútuos e a inoportuna do governo nas coisas da literatura.

Os velhos literatos são chamados, entre outros epítetos, de “nulos compenetrados”, “palhaços da feira” e “turba ignara fofa”. Vale destacar alguns representantes desse movimento, como: Sobreira Filho, Edigar de Alencar e Jáder Carvalho.  

O Grupo Clã

Enquanto o Mundo figurava a II Guerra Mundial (1939-1945), precisamente no ano de 1942 eclode também, no Ceará, o “1º Congresso de Poesia”. Cujo foco era valorizar a literatura da província na época, lutando pela descentralização literária, pois o Congresso teve repercussão nacional e internacional. Um grupo de jovens, formado de poetas e escritores resolvem manifestar o desejo de mudanças nas artes, cultura e mentalidade da época.     Mais adiante, conforme Azevedo (1976, p. 430) escritores e poetas fundam o Clube de Literatura e Artes_Clã, como:

Aluízio Medeiros, Antonio Girão Barroso, Antonio Martins Filho, Artur Eduardo Benevides, Braga Montenegro, Eduardo Campos, Fran Martins, João Clímaco Bezerra, José Stênio Lopes, Lúcia Fernandes Martins, Milton Dias, Moreira Campos, Mozart Soriano Aderaldo e Otacílio Colares (Artigo 9º do Grupo Clã, do dia 24 de Março de 1964).

Estes foram, sem dúvida, os reais fundadores desse movimento no Ceará. Ainda no ano de 1942, foi publicada uma plaquete intitulada 3 discursos, contendo palestras de Mário de Andrade (do Norte), Artur Eduardo Benevides e Eduardo Campos. Porém, em 1945, escritores, poetas e prosadores cearenses realizam o 1º Congresso Cearense de Escritores. Assim, foram debatidos assuntos de literatura e, desse congresso surgiu no ano de 1948 a Revista Literária CLÃ.

O Grupo Clã veio trazer, como contribuição mais importante às nossas letras, a definitiva implantação do Modernismo no Ceará. E, conforme a relação de poetas e escritores apresentadas, anteriormente, merece destaque alguns, como: Artur Eduardo Benevides, na poesia, cujas obras foram: Navio da noite (1942) Os Hóspedes (1946) em parceria com Antonio Girão; Milton Dias (cronista), João Clímaco Bezerra, Antonio Girão Barroso (poeta). 

Em resumo, Conforme aponta Azevedo (1976, p. 500) “o Grupo Clã foi um movimento literário de modernização de nossas letras. [...] Com o tempo, foi perdendo esse sentido de movimento revolucionário (como, aliás, seria de se esperar), até transformar-se numa agremiação aberta, na qual vão ingressando outros nomes de nossa literatura, como foi o caso dos últimos nomes apresentados”.
 
Portanto, esta breve síntese desses dois movimentos literários que aconteceram nos ano de 1920 e 1940, objetiva a valorização e o incentivo, por exemplo, da nossa literatura cearense, aplicando-a de forma contextualizada na área de Língua Portuguesa, promovendo reflexões críticas acerca da nossa cultura e identidade cearense, pois, são necessidades imprescindíveis para a formação dos indivíduos cearenses.
         
Despertar o interesse dos indivíduos em conhecer a cultura local. Contribuir, junto aos discentes e docentes para um desenvolvimento de competências e habilidades de nossa literatura cearense devem ser prioridades curriculares, conforme apontam os Pcn´s.

Sabendo-se da necessidade de trabalhar a literatura cearense no âmbito escolar, muitas vezes abandonada, constatamos que: os docentes devem fazer uso da mesma, visto que a cultura histórico-literária do Ceará compreende vários movimentos que tentaram firmar uma literatura local e, até conseguiram.

Metodologicamente, estas pesquisas pautaram-se em observações e no uso de referenciais teóricos, que foram passos imprescindíveis para este texto. É sabido que os currículos, de modo geral, não compreendem um espaço pedagógico para tal abordagem. Contudo, diga-se de passagem, trabalhar temas transversais da nossa literatura cearense é um meio inevitável para a compreensão da nossa própria formação étnico-cultural.

(*) Andrea Aragão; Elizabeth Paiva, João Batista Silva e Rebeca Araújo, graduados em Letras pela UVA

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