A Organização das
Nações Unidas no Brasil lança, na próxima terça-feira (7), a campanha “Vidas
Negras”, pelo fim da violência contra jovens negros.
A iniciativa, ligada à Década Internacional de
Afrodescendentes, envolve os 26 organismos da equipe de país da ONU.
O objetivo é sensibilizar sociedade, gestores públicos, sistema de Justiça,
setor privado e movimentos sociais a respeito da importância de políticas de
prevenção e enfrentamento da discriminação racial.
Para a ONU, o racismo é uma das principais causas históricas da situação
de violência e letalidade a que a população negra está submetida. Atualmente,
um homem negro tem até 12 vezes mais chance de ser vítima de homicídio no
Brasil que um não negro, segundo o Mapa da Violência.
O lançamento, com divulgação de vídeos e materiais de campanha, terá
início às 15h30, na Casa da ONU, em Brasília (DF), e contará com a presença do
coordenador residente das Nações Unidas, Niky Fabiancic; de representantes do
governo e da sociedade civil que atuam no tema; e do ator Érico Brás – apoiador
da campanha “Vidas Negras” e participante dos vídeos e peças.
No Brasil, sete em
cada dez pessoas assassinadas são negras. Na faixa etária de 15 a 29 anos, são
cinco vidas perdidas para a violência a cada duas horas. De 2005 a 2015,
enquanto a taxa de homicídios por 100 mil habitantes teve queda de 12% entre os
não negros, para os negros houve aumento de 18%.
“O Brasil é um dos 193 países comprometidos com a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável. Um dos principais compromissos dessa nova agenda é
não deixar ninguém para trás em relação às metas de desenvolvimento
sustentável, incluindo jovens negros. Com a campanha Vidas Negras, a ONU
convida brasileiras e brasileiros a se engajarem e promoverem ações que garantam
o futuro de jovens negros”, comenta o coordenador residente da ONU, Niky
Fabiancic.
Segundo pesquisa realizada pela Secretaria Especial de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e pelo Senado Federal, 56% da população
brasileira concorda com a afirmação de que “a morte violenta de um jovem negro
choca menos a sociedade do que a morte de um jovem branco”. O dado revela o
grau de indiferença com que os brasileiros têm encarado um problema que deveria
ser de todos.
A campanha quer chamar atenção para o fato de que cada perda é um
prejuízo para o conjunto da sociedade. Além disso, deseja alertar sobre como o
racismo tem restringido a cidadania de pessoas negras de diferentes formas.
Peças e números - Segundo dados recentemente divulgados pelo Fundo
das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), de cada 1 mil
adolescentes brasileiros, quatro vão ser assassinados antes de completar 19
anos. Se nada for feito, serão 43 mil brasileiros entre os 12 e os 18 anos
mortos de 2015 a 2021, três vezes mais negros do que brancos.
Entre os jovens, de 15 a 29, nos próximos 23 minutos, uma vida negra
será perdida e um futuro cancelado, segundo o Mapa da Violência. A campanha
defende que esta morte precisa ser evitada e, para isso, é necessário que
Estado e sociedade se comprometam com o fim do racismo - elemento-chave na
definição do perfil das vítimas da violência.
As peças da campanha abordam diferentes facetas da questão, que vão da
discriminação como obstáculo à cidadania plena; passam pelo tratamento desigual
de pessoas negras em espaços públicos; e pelo vazio deixado pelos jovens
assassinados nas famílias e comunidades; chegando até o problema da filtragem
racial (escolha de suspeitos pela polícia, com base exclusivamente na cor da
pele).
Participam dos vídeos e demais materiais, além de Érico Brás, Taís
Araújo, Kenia Maria, Elisa Lucinda e o Dream Team do Passinho.
A campanha, principal ação do Sistema ONU Brasil no mês da Consciência
Negra, não para por aí. Ela seguirá estimulando o debate sobre a necessidade
urgente de medidas voltadas para superação do racismo nos diferentes segmentos
da sociedade. (Ag. Brasil)

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