O Comitê de Governança do Pacto por um Ceará Pacífico se reuniu na manhã
desta sexta-feira (12), no Palácio da Abolição, em Fortaleza. Como fruto do
encontro, o Estado passa a contar com o Programa de Identificação e Localização
de Desaparecidos no Estado do Ceará (PLID-CE) e a integrar o Sistema Nacional
de Localização e Identificação de Desaparecidos (Sinalid). A ação é resultado
de um convênio firmado entre o Governo do Ceará e o Ministério Público Estadual
(MPCE).
O programa
teve como base a ação desenvolvida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em
2013, que já foi inclusive vencedora de um prêmio Innovare. O sistema vai ser
interligado com os demais estados que já possuem o Sinalid, promovendo o
cruzamento de dados das pessoas desaparecidas com as informações fornecidas pelos
órgãos federais, estaduais e municipais para facilitar esse processo. O
governador Camilo Santana enalteceu a importância de se buscar respostas para o
desaparecimento de pessoas e as encontrá-las. “Essa é uma parceria interessante
com o Ministério Público para a gente fazer um trabalho integrado. A dor de uma
pessoa desaparecida para o familiar é muito forte. A estratégia é diminuí-la e
garantir que essas pessoas sejam encontradas ou pelo menos que as informações
sobre elas possam ser dadas aos seus familiares”, destacou.
O governador
aproveitou o encontro para firmar outra parceria, desta vez com o Comitê
Internacional da Cruz Vermelha, ao assinar um Memorando de Entendimentos com o
objetivo de prevenir, reduzir e mitigar as consequências humanitárias
relacionadas à violência em meio urbano. Além disso, houve também a homologação
do Regimento Interno do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos
(Cira), criado em março último pelos poderes Executivo e Judiciário do Ceará,
ao lado do MPCE, para atuar no combate a fraudes e crimes fiscais, com a
finalidade de recuperar ativos para os cofres públicos.
Resultados - Comandada
pelo governador Camilo Santana e pela coordenadora-executiva do Pacto, a
vice-governadora Izolda Cela, o encontro teve também apresentações de programas
que estão dentro do Pacto e de seus resultados, como afirma Camilo Santana.
“Foi um momento também de apresentar alguns resultados frutos já desse Pacto,
mostrar resultados na área da segurança pública, nas ações sociais de
prevenção. O Pacto funciona todos os dias, com reuniões, com ações nas áreas
críticas, na construção de novas parcerias, no diálogo com a sociedade. Esse
aqui é o momento da gente dividir os avanços, reconhecer aquilo que precisa ser
corrigido”, avaliou.
Um desses
programas desenvolvidos a partir do Pacto por um Ceará Pacífico e que já colhe
bons furto é o Tempo de Justiça, que monitora eletronicamente os casos de
homicídio com autoria esclarecida, diagnosticando possíveis entraves em cada
fase do processo (inquérito, denúncia, instrução e julgamento) para que os
casos sejam concluídos (julgados) no prazo médio de um ano.
Comparado a
2015, antes da implantação do programa, o tempo médio de finalização das ações
incluídas no Tempo de Justiça em 2017 caiu de 707 dias para 394, o que representa
uma redução de 44,2%. Em relação aos fatos ocorridos em 2015, foram iniciadas
293 ações penais nas cinco Varas do Júri de Fortaleza, das quais apenas 14
(4,7%) foram julgadas em 399 dias (meta estabelecida pelo programa). Já em
2017, das 282 ações acompanhadas, 96 foram finalizadas até dezembro de 2018,
sendo 50 (17,7%) em até 399 dias.
Esses
resultados renderam ao MPCE, parceiro do programa, o prêmio de 1º lugar do
Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) na categoria “Redução da
Criminalidade”. Para o procurador-geral Plácido Rios, esse reconhecimento deve
ser estendido às demais instituições que colaboram com o Tempo de Justiça. “Nós
extraímos desse pacto a semente da humildade e da cooperação. O Ceará foi
primeiro lugar na redução do tempo. Foi uma alegria muito grande, mas deixamos
claro que o prêmio não era só do Ministério Público e que estávamos trazendo
aquele prêmio para dividir com todos que fazem parte do Pacto”, comemorou.
Menos crimes - O
planejamento do pactuado na área da segurança pública vem apresentando quedas
consecutivas nos índices de criminalidade. Em março último, o Estado registrou
queda de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) em todas as regiões,
correspondendo ao 13° mês de redução seguido em Fortaleza e o 12º no Ceará. O
acumulado dos três primeiros meses deste ano também registrou queda de 56,6% e
é o melhor resultado desde 2009, quando os indicadores criminais começaram a
ser computados de forma centralizada pela SSPDS.
O crime de
roubos a veículos também apresentou queda de 50% no primeiro trimestre de 2019
comparado ao mesmo período do ano passado, caindo de 2.598 para 1.284. Os
furtos reduziram 15% nesses três meses – saindo de 1.050 casos para 893. Mas,
além de conseguir evitar essas ações delituosas, o Ceará conseguiu recuperar
88% dos carros e motos roubados ou furtados. Dos 2.177 automóveis, 1.916 foram
encontrados pela Polícia. Muitas vezes essas ocorrências são concluídas com
prisões e apreensões de armas.
O secretário
da Segurança Pública André Costa destacou ações integradas entre instituições e
com o uso da tecnologia como fatores preponderantes para essas diminuições nos
índices. “Fizemos uma parceria com a PRF (Polícia Rodoviária Federal) que nos
foi apresentado um novo conceito sobre a mobilidade do crime e que se nós
conseguíssemos fazer um controle sobre essa circulação desses veículos a gente
conseguiria ter êxito. Diante desse conceito traçamos uma estratégia com três
pilares. A criação do SPIA (Sistema Policial Indicativo de Abordagem), que
detecta a presença de carros clonados, roubados e furtados. O investimento em
câmeras de monitoramento em tempo real, saindo de 64 em Fortaleza para mais de
3.300 câmeras em 43 cidades do Ceará. E o reforço do motopratulhamento e do
Raio nas cidades para chegar logo nesses locais dos crimes”, informou André.
Ceará Pacífico - O Pacto por
um Ceará Pacífico é um dos principais alicerces do projeto Os 7 Cearás, lançado
pelo governador Camilo Santana em 2015, sendo um eixo de combate à violência
por meio de ações preventivas com foco nas populações mais vulneráveis da
sociedade. Como política pública, o Pacto leva em consideração a compreensão do
direito universal à proteção, amparo, defesa e justiça.
Izolda Cela,
vice-governadora e coordenadora do programa, destaca que essa atuação conjunta
entre todos os poderes e diversas instituições é o que credencia a iniciativa a
conseguir seus objetivos. “Esse pacto foi proposto com a intenção de ter essa
integração, coordenação e responsabilização, ações necessárias para o
enfrentamento da natureza dos desafios. Desde que o Pacto foi instituído nós
temos uma ambiência de cooperação e participação. Isso só aumenta nossas
chances de sucesso”, comenta.
A reunião
contou ainda com a participação de diversos secretário de Estado, do presidente
da Assembleia Legislativa, deputado José Sarto; presidente do TJCE, Washington
Araújo; procurador-geral do Estado, Juvêncio Viana; prefeito de Fortaleza,
Roberto Cláudio; defensora pública geral, Mariana Lobo; presidente da OAB,
Erinaldo Dantas; entre outros. (Gov. CE)

Nenhum comentário:
Postar um comentário