Em discurso, o então presidente eleito pelo Colégio Eleitoral, em 1985,
Tancredo Neves, disse: "Não vamos nos dispersar. Continuemos reunidos, nas
praças públicas, com a mesma dignidade e a mesma decisão. Se todos quiserem, dizia-nos,
há quase duzentos anos, Tiradentes, aquele herói enlouquecido de esperança, podemos
fazer desse país uma nação. Vamos fazê-lo."
Podemos fazê-lo. Sim! Não é difícil procurar os verdadeiros caminhos das
manifestações, que enforcam os nossos problemas sociais pela ótica serena
fundamentada. Por isso, devemos seguir as pegadas do discurso de Tancredo, de
não alimentar a tese do medo de se fazer as manifestações, nas praças, nas
ruas, nos becos e nas esquinas das cidades.
Essa maneira de encarrar os problemas sociais tem muito a ver, num País
em crise, num País onde infelizmente tem um governo, que não tem inclinação
para o bem comum do povo, tem apenas um espirito negativo, uma consciência
deturpada, uma alma fatigada pela maldição do autoritarismo das armas.
E no meio desse contexto conturbado em que vive o povo, emerge um novo teatro
político, os seus atores exibem uma falsa intimidade com a democracia, chamando
os professores e estudantes, que se manifestaram pelos direitos sociais, de imbecis
e massa de manobras.
Para explicar de outra maneira, vamos pensar em outros exemplos
utilizados pela política populista de extrema direita. Como se sabe, por razões
ideológicas neoliberais de um governo perdido nos seus discursos, a ponto de uma
deputada aventureira do baixo clero governista apostar na criminalização da
manifestação do povo.
É por essa via que o governo atual se lança: para construir uma política
neoliberal autoritária do futuro. Mas se o povo decidir pensar de outro jeito,
ligado à causa popular. Ai, sim, a democracia como sabemos, é governo do povo. Em
outras palavras, é um sistema político que distribui ao menos em teoria o poder
ao povo.
E povo? Está constituído de culturas, hábitos, costumes, línguas; que
podem combinar com a democracia. Ou seja, se de fato queremos ousar pensar em
uma democracia real.
É difícil de falar de povo, numa democracia que parece não ter rosto. Os
ministros chegam de carrões pretos estacionam no subsolo os seus veículos. Os políticos
governistas aplaudem quando o palestrante faz piada sobre o nordeste e diz que
o nordestino não precisa estudar filosofia e sociologia. O outro palestrante
incita à economia, nos fazem crer que passamos por momentos turbulentos
previdenciários e que os dias melhores de três trilhões, para crescimento
econômico bate à nossa porta, com a reforma da previdência. Cenas como essas se
tornam frequentes nesse governo atual.
É ridículo, porque ninguém não tem a coragem de mexer na caixa-preta da
sonegação, segundo os especialistas, a contribuição previdenciária não
recolhida é de mais de dois trilhões, e alguns falam até de quatro trilhões.
Para os capitalistas, o Brasil é um paraíso fiscal. Pior, é uma exploração
socioeconômica.
E mais: o Congresso Nacional se configurou como uma das maneiras mais
tradicionais, utilizadas por muitos parlamentares alinhados ao mesmo sistema da
política econômica, costuma organizar reuniões periódicas em Brasília para
definir suas estratégias, que vão desde a proposição de pautas até a indicação
de nomes para as comissões parlamentares, como nos seus discursos avessos à transparência
na reforma da previdência.
Trata-se de um jogo complexo, sem visibilidade política. Basta lembrar
que a então reforma da previdência está sobre a resistência do Executivo, que é
boa e correta, contra as velhas práticas políticas da esquerda à direita, com o
objetivo, é claro, do “toma lá e dá cá”; porque agem em causa própria. É com
esse ambiente apropriado em que desnorteia as reformas, que o povo precisa.
Esse foi o saldo, até agora, dos discursos inconsequentes, rasos e
maniqueístas, desses senhores que não se incomodam com essas acusações, nem
precisam. Nós, a população, não tem acesso a essas decisões. O desprezo pelo
voto e a falta de apreço pelo exercício democrático da política, estão nas
declarações do líder do governo, quando ele diz, que as manifestações não têm
influências, em nada. Ou seja, a estrutura da política atual, controla a política
desse sistema capitalista.
É nesse quadro que se pode e deve avaliar as manifestações pelos
direitos sociais para conduzir a democracia a se determinar como produto de uma
luta social. Da mesma forma, podem-se avaliar a moralidade das manifestações em
apoio ao Executivo. Ou seja, para revestir de verniz popular as suas propostas
conservadoras, o governo fez sua contrapartida, sem, contudo, explicar o
porquê, o povo estava disperso, faz uma manifestação social, sem a presença do trabalhador
de baixa renda.
Enfim, esse foi o problema comum do povo, num curto espaço de tempo.
Seria possível pensar numa manifestação democrática com uma cor, um rosto, uma feição
do povo? Sim, as manifestações ainda produzem avanços nas lutas centrais do
povo brasileiro por justiça social.

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