Acima de todas as maldades, de todas
as catástrofes e de todos os sofrimentos decorrentes da imperfeição dos homens
e da desigualdade existentes entre eles, um clima de paz, de sentimento cristão
começa a tomar conta da maioria dos corações nesta época.
Na quarta-feira celebraremos mais um
aniversário de nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, data comemorada pela
primeira vez em 25 de dezembro do ano 354. A data foi convencionada pelos
romanos que aproveitaram para cristianizar uma grande festa pagã chamada Natalis
Solis Invicti (“nascimento do sol invencível”) em para 25 de dezembro.
Antigamente, nas saudações aos reis era praxe levar-lhes os
mais caros e raros presentes. Segundo as Sagradas Escrituras, no seu estilo de
midraxe, três magos, guiados por uma estrela, andaram léguas e léguas para
contemplar um Menino pobre, preanunciado como o futuro Rei dos reis, que
nasceria naquela região. E mesmo só contando com essa promessa da vinda do
Enviado de Deus, os magos creram nela, respeitaram-na e partiram no intuito de
reverenciar o futuro Salvador da humanidade.
Depois de longa caminhada, eles
se depararam com a humilde manjedoura, onde estava o Menino Deus, sua mãe e seu
pai. Não fugindo à regra, os andarilhos abriram seus tesouros e entregaram os
melhores presentes ao Rei recém-nascido, que recebera o nome de Jesus Cristo.
Etimologicamente, a palavra JESUS vem do hebraico “Yeshua” e significa
"Javé (Deus) salva". Já CRISTO origina-se do grego “Christus”
e quer dizer “Ungido”, ou seja, untado com óleo.
Conforme a tradição, eram três os reis magos: Baltazar,
Melchior (ou Belchior) e Gaspar. Eram chamados
magos porque conheciam bem a astrologia e não porque fossem expertos na magia.
Entre os persas, qualificavam de “Magos” aqueles a quem os judeus chamavam
“escribas”; os gregos, “filósofos”; e os latinos chamavam de “sábios”. Baltazar,
o mago árabe, presenteou a criança com incenso, significando a divindade dela.
Ainda de acordo com a tradição, o indiano Belchior trouxe ouro para simbolizar
a realeza. E o etíope Gaspar deu mirra, demonstrando, assim, a humanidade do
Menino Jesus. Naquela ocasião, os três magos representavam todos os recantos do
mundo.
Do dia do nascimento daquela
Criança até os nossos dias já se passaram mais de 2000 anos. Mas o respeito que
os cristãos têm dedicado a esse acontecimento ímpar permanece. E se tornou bem
mais embasado depois que a humanidade viu e ouviu o próprio exemplo e a
mensagem de vida deixados pelo Salvador aniversariante.
Naquele tempo, os magos
acreditaram na promessa da vinda de Cristo. Hoje, a maioria de nós tem a
certeza da existência d´Ele e ainda o privilégio de ter recebido do próprio
Jesus Cristo todo o caminho traçado para quem quisesse segui-Lo. E como prova
do seu infinito amor à humanidade não hesitou em sacrificar sua própria vida, a
fim de que sobre ela refletíssemos constantemente, por ela nos guiássemos e por
meio dela nos salvássemos.
Além disso, aquele Menino Deus
que ora parabenizamos também nos deixou a lição de que não mais seria
necessário nos largarmos mundo afora, guiados por outra estrela como os magos,
para estar frente a frente ao Filho de Deus e reverenciá-Lo.
Cristo deixou muito claro que se
quiséssemos vê-Lo, senti-Lo e deixá-Lo satisfeito bastaria observar bem
pertinho de nós, na periferia das nossas cidades, nos mais pobres, nos doentes
ou mesmo dentro dos nossos lares, que, muitas eles, é um dos locais mais
carentes de Deus. Lá teríamos a oportunidade de não apenas encontrar pessoas
pobres e necessitadas materialmente, mas também paupérrimas e extremamente
necessitadas espiritualmente.
O aniversariante Jesus também
difundiu a mensagem de que devemos olhar para essas pessoas não somente em
épocas de Natal. Ensinou Ele que é preciso não apenas vê-las, mas enxergá-las e
ajudar-lhes em todos os momentos de nossas vidas. Assim, estaremos cumprindo
fielmente nosso dever de autêntico cristão e até superando o que fizeram os
três magos. Estaremos respeitando, reverenciando e seguindo o Mestre Jesus que
está dentro de cada um de nós.
Simplesmente comemorar o
nascimento do Menino - ou “BEBEMORAR”, como muitos fazem - não é o suficiente
para que se cumpra esse imprescindível dever de todo bom cristão. É preciso,
sim, fazer renascer Jesus Cristo dentro de cada um de nós, e diariamente,
exercitando colocar acima de tudo o amor a Deus e às pessoas e o perdão. E
mais: buscando ser mais sensível ao sofrimento dos semelhantes e,
consequentemente, viver e praticar mais o amor, a justiça, a humildade e a
caridade, sempre norteado pelas lições deixadas por Cristo Jesus.
Que neste Natal e nos demais dias
de nossas vidas abramos nossos tesouros, que são nossos corações, e ofertemos a
todos muito mais do que o incenso, o ouro ou a mirra, aquilo que doaram os
reis magos. E demos, a todo instante, o presente de que tanto carece hoje a
humanidade: o amor - o único presente que o dinheiro não consegue comprar.
Dessa forma estaremos comemorando
e vivenciando o Natal real, reverenciando o verdadeiro aniversariante, Nosso
Senhor Jesus Cristo, e distribuindo a todos o melhor de todos os presentes.
Um Santo Natal a todos!

Nenhum comentário:
Postar um comentário