Tem jeito mesmo não! A cada ano eleitoral aproveito pra contar essa historinha, forçado pela reincidência do mesmo fato gerador. Ou seja, a cada ano de eleições ocorre tudo de novo ou algo muito parecido. Até quando, brasileiros e brasileiras.
Lamentavelmente nesses últimos dias ouvi pela enésima vez a frase-título desse artigo. O pior: sem nenhuma esperança de que esteja ouvindo pela última vez, especialmente quando o assunto em pauta é eleição. Assim sendo, só pode ser muito potente a anestesia moral a que são submetidos milhões de brasileiros (as) que têm o poder mudar a situação, o que me daria outro mote para escrever algo com desfecho melhor para todos nós.
"Esse é que é o homem!" é uma frase que poderá acarretar muito prejuízo se aplicada sobre pessoas não dignas desse elogio. Sem dúvida. aumenta enormemente sua carga de nocividade quando faz referência a possíveis candidatos.
Minha preocupação com essa hipótese tem me instigado a republicar um texto sobre um episódio real, aqui já contado e recontado, cujo objetivo principal continua sendo alertar os eleitores. Acompanhe, abaixo.
Certa vez, numa lanchonete de Sobral,
“sem querer querendo”, como diria o comediante mexicano Roberto Gómez Bolaños
(Chaves), ouvi um curioso diálogo de amigos que chegavam de um distrito
sobralense. Referindo-se a um famoso e saudoso político local, um deles disse
muito alegre:
“Esse é que é o homem! Olha só: ele parou
lá em casa ontem querendo descansar um pouco. Sem rede nova pra oferecer, falei
que só tinha a que meu garotinho havia acabado de ensopar de xixi. O homem
aceitou de todo gosto e dormiu com um anjo. O cabra é macho mesmo!”.
Foi o bastante para o outro camponês confirmar: “Esse é que é o homem!” (Cá pra nós: o político estava mesmo
era “cheio dos paus”, como de costume)
Escutar-se isso de dois rudes sertanejos até que dá para engolir, não obstante se saiba que a globalização vem exterminando até mesmo a ingenuidade de muitos matutos. Agora, lamentável é ainda ouvir-se frase semelhante proferida por alguém tido como letrado, esperto e, às vezes, tido com formador de opinião.
Mais triste ainda quando o objetivo é enaltecer a “macheza” de quem se propõe a governar um país, estado ou município ou apenas auxiliar nesse governo, como se para cumprir essa tarefa fosse imprescindível ter qualidade que retrocede no tempo. Remonta ao tempo em que tudo se resolvia através da valentia; tempos de “Lampião”, em que a disputa era na base do braço, da faca ou da bala. Mas os tempos são outros: hoje os valentes são os que têm como principal arma a ficha limpa e boas ideias.
Lamentavelmente hoje quem alardeia isso não se apercebe de que o portador de tal “macheza” se respalda na utilização de outra arma: a nojenta prática de denegrir, achincalhar o adversário e seus projetos. E que o próprio machão não se lembre que também tem falhas e defeitos.
Quem é adepto do “esse é que é o homem!” torna-se tão cego ou tão submisso que não consegue detectar que “esse homem” deixa completamente de lado o que lhe seria muito útil para a conquista de eleitores e mais aliados. E que “esse homem” perde, portanto, a oportunidade de apresentar as suas boas qualidades: sua história, suas ideias, seus bons projetos...
Esquece-se completamente da possibilidade de vencer por suas qualidades, fixando-se na ideia de derrotar o opositor tripudiando em cima dos defeitos desse ou os “fabricando”, caso não haja. E como é fácil detectar isso na atual campanha!
Você já se deparou com alguém querendo lhe empurrar goela abaixo um desses candidatos ou se deparou com algum aliado ou cabo eleitoral desses candidatos? Aquele que coloca esse tipo de “macheza” acima da sensatez, da coerência e da humildade e se recusa a aceitar criticas honestas e sugestões de melhoria?
Se sim, fuja dele e ajude a expurgá-lo, bem como seu protegido, da política e da sociedade. Antes de ser “macho” seja homem. Esse, sim, é que é o homem! De verdade.
Comédia eleitoral
Como aumentou o número de palhaços no horário eleitoral gratuito no rádio e na TV! Mas você sabe por que os partidos políticos selecionam tão mal seus integrantes, sem o mínimo de respeito aos eleitores? É porque têm certeza de que os verdadeiros palhaços são aqueles que elegem seus candidatos.
Simplesmente animal
Inteirar-se da Política, discuti-la e interagir para melhorá-la é reconhecer que todo homem é um animal político. Infelizmente muitos optam por ser apenas animal. É por conta disso que os demais se tornam vítimas dos maus políticos.
Invisibilidade
Desapercebido de dinheiro, todo candidato passa despercebido. Essa regra seria perfeita se não prejudicasse também os bons.
Pérolas do Rádio
Anteontem um radialista local lamentava: “Por aqui ouvimos profissionais do rádio se degladiano e esculambano colegas. Isso só degrine a classe”. Já eu, completo: Que também se evite esse flagrante crime contra nosso sofrido Português. Diga-se, portanto: “Por aqui ouvimos profissionais do rádio se digladiando e esculhambando colega. Isso só denigre a classe”. (E mais: evite o verbo chulo “esculhambar”)
Como sempre
Não é nenhuma novidade que coisas absurdas e degradantes ocorram em ano eleitoral por todo o País, principalmente na reta final. É lamentável que testemunhas oculares ou vítimas dos mais comprometedores fatos (compra de voto, ameaça, coação...) se recusem veementemente a assumir a condição de denunciantes. Lamenta-se, também, que a Justiça ainda não tenha desenvolvido uma estratégia ou dispositivo para chegar aos acusados, além da denúncia anônima. Mas que há, há. Com independência e um esforçozinho...
Cuidado!
Quando isso ocorrer, muitos lobos com pele de cordeiro serão conhecidos. Por enquanto, ouça o que se comenta, verifique a credibilidade de quem fala, analise se seu candidato é um dos citados e, como sem falta, despreze-o. Atenção: Denunciar, só com provas.
Serão eles?
É pergunta chave de eleitores neste final campanha. Em breve, às caladas da noite, grupos de pessoas estarão se acotovelando nas esquinas deste País, em trajes de dormir, na ocasião em que se aproxima qualquer veículo. A dúvida é sobre se se trata ou não do carro do candidato “caridoso” ou dos seus comparsas, que traz o comprador de votos. Nos próximos dias muitos candidatos e eleitores pouco dormirão; muitos até madrugarão. Se a dona Justiça também fizesse serão...
DOMINGO NA EDUCADORA (www.radioeducadora950.com.br)
Até amanhã, no Programa Artemísio da Costa na Educadora AM 950. Notícias, reportagens, curiosidades, música de boa qualidade e entrevistas. Participe: 3611-1550 // 3611-2496 // Facebook: Artemísio da Costa.


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