Habilitado
novamente para disputar eleições, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
afirmou nesta quarta-feira (10) que foi vítima da "maior mentira jurídica
contada em 500 anos de história" do Brasil.
O petista fez um discurso na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, em seu primeiro pronunciamento após a anulação de suas condenações na 13ª Vara Federal de Curitiba.
"Se tem um
brasileiro que tem razão de ter muitas e profundas mágoas, sou eu. Mas não
tenho, porque o sofrimento que o povo brasileiro está passando, o sofrimento
que as pessoas pobres estão passando, é infinitamente maior que qualquer crime
que cometeram contra mim", declarou.
Lula foi
enquadrado na Lei da Ficha Limpa por causa de sua condenação no caso do tríplex
do Guarujá (SP) e chegou a passar 580 dias na cadeia, mas o ministro Edson
Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou todas as sentenças contra o
petista na Justiça Federal do Paraná.
Segundo Fachin, a
13ª Vara Federal de Curitiba, que era comandada por Sergio Moro até ele aceitar
o convite de Jair Bolsonaro para ser ministro da Justiça, não era o "juiz
natural" dos casos. Na decisão, Fachin encaminhou os processos do tríplex,
do sítio de Atibaia e das doações ao Instituto Lula para a Justiça Federal do
Distrito Federal.
Com isso, o ex-presidente recuperou seus direitos políticos e pode se candidatar novamente, caso não seja condenado outra vez em segunda instância antes das eleições de 2022. "Eu tinha certeza que esse dia chegaria, e esse dia chegou com o voto do Fachin, de reconhecer que nunca teve crime cometido por mim, de reconhecer que nunca teve envolvimento meu com a Petrobras", declarou Lula.
Na verdade, Fachin
não inocentou o petista, apenas determinou que os processos que tramitaram em
Curitiba sejam avaliados pelo juiz natural dos casos, no Distrito Federal.
"Eu fui
absolvido em todos os processos fora de Curitiba, mas nós vamos continuar
brigando para que o Moro seja considerado suspeito, porque ele não tem o
direito de se transformar no maior mentiroso da história do Brasil e ser
considerado herói por aqueles que queriam me culpar. Deus de barro não dura
muito tempo", acrescentou.
A suspeição de
Moro para julgar Lula está sob análise da Segunda Turma do STF, com votação
paralisada em 2 a 2. O último a votar é o ministro Nunes Marques, indicado por
Bolsonaro e que pediu vista, ou seja, mais tempo para analisar o caso.
Não há data para
retomar o julgamento, mas, se o STF determinar a suspeição de Moro, isso
significará a anulação de todos os atos praticados pelo ex-juiz nos processos
contra o ex-presidente. Dessa forma, os casos encaminhados ao Distrito Federal
teriam de recomeçar do zero. "Eles sabem que eles cometeram um erro",
declarou Lula.
Bolsonaro
O ex-presidente
também aproveitou a ocasião para criticar a resposta do governo Bolsonaro à
pandemia do novo coronavírus e afirmou que um presidente não é eleito para
"falar bobagem e fake news".
"A questão da
vacina não é uma questão se tem dinheiro ou se não tem dinheiro. É uma questão
se eu amo a vida ou se eu amo a morte. É uma questão de saber qual é o papel do
presidente da República no cuidado de seu povo", disse.
Segundo Lula, que
está com 75 anos, ele será vacinado contra a Covid-19 na semana que vem.
"E quero fazer propaganda para o povo brasileiro. Não siga nenhuma decisão
imbecil do presidente da República ou do ministro da Saúde. Tome vacina!",
acrescentou o petista, que também pediu para aqueles que já foram imunizados
continuarem se protegendo e mantendo o isolamento social.
"As mortes
estão sendo naturalizadas porque a gente ouve de manhã, de tarde, de noite. Mas
eram mortes que muitas delas poderiam ter sido evitadas", disse.(JB, com agência Ansa)

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