Sábado passado, dia 15 de Maio falamos sobre a Festa da
Ascensão do Senhor ao Céu, que celebraríamos no Domingo, dia 16, enfatizando a
sua promessa de que iria, a fim de nos mandar o Esp. Santo, no Domingo seguinte
– dia 23 - amanhã, portanto, e nos convidava a unir-nos com Ele, como Ele e o
Pai são unidos. Era o convite à participação na Semana da Unidade.
Foi o desejo de Jesus pela nossa União, que nos fez
celebrar, desde o Domingo, 16, Ascensão do Senhor, até Domingo 23, amanhã,
Festa de Pentecostes, a semana da unidade sob o tema: “Permanecei
no meu amor e produzireis muitos frutos” (Jo. 15,5-9).
No dia da Ascensão, Jesus prometeu voltar para o Pai,
senão o Espírito Santo não viria a nós. Era uma consequência: “se eu
não for, não virá a vós o Espírito Consolador”. A este intervalo –
entre o Domingo da ida de Jesus e o Domingo da vinda do Espírito Santo –
chamamos de Semana da Unidade. Foi a semana do dom da Comunicação, que a Igreja
tem por excelência, devido a presença do Divino Espírito Santo nela. Daí, a
justificativa maior para a instituição do Dia Mundial das Comunicações Sociais,
celebrado Domingo passado, fundamentado no Decreto – Inter Mirifica -
do Concílio Ecumênico Vaticano II, que manda “promover a comunhão entre
homens e mulheres e o progresso de toda a sociedade, através do reto uso dos
Meios de Comunicação, tendo em vista servir ao bem comum”.
A Igreja do Brasil está tentando fazer o reto uso
dos Meios de Comunicação que ela tem nas mãos, através de suas redes
de rádio e televisão, como também de seus meios escritos, sobretudo nos últimos
55 anos, instruindo, evangelizando, educando e conscientizando suas comunidades
eclesiais, chegando a lugares, antes nunca visitados, transmitindo sua mensagem
libertadora e salvadora.
A Igreja busca uma unidade, cada vez maior, com todas as
pessoas de boa vontade, levando-as a refletir sobre a sua realidade social,
religiosa, econômica, cultural, política, que é a realidade de todas as
pessoas, independentemente, de sua cor partidária, da pele, religiosa ou
financeira. Não se trata, portanto, de uma realidade somente dos
católicos. É uma realidade humana e, por isso mesmo, interessa à Igreja. Também
por isso, ela estudou, em profundidade, o possível bom relacionamento entre
todas as pessoas, tendo em vista uma unidade. Como é que nós somos cristãos e
somos desunidos? Como é que nós pregamos uma mesma mensagem e não nos
entendemos? Como é que Jesus pede “para que sejamos um, como Ele e o Pai o
são” e nós nos posicionamos em lados opostos?
Foi a partir dessas interrogações e da constatação de que
somos tão fragmentados – em cristãos católicos, ortodoxos e evangélicos - que o
Concílio estudou o Ecumenismo, buscando unir-nos mais e nos respeitarmos uns
aos outros, como se habitássemos debaixo do mesmo teto, ou numa mesma casa.
Esse desejo está colocado na própria etimologia da
palavra, de raiz grega: ecumenismo. Vem de oikos,
que significa casa, num desejo expresso de que vivamos
unidos, como se estivéssemos dentro de um mesmo prédio, numa mesma casa, numa
mesma família, sem intrigas, sem separações, sem agressões, sem nos atirarmos
pedras, mutuamente.
Será isso impossível? É o que deseja a Semana da Unidade
que temos celebrado, sobretudo após o Concílio Ecumênico Vaticano II. É o que
propõe a Pastoral da Comunicação, de que estamos falando há anos e que vamos
continuar abordando, por muito tempo, visando unir todos os eventos, dentro e
fora da comunidade, tendo em vista a Unidade na única Igreja de Jesus. É o
desejo das Campanhas da Fraternidade Ecumênicas que o Conselho Nacional de
Igrejas Cristãs (o CONIC) estuda, coordena, realiza e avalia como um exemplo
concreto de que o Ecumenismo é possível. Faz 504 anos, vivemos separados dos
Irmãos Protestantes. Foi em 1517 a nossa separação. Faz 967 que nos separamos
dos Irmãos Ortodoxos. Foi em 1.054. Até quando vamos continuar assim,
divididos? A Festa da vinda do Espírito Santo exige de nós a União.
Amanhã, dia 23 de Maio, celebramos a solenidade do
Pentecostes, isto é, 50 dias após a Festa da Páscoa. Desde o Antigo Testamento,
tais datas já eram comemoradas pelos judeus, o que significa dizer que Páscoa e
Pentecostes não são invenções ou criações do Cristianismo.
Todos os anos os judeus tinham por costume – sete semanas
depois da Páscoa – celebrar a Festa da Messe ou a Festa da Colheita,
exatamente, no Pentecostes: quinquagésimo dia depois da
Páscoa.
Após 40 dias da Ressurreição de Jesus Ele voltou para
junto do Pai. Foi a Festa da Ascensão que celebramos Domingo passado. No
entanto, condicionou essa sua ida, ao envio do Espírito Santo. Não poderia
haver ocasião melhor. Aproveitou o grande momento da Festa Judaica do
Pentecostes com a afluência de gente que vinha de todos os recantos, a
Jerusalém, para fundar a sua Igreja, enviando nesse dia, o Comunicador: o
Espírito Santo.
E por que aparecia tanta gente nesse dia? Porque era o
dia da grande feira, ou da grande troca de produtos, de mercadorias, de
artesanatos, de frutos da terra, enfim, era um dia de juntar pessoas de toda
parte: feirantes de toda espécie, agricultores, comerciantes, vendedores e
compradores. Portanto, era um dia muito apropriado para a vinda do Espírito
Santo, para que muita gente entendesse que, a partir daquele dia, alguma coisa
nova, diferente, iria mexer com a cabeça, com a mente e a maneira de pensar e
agir no mundo. Era a instalação da Igreja Católica.
E como isso aconteceu? Conta-nos o Livro dos Atos dos
Apóstolos, capítulo 2, versículos de 1 a 12 que, naquele dia se achavam
todos em Jerusalém... Quando, de repente, veio do céu, um ruído, como se
soprasse um vento impetuoso e apareceram-lhes uma espécie de línguas de fogo,
que se repartiram e repousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do
Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o espírito lhes
concedia que falassem... Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e
maravilhava-se de que cada um os ouvia falar em sua própria língua proclamando
as maravilhas de Deus.
Será que dá para esquecer um acontecimento fantástico
como esse? Por isso eu dizia que o mundo iria mudar a partir da instituição da
Igreja ou a partir da vinda do Espírito Santo. Muitos que se tornaram cristãos
e adeptos da doutrina de Cristo – do ano 33 em diante - nesses 1988 anos,
abandonaram a Igreja inicial. Em 1.054, houve um cisma ou um racha entre os
cristãos; no século XI, portanto, e há 966 anos apareceram as Igrejas
Ortodoxas. Houve um protesto muito forte ou um 2o racha, em
1517, século XVI, e surgiram as várias Igrejas Protestantes. Faz, exatamente,
504 anos. Juntos, somos cerca de 2 bilhões de cristãos no mundo: a metade
católica e a outra metade, dividida em cristãos ortodoxos e cristãos
evangélicos ou protestantes. Com a semana da unidade, que termina amanhã, nosso
desejo é de que possamos, ao menos, dialogar sobre os temas que ainda nos unem;
possamo-nos comunicar, viver em comunhão. Como ter uma única palavra de
Deus, um único salvador, Jesus Cristo, e sermos tão divididos entre
nós? Amanhã – Pentecostes de 2021 - a Igreja Católica, que teve início com
Jesus e recebeu o Espírito Santo no ano 33, completa 1988 anos de fundada. Quem
“cismou” conosco no século onze e “protestou” contra nós no século dezessete
não pensa, ao menos, em agradecer à Igreja Católica por ter preservado a
Palavra de Deus ou tê-la conservado, ensinando-a e colocando-a nas mãos do
povo, até o aparecimento de “cismáticos” e “protestantes” bem depois? O que
estavam fazendo eles em todo o tempo anterior às suas aparições? Quem estava
rodando pelo mundo, enfrentando perseguições, sendo martirizados e dando a
própria vida para espalhar a “boa nova” por toda parte? Certamente foi muito
bom pegar o “prato feito” para saboreá-lo ou o “bonde andando” para conduzi-lo.
Por isso é que desejamos tanto espalhar o “ecumenismo” para nos unirmos na
mesma “missão” que o único Jesus nos mandou realizar. Daí o sentido verdadeiro
da “semana da unidade” que estamos celebrando desde 1968, todos os anos entre o
Domingo da Ascenção e o Domingo de Pentecostes.
Como as
Semanas da Unidade são celebrações vivenciadas em todo o Mundo, todas foram
estudadas, aprofundadas em diferentes países do mundo e espalhadas pelos demais
países. Assim se deu, por ex., com a Semana da Unidade do ano passado: Foi
preparada no país de Malta: uma Ilha principal (junto a outras chamadas Ilhas
Maltesas) que somam 246 Kms2, cuja Capital é Valeta, situada a 93 km do sul da
Itália e a 290 km da África, no mar Mediterrâneo. A deste ano de 2021 foi
preparada pela Comunidade de Grandchamp, na Suíça. São cerca de 50 Irmãs de
diferentes gerações, tradições eclesiais e de países e continentes diferentes.
Existem desde 1930, fiéis a uma vida de oração, em comunidade e acolhimento aos
visitantes, oferecendo-lhes um tempo de retiro, silêncio, cura e em busca de
sentido para a vida..
A título
de informação, Semanas da Unidade anteriores foram preparadas
na Itália, Alemanha, Suíça, Espanha, Inglaterra, Iugoslávia, França,
Irlanda, Portugal, Suécia, Oriente Médio, Romênia, Eslováquia, EEUU, Escócia,
Polônia, Síria, tendo-se repetido em várias cidades de muitos desses
países.
Aqui no
Brasil, além de recebermos a orientação, o esquema de trabalho e o compromisso
de realizá-lo, buscando união com todos, ainda temos várias dessas Semanas,
vividas, ecumenicamente, isto é, com a participação de irmãos judeus,
católicos, ortodoxos, evangélicos, e até, indiferentes, que se solidarizam na
busca da unidade, tão desejada por Jesus. Ser unido, não é uma propriedade só
de cristãos; deve ser um desejo de toda a sociedade: civil, cultural, humana,
política ou religiosa. Qualquer que seja nossa aspiração deve ser uma exigência
de todos.
COMENTÁRIOS RECEBIDOS
Para Mons. Assis Rocha: O QUE SERIA DE NÓS SE NÃO EXISTISSEM OS MEIOS DE
COMUNICAÇÃO?
De Regina Rocha, de Sobral
Muito
bom!
Usamos os meios de comunicação para celebrações, para divulgar palavra de Deus,
hj muitos estão sofrendo com a pandemia precisam ouvir boas notícias ,enfim
,podemos usar para vários assuntos.
Um abraço
De .Regina Rocha
De Lourenço Araújo Lima, do Rio de Janeiro
Como
sempre muito bom. Grande abraço monsenhor Assis Rocha
Para Franzé Bezerra: “O COLAPSO DO SISTEMA DE SAÚDE RESTOU INEVITÁVEL”
De Wagner Turbay - wagnerturbay@gmail.com
- Mestre, disse tudo, mais não tenho a dizer. Grande abraço!
De Sergio Augusto Borges de Melo -borgesdemelo.sergioaugusto@gmail.com
- Parabéns
concordo com tudo só nos resta mostrar aos nossos amigos o descaso desde
desgoverno o pior governo que este país já teve
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