Brincar de boneca, de colorir, de massinha,
jogar bola, tocar pianinho são as brincadeiras preferidas da Mariah Alves
Ferraz, de 5 anos. No Dia Internacional do Brincar, celebrado nesta sexta-feira
(28), ela e milhões de crianças em todo o mundo brincam para se divertir, mas,
além disso, a brincadeira é parte fundamental do desenvolvimento infantil, diz
a especialista em educação do Itaú Social, Juliana Yade.![]()
“Brincar é essencial para o
desenvolvimento infantil. É por meio dos jogos e brincadeiras que as crianças
aprendem sobre o mundo e sobre elas. As crianças aprendem o tempo todo
sozinhas, com outras crianças, com objetos, com adultos. Brincar é um direito, e
as situações que são promovidas pelas brincadeiras ajudam muito no
desenvolvimento da autonomia”.
A psicóloga Dora Leite, coordenadora
do Setor Child Life, do Sabará Hospital Infantil (SP), completa: “Considerando
que o brincar é a linguagem da criança, essa ação se desenvolve nas áreas tanto
cognitiva, quanto afetiva, motora e social”.
As brincadeiras são essenciais para o
desenvolvimento integral das crianças. Sua importância é tanta que é um direito
garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), preconizada pela
Organização das Nações Unidas (ONU), e tem até um dia de celebração: 28 de
maio.
Durante o período de isolamento
social, porém, algumas atividades ficaram limitadas e está cada vez mais
difícil manter as crianças tranquilas dentro de casa. O afastamento da rotina
escolar, dos amigos e dos familiares tem criado o que alguns chamam de
“estresse tóxico”, no qual as crianças ficam inquietas e entediadas.
“Foi necessário que as famílias
criassem outras possibilidades de interação das crianças, às vezes por
videochamada, às vezes dentro do próprio núcleo familiar, outras formas de
brincadeiras, de jogos, de interações, seja na hora de cozinhar, de se
alimentar, cuidar da casa, incluindo-as também nas tarefas domiciliares. Nesse
sentido, as crianças acabaram ficando com menos possibilidades de interação, o
que fez com que o cotidiano delas se tornasse mais restrito. Isso tem sim
uma implicação até para o desenvolvimento da criança, mas acredito que, como
elas são muito ávidas às possibilidades, quando esse momento minimizar ou
passar, vão rapidamente recuperar esse tempo de isolamento social”.
Para a educadora social Juliana Yade,
as crianças maiores criaram estratégias para se manter em movimento, em
brincadeiras durante o isolamento. “Foi muito bom perceber, neste período, o
quanto as famílias foram se adaptando às suas realidades, para que os jogos, as
brincadeiras, as cantigas tivessem um valor nessa rotina desafiadora. Mesmo que
as crianças não pudessem brincar com outras, essa relação com o adulto foi
essencial para que a gente não rompesse com as possibilidades de desenvolvimento
integral durante o período de pandemia”, destacou.
A mãe da Mariah, a professora Aline
Alves Ferraz, tem usado diversos recursos para que a brincadeira continue
animada durante o isolamento social. “Nossa saída para este período foi
dispensar um tempo maior a ela e investir em opções de brinquedos que
possibilitem uma interação individual, como quebra-cabeças, a boneca de
maquiagem, jogos educativos e até mesmo alguns jogos eletrônicos no celular, às
vezes. Também continuamos brincando de cantar, colorir ou pintar, massinhas de
modelar, desenhar para o outro adivinhar e baralhos”.
Aline também incluiu tarefas
domésticas como brincadeira. “Brincamos de “loja de roupas” quando
precisa arrumar suas roupas no quarto dela, e de aulinha, por ser o meu trabalho
e, muitas vezes, ela presenciar devido ao home office. Vídeos do
youtube, com aulas de balé e contos de histórias diversas também foram
opções para nossa pequena”, afirmou.
Como os pais de Mariah também
são músicos, canções sempre foram parte da brincadeira em casa. “Música sempre
foi nossa aliada e ainda é, seja com utilização de instrumentos musicais ou
simplesmente à capela, cantigas de roda ou para reprodução de uma coreografia”.
Brincadeiras da tradição oral brasileira
Mariah tem sorte de ter pais músicos,
mas não é preciso nenhum talento extra para adicionar brincadeiras criativas no
cotidiano das crianças, mesmo em casa. Para o Dia do Brincar, o Itaú Social destaca
conteúdo voltado para o desenvolvimento integral das crianças.
Como parte da programação da Semana
Mundial do Brincar 2021, promovida pela Aliança pela Infância, o Itaú Social
destaca o conteúdo construído para
valorizar os momentos em família por meio de brincadeiras fáceis de se fazer em
casa.
O material conta com 25 opções
de atividades que fazem parte da tradição oral brasileira adaptadas à realidade
atual. O conteúdo, disponível em forma de curso online de duas
horas, contém vídeos, áudios e e-book. Também há dicas para
garantir a diversão de forma leve para toda a família. O material conta com o
apoio técnico do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação
Comunitária.
Algumas dicas para garantir a diversão:
- Escolha um horário em que as
crianças não estejam cansadas ou com fome, tampouco precisem relaxar logo
depois.
- Organize o espaço em que a
brincadeira acontecerá. Há três motivos para isso: facilitar a circulação e
garantir a segurança; mostrar a todos que diferentes ambientes da casa podem
ter usos variados; e chamar as crianças para a brincadeira.
- Use os materiais que você
possui, faça as adaptações necessárias, ajuste as propostas ao que é possível
na sua casa e reinvente as brincadeiras tradicionais, do tempo dos pais, tios,
avós e bisavós.
- Em algumas atividades, os
brincantes têm papéis definidos. Por exemplo, alguém precisa ser o pegador e os
demais, os fugitivos. Procure revezar esses papéis, isso aumenta a autonomia
das crianças e pode tornar a brincadeira mais divertida para todos. Contudo, o
ideal é que o adulto comece exercendo o papel de quem comanda a brincadeira até
que as crianças aprendam.
- As crianças gostam de repetir as
brincadeiras. Então, não se preocupe em oferecer sugestões novas todos os dias.
As brincadeiras podem ser repetidas enquanto estiverem interessando às
crianças. Às vezes, variar um pouco a forma de brincar mantém a curiosidade dos
pequenos.
- As mesmas brincadeiras podem ser
muito divertidas em diferentes idades. Contudo, a partir de determinada fase, a
criança terá mais condições de entender as propostas, desenvolvendo-as com mais
autonomia.
Brinquedos tradicionais com materiais reutilizáveis
Quem quiser produzir o próprio
brinquedo pode se inspirar na oficina de confecção de peteca e bilboquê, que
traz instruções para a confecção dos brinquedos tradicionais com materiais
reutilizáveis. As petecas são de origem indígena, já o bilboquê existe há mais de
500 anos no Brasil. A oficina pode ser assistida na página @museudainfanciaunesc.
Semana Mundial do Brincar
É uma grande mobilização para
sensibilizar a sociedade sobre a importância do brincar e a essência da
infância. Promovida pela Aliança pela Infância no Brasil, em parceria com
dezenas de outras organizações, seu objetivo geral é mostrar que o brincar é
fundamental para a construção de uma infância digna. Em 2021, o tema da SMB é
“Casinhas das Infâncias”, que busca valorizar o brincar de casinha, a casa e as
tradições de brincadeiras, cantigas e jogos lúdicos passados de geração em
geração. (Ag. Brasil)

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