De vez em quando, a generosidade e o carinho de alguns de vocês me deixam muito feliz e agradecido pelas palavras elogiosas depois de meu Comentário Semanal. Tenho feito qualquer esforço para preparar bem minha mensagem no desejo de que todos a entendam e tirem algum proveito.
Para hoje, eu gostaria de trazer uma reflexão
sobre o Dia do Trabalho, tantas vezes comemorado por aí, quando tive a alegria
de conviver no Pajeú. Era sempre uma oportunidade de colocar o povo na rua,
fazer um abrangente pronunciamento sobre a realidade do trabalhador,
conclamá-lo à participação e alegrá-lo com algumas músicas conscientizadoras de
sua responsabilidade junto à classe social a que pertencesse. Éramos embalados
pela M. P. B. de Protesto, pela presença de compositores e cantores que
abordavam a nossa realidade social e nos transmitiam uma mensagem de esperança.
Todos os males seriam evitados e corrigidos se nos uníssemos em nosso sindicato
de classe, em nossas C.E.Bs, em nossas Equipes de Fé e Política ou em nossos
partidos políticos, fundamentalmente representativos da classe trabalhadora.
Àquela época, já dizíamos que o Dia do Trabalho ainda não era um Dia de Festa. Iríamos
chegar a isto. Dependia de grande evolução em nossa mente e no nosso modo de fazer
política, escolhendo nossos melhores representantes, isto é, cuidando muito para
que a escolha destes, coincidisse com o que entendíamos sobre o que fosse bem
comum.
Hoje, ao procurar luzes ou sugestões que
justificassem meu Comentário, o Google me sugere o que eu já rejeitava quando
morava aí: ‘é um dia de festa’ ‘entrega
de brindes’ ‘sorteio de viagens’ ‘sorteio de eletrônicos’ ‘concurso cultural’ ‘promoção
de festa e passeios’ ‘campeonatos esportivos’ ‘gincanas’ ‘café da manhã’
‘almoço’ ‘jantar’ ou outras maneiras de enganar trabalhadores que em nada
iriam melhorar seu salário, garantir-lhe uma aposentadoria digna ou mudar sua
vida para bem melhor. Aí eu fiquei pensando: se há 20/40 anos a gente esperava uma mudança de mentalidade, a
escolha de representantes políticos que quisessem mais o bem comum do que a
promoção pessoal o que dizer agora diante da situação nacional tão caótica, em
que governantes em todos os níveis nos enganam, descaradamente, colocando-nos
socialmente, muito aquém do que poderíamos imaginar?
Será que nossa “cegueira política” não está
tirando de nós a “conscienti-zação”
de que falávamos outrora, impregnando-nos agora de um moralismo devastador que
nos leva a esquecer o desemprego, a saúde, a desigualdade social, a educação e
outras necessidades básicas?
Que dizer da apropriação indébita do nome de
cristão, de predestinado ou de ungido, usando o nome de Deus em vão, com discursos
desprovidos de fundamentação científica, defendendo que a terra é plana ou
distorcendo o conceito de liberdade, autorizando a dirigir sem habilitação, sem
o uso de ‘cadeirinhas’ para bebê ou de radares para o controle de velocidade?
Será que tais irresponsabilidades ou afrouxamento de leis nos vão dar a
sensação de que “agora sou mais livre”?
Não seria isso, “populismo puro”?
Como são falsas as orientações de uma
democracia disfarçada! Imagine a privatização do sistema de segurança pública! Dizem:
“pelo menos diminuem gastos com forças
policiais ou com a ampliação de cadeias”. É só possibilitar a posse e porte de arma a cada cidadão de bem e o direito de atirar em
qualquer suspeito para diminuir a população de mais de 800 mil presos. Está
certo isso?
Se antes não podíamos festejar o Dia do
Trabalho, como poder agora?
Um governo que facilita a possibilidade de
maiores lucros para os grupos econômicos que lhe dão apoio, por exemplo: No
agronegócio, isentando-o de impostos, de multas, de submissão ao IBAMA,
permitindo o “trabalho análogo à
escravidão”, o desmatamento e invasão de terras indígenas, as queimadas que
destroem toda a flora nativa composta de imensas árvores, apoderam-se das riquezas
ali contidas, destroem todo o pantanal com sua fauna, como comemorar o Dia do
Trabalho com tanta fumaça e com tantas vidas perdidas?
O mundo todo tem suas atenções voltadas para o
Brasil - antes e depois da Cúpula dos líderes sobre o Clima – em que nosso país
participou, deixando uma impressão de muito descrédito na Comunidade Internacional.
É claro, o mundo já conhece a postura do Governo Brasileiro e com relação ao
meio ambiente e a tudo que tem feito (ou não tem feito) desde o início da
gestão. A distância entre o discurso na Cúpula e a prática de nosso (des)governante
ficou clara logo no outro dia. Depois da promessa de duplicar os recursos para
a Fiscalização Ambiental e para a Erradicação do Desmatamento Ilegal no Brasil,
até 2030, no outro dia o Presidente cortou, do orçamento de 2021, cerca de
R$240.000.000 que iriam para o Ministério do Meio Ambiente. Isto é só um exemplo
concreto e atual, que todo mundo viu, de que festa pelo Dia do Trabalho não
está em nossos planos por enquanto. E com essa Pandemia fatal, pior ainda.
É tão fatal que o Mundo tem cerca 148 milhões de infectados. Três milhões e 120 mil mortos. No Brasil são 14 milhões e ½ de infectados. 392.300 mortos. Mais de 14% de desempregados, cerca de 14,5 milhões. Tem ainda 34 milhões na informalidade: fazendo bico e 06 milhões de desalentados. É mole?
Infelizmente, não temos dados atualizados e a
pesquisa feita a cada 10 anos pelo IBGE não foi realizada em 2020 e nem vai ser
em 2021 por falta de verba. O Governo não tem dinheiro para pagar o trabalho de
levantamento.
Será que se pode festejar o Dia do Trabalho
numa situação tão caótica como esta? – Para tentar responder a esta indagação,
está me chegando uma luz, vinda dos EEUU, nesses dias do mês de abril, em que o
Policial Americano – Derek Chauvin foi julgado pelo Tribunal de Justiça por ter
matado, por asfixia, o negro George Floyd, que implorava: “não posso respirar”.
Mesmo assim, sufocado, o policial não aliviou. Deixou-o deitado no chão, joelho
no pescoço e o matou. Será que dá pra gente respirar no sufoco em que estamos?
Eu dizia no sábado passado, comentando a mensagem da CNBB que “não querem superar a desigualdade social do
país: os privilegiados, que têm muitos bens, riqueza sobrando e não se vão
preocupar com o bem-estar dos mais pobres”. A essa elite, o governo atual
dá privilégios, isenta de impostos, de multas e facilita a destruição da fauna
pantaneira e da flora amazônica. Como os mais pobres vão poder fazer festa no
Dia do Trabalho se está tão difícil trabalhar? Se não têm uma carteira assinada
e não terão uma aposentadoria? Será que dá pra respirar? Vão morrer ‘sufocados’
como morreu George Floyd.
O Rei do Baião, Luís Gonzaga em parceria com
Agnaldo Batista, em 1989 compuseram o Xote Ecológico e, antevendo George Floyd
cantavam: “não posso respirar, não posso
mais nadar/ a terra está morrendo, não dá mais pra plantar/ e se plantar não nasce,
se nascer não dá/ até pinga da boa é difícil de encontrar”. Sou
apartidário, mas não sou apolítico. Posso até não ver, mas confio no que sempre
esperei: um dia nos libertaremos de tudo o que nos
oprime. O sol da esperança brilhará e o Dia do Trabalho será celebrado.
Viva o Dia do Trabalhador, livre e independente! Organizem-se. Acreditem na
união. A Pandemia Política também passará. Obrigado e tenham todos um bom dia!
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