Com a premiação, a pesquisa entrou na fase de coleta de
dados e tem o apoio de diversas instituições cearenses, dentre elas a
Universidade Estadual do Ceará (Uece), por meio do Programa de Pós-Graduação em
Geografia.
Moradora de
Maracanaú, cidade da região metropolitana de Fortaleza, e egressa da rede
pública estadual de ensino, Sharon cursou graduação e mestrado na Uece. Em
2018, a pesquisadora iniciou o projeto de doutorado na Universidade Federal
Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, em cotutela com a University of Victoria,
no Canadá – país onde reside atualmente.
A pesquisa
Ao levar para o
doutorado no exterior questionamentos que também falam sobre sua própria
trajetória, Sharon abriu possibilidades para olhar a realidade de milhões de
brasileiros e, a partir disso, contribuir para a elaboração de políticas
públicas eficazes. “A principal questão do projeto antes da pandemia era: quais
são os desafios ou como está o cotidiano dessas famílias vivendo ou não em
situação de precariedade habitacional ou vivendo em grande conjuntos de
habitação de interesse social; quais lições nós podemos aprender a partir dos
cotidianos dessas famílias para desenvolver novas políticas públicas e projetos
que atendam suas necessidades; quais possíveis sugestões podemos deixar como
legado para o desenvolvimento de novas políticas urbanas e habitacionais”,
lembra.
Até 2020, o
projeto de pesquisa em desenvolvimento não incluía questões sobre os impactos
de uma pandemia. “Habitação se coloca como vital para proteção contra o momento
pandêmico. Então, o foco do projeto foi reformulado para tentar compreender o
cotidiano, desafios e problemas vivenciados por famílias em situação de
inadequação habitacional e em grandes conjuntos habitacionais no contexto da
pandemia da Covid-19”.
A pesquisadora
explica que o foco territorial da pesquisa também precisou ser alterado. “O
recorte era Fortaleza e região metropolitana. Especificamente Fortaleza,
Capital, e Maracanaú, que é onde eu cresci, num conjunto habitacional também.
Então, o foco territorial do projeto antes da pandemia seriam essas duas
cidades. Com a chegada da pandemia e, também, com o aporte de mais recursos e,
até mesmo, mudando para fazer grande parte da pesquisa online, nós conseguimos
ampliar o território para olhar, especificamente, para o Estado do Ceará,
focando em Fortaleza e toda região metropolitana, mas, também, dialogando e
adicionando dados de todo o Nordeste”, detalha.
Assim, a pesquisa,
intitulada Insegurança à moradia e direitos à moradia de minorias em
tempos de financeirização e Covid-19: Lições de comunidades pobres do Nordeste
do Brasil, pretende auxiliar no avanço do conhecimento na área de
estudos urbanos, política habitacional, desenvolvimento habitacional,
governança inclusiva e saúde pública.
Fortalecimento e parceria
Sharon diz que
conquistar a premiação internacional foi fundamental para fortalecer a
pesquisa, pois o recurso financeiro permitiu que a coleta de dados qualitativos
e quantitativos pudesse ser feita de forma mais colaborativa, participativa e
segura, com equipe, softwares, site e serviço de hospedagem. “Eu passei de ser
uma pesquisadora com uma bolsa individual que faria o trabalho de campo de
forma individual, e teria condições humanas de pesquisa de chegar num
determinado público menor, para que eu tivesse acesso a mais tecnologias e uma
equipe de assistentes de pesquisa, para que a gente possa chegar naquelas
pessoas que têm menos acesso à tecnologia”.
Sobre o apoio das
instituições, ela afirma que tem sido muito importante para a atual fase. “Eu
brinco que meu laboratório é a rua, mas a população não é objeto que eu possa
simplesmente chegar e coletar seu dado. Então, essa parceria institucional nos
fortalece no sentido de promover a pesquisa, de nós termos um grupo de
pesquisadores e professores que me apoiam. A gente troca muita informação
conjuntamente, apoiando outros estudantes também. Essa é a primeira parceria
com a Uece”.
Com o recurso do
prêmio, também foi possível fechar parceria com o projeto Ser Ponte Fortaleza,
possibilitando bolsas de pesquisa para seis agentes comunitários colaborarem na
coleta de dados. Os agentes, nomeados por Sharon como pesquisadores
comunitários, levam o questionário online para as pessoas que vivem em
comunidades de difícil acesso no contexto pandêmico. “Com o Projeto Ser Ponte
Fortaleza, que nasceu da iniciativa baseada na solidariedade de levar renda e
alimentação para mulheres chefes de família, que ficam muito invisíveis na
periferia urbana de Fortaleza, conseguimos patrocinar materiais de proteção
individual para os agentes territoriais do projeto, como máscara e álcool em
gel”, ressalta.
Sharon destaca o
valor do saber e vivência que os pesquisadores comunitários possuem. “São
pessoas com extremo saber sobre suas comunidades, sobre a realidade social,
urbana e populacional, mas estão fora da universidade. O que não significa que
eles não possam vir a ser bolsistas e parceiros dos pesquisadores”, reconhece.
Participe
O questionário da
pesquisa Habitação & Covid-19 No Brasil pode ser acessado no site habitacaocovidbrasil.com
Para participar é
necessário ter idade de pelo menos 19 anos e residir no Brasil.
(Gov. CE)

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