sábado, 12 de fevereiro de 2022

DE OLHO NA LÍNGUA - Prof. Antônio da Costa (Do Jornal Correio da Semana - Sobral-CE - Sábado 12.02.22)


Reverter o quadro

A frase em epígrafe está na moda. Médicos, economistas, tecnocratas de todas as áreas e principalmente cronistas esportivos estão a inventar uma língua própria: A asinina. Entre tantas asnices que se notam em linguagem desses profissionais, salienta-se o emprego do verbo “reverter” por “inverter”: É preciso reverter o quadro da economia brasileira (Em vez de: É preciso inverter o quadro da economia brasileira); O prefeito não soube reverter o escândalo a seu favor (Em vez de: O prefeito não soube inverter...); A reversão desse quadro é difícil (Em vez de: A inversão desse quadro é difícil). 

Matar / Assassinar

Convém não confundir.  Matar é dar (intencionalmente ou não) a morte a alguém; é tirar (propositadamente ou não) a vida de alguém. Assassinar é matar à traição ou levando enorme vantagem sobre a vítima. Pode alguém matar sem assassinar. Quem assassina, contudo, sempre mata. Os sequestradores assassinam; Um motorista, mesmo mais cuidadoso e experiente, pode matar: basta que alguém se atire à frente do seu veículo em alta velocidade ou mesmo havendo falha mecânica no veículo.

Repare que as placas de trânsito das nossas rodovias trazem: “Não corra, não mate, não morra”. Ao volante, os motoristas não assassinam, a não ser que manifestem intenção deliberada de fazê-lo. 

Travessa / Beco

Convém não confundir. TRAVESSA é a rua curta, estreita ou larga, transversal entre duas ou mais ruas principais. BECO é a rua curta, estreita, quase sem saída, imprópria para o trânsito de veículos. Pode ser apenas um elo entre vias maiores (Largo e rua, rua e praça). 

Obstacularizar e obstacular existem?

Não. Não existem tais formas verbais. O verbo é obstaculizar (criar obstáculo para): Os escândalos de corrupção obstaculizam o maior respeito à nação; Esse governo vai de tudo para obstaculizar as CPI´s que lhe podem trazer problemas.

“Ponto pacífico” ou “ponto passivo”?

O ponto é pacífico. E é pacífico porque sobre ele não há discussão, não há controvérsia, não há “guerra”. O adjetivo “pacífico” é relativo ao substantivo “paz” e pertence à mesma família de pacificar, pacificador, pacificamente, etc. 

Existir / haver

Com relação à concordância o verbo “existir” não é impessoal. Isto é, ele possuirá sujeito com o qual deverá estar concordando. Exs.: Existem cem pessoas interessadas na vaga; Devem existir ainda algumas pessoas interessada na vaga.

É importante notar que, quando empregamos o verbo haver no sentido de existir, ele é impessoal. Isto é, não possui sujeito, devendo, portanto, ficar na terceira pessoa do singular. Exs.: Havia quantas pessoas interessadas na vaga?; Deve haver ainda algumas formas de resolver o problema. 

Surpresa inesperada

Ganha um chocolate Sonho de Valsa quem encontrar uma surpresa inesperada, A surpresa é sempre inesperada. Daí porque o adjetivo sobra. Basta surpresa. 



(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Escreve esta Coluna toda terça-feira. Contatos: (88) 99373-7724.

 

 

 

 

 

DE OLHO NA LÍNGUA – 12.02.22

Prof. Antônio da Costa

 

Reverter o quadro

A frase em epígrafe está na moda. Médicos, economistas, tecnocratas de todas as áreas e principalmente cronistas esportivos estão a inventar uma língua própria: A asinina. Entre tantas asnices que se notam em linguagem desses profissionais, salienta-se o emprego do verbo “reverter” por “inverter”: É preciso reverter o quadro da economia brasileira (Em vez de: É preciso inverter o quadro da economia brasileira); O prefeito não soube reverter o escândalo a seu favor (Em vez de: O prefeito não soube inverter...); A reversão desse quadro é difícil (Em vez de: A inversão desse quadro é difícil).

 

Matar / Assassinar

Convém não confundir.  Matar é dar (intencionalmente ou não) a morte a alguém; é tirar (propositadamente ou não) a vida de alguém. Assassinar é matar à traição ou levando enorme vantagem sobre a vítima. Pode alguém matar sem assassinar. Quem assassina, contudo, sempre mata. Os sequestradores assassinam; Um motorista, mesmo mais cuidadoso e experiente, pode matar: basta que alguém se atire à frente do seu veículo em alta velocidade ou mesmo havendo falha mecânica no veículo.

Repare que as placas de trânsito das nossas rodovias trazem: “Não corra, não mate, não morra”. Ao volante, os motoristas não assassinam, a não ser que manifestem intenção deliberada de fazê-lo.

 

Travessa / Beco

Convém não confundir. TRAVESSA é a rua curta, estreita ou larga, transversal entre duas ou mais ruas principais. BECO é a rua curta, estreita, quase sem saída, imprópria para o trânsito de veículos. Pode ser apenas um elo entre vias maiores (Largo e rua, rua e praça).

 

Obstacularizar e obstacular existem?

Não. Não existem tais formas verbais. O verbo é obstaculizar (criar obstáculo para): Os escândalos de corrupção obstaculizam o maior respeito à nação; Esse governo vai de tudo para obstaculizar as CPI´s que lhe podem trazer problemas.

 

“Ponto pacífico” ou “ponto passivo”?

O ponto é pacífico. E é pacífico porque sobre ele não há discussão, não há controvérsia, não há “guerra”. O adjetivo “pacífico” é relativo ao substantivo “paz” e pertence à mesma família de pacificar, pacificador, pacificamente, etc.

 

Existir / haver

Com relação à concordância o verbo “existir” não é impessoal. Isto é, ele possuirá sujeito com o qual deverá estar concordando. Exs.: Existem cem pessoas interessadas na vaga; Devem existir ainda algumas pessoas interessada na vaga.

É importante notar que, quando empregamos o verbo haver no sentido de existir, ele é impessoal. Isto é, não possui sujeito, devendo, portanto, ficar na terceira pessoa do singular. Exs.: Havia quantas pessoas interessadas na vaga?; Deve haver ainda algumas formas de resolver o problema.

 

Surpresa inesperada

Ganha um chocolate Sonho de Valsa quem encontrar uma surpresa inesperada, A surpresa é sempre inesperada. Daí porque o adjetivo sobra. Basta surpresa.

 

 

(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Escreve esta Coluna toda terça-feira. Contatos: (88) 99373-7724.

 

 

 

 

 

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