“Estamos
recuperando a confiança do cidadão, mas queremos ampliar nosso alcance, de
forma que o grau de escolaridade não seja um fator de impedimento para o idoso
fazer uma denúncia. Pensamos em utilizar agentes de saúde, que têm conhecimento
do território onde atuam, e criar também pontos de contato nos espaços que
essas pessoas frequentam, criando uma rede de proteção amigável. Nem sempre
elas têm acesso a um aparelho para ligar”, afirmou.
Criado em 1997, durante o
governo Jair Bolsonaro o Disque 100 foi utilizado politicamente para intimidar
defensores da vacinação contra a Covid. A então ministra Damares Alves editou
nota técnica transformando a exigência de comprovante de vacina para acesso a
locais públicos ou privados em violação de direitos humanos. Outra mudança foi
a inclusão da expressão “ideologia de gênero” na mesma categoria, numa
tentativa de estimular denúncias contra profissionais de educação que
abordassem a questão nas escolas. Na época, Ricardo Lewandowski, ministro do
Supremo Tribunal Federal, determinou que o governo parasse de usar o canal fora
de suas finalidades.
Numa única ligação para o Disque
100, o sistema pode contabilizar mais de uma violação. Exemplificando, se uma
mulher telefona dizendo que o marido bate nela, agride o próprio pai e ainda se
apropria do dinheiro da sua aposentadoria, na verdade há três violações, duas
delas envolvendo um idoso. Com garantia de sigilo total, há diversos tipos de
encaminhamento para os casos: conselhos tutelares, Ministério Público, delegacias
da Polícia Civil, Polícia Federal. No entanto, se houver risco imediato, a
pessoa deve entrar em contato imediatamente com a polícia. Entre janeiro e
março, as mais de 202 mil violações de direitos foram registradas a partir de
34,2 mil denúncias, 75% a mais em relação aos três primeiros meses de 2022,
período em que a ouvidoria recebeu 19,5 mil denúncias.
O maior
número se refere a violações à integridade do idoso, divididas em quatro
categorias: física (que vai de exposição de risco à saúde a lesão corporal e
tortura), psíquica (insubsistência afetiva, ameaça e bullying, entre outras),
negligência e patrimonial.
O Disque
100 funciona diariamente, 24 horas por dia. A vítima passa pelo atendimento
eletrônico e, depois de selecionar a opção desejada, é encaminhada a um
atendente, que registra a denúncia e fornece o número do protocolo. O painel de dados apresenta
todas as informações coletadas pelo serviço.
O secretário Alexandre Silva pretende anunciar uma série de medidas em 15 de junho, Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. Ele considera uma prioridade que os mais velhos conheçam os benefícios a que têm direito e enfatiza que a reativação do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa possibilitará que o órgão invista na pauta da diversidade. “Falta ainda a ratificação da Convenção Interamericana sobre a Proteção dos Direitos Humanos dos Idosos, que vai ajudar na criação de políticas públicas nessa área”, acrescentou.
(g1)

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