Realizada no
Brasil a cada quatro anos desde 2000, a Marcha é a maior ação protagonizada por
mulheres da América Latina. Em 2023, ela volta às ruas pela sétima vez nos
dias 15 e 16 de agosto. A organização espera reunir 100 mil trabalhadoras do
campo na capital federal.
A campanha
pretende arrecadar 30 mil reais nos próximos dois meses, valor que será
usado para custeio da manifestação, inclusive o deslocamento das
camponesas com origem em todas as regiões do país. Doações podem ser feitas no
site www.benfeitoria.com/marchadasmargaridas2023.
Mazé Morais,
coordenadora da Marcha, afirma que a singularidade da manifestação este ano
está no encontro com diversos outros movimentos, que estão presentes na
reconstrução do país após o desmonte das políticas públicas observados a partir
de 2016.
"Levaremos às
ruas a força da nossa luta coletiva para mostrar que somos fundamentais
para definir um projeto de sociedade para o Brasil. Um projeto que recupere e
reconstrua a democracia, que reverta os retrocessos dos últimos anos e que
reoriente a economia para a sustentabilidade da vida, colocando o Estado e as
políticas públicas a serviço da construção da justiça social, abrindo caminho
para a sociedade do amor, do bem-viver e do envolvimento."
Segundo ela, as
mulheres do campo "sentiram na pele" as consequências do aumento de
problemas como a grilagem de terra, o garimpo ilegal, a destruição ambiental,
o uso de agrotóxicos, a violência, o machismo, a fome e o desemprego.
"Tudo isso
nos colocou numa situação de total emergência: social, econômica, climática,
sanitária, ecológica, civilizatória, sob um pano de fundo no qual as
desigualdades de renda e de raça tornaram-se ainda mais marcadas. Porém, nunca
deixaremos de lutar."
O lema da
manifestação em 2023, Margaridas em Marcha pela
Reconstrução do Brasil e pelo Bem Viver, nasceu da percepção de que,
a partir da eleição de um governo democrático popular, seria necessário atuar
para reverter os prejuízos causados pelo gestão conservadora entre 2019 e
2022.
No documento de apresentação
da ação marcada para agosto, a retomada de políticas
públicas para a agricultura familiar, especialmente para as mulheres do campo,
é colocada como compromisso inegociável.
“As mulheres,
notadamente, as mulheres negras, trabalhadoras, do campo, da floresta e das
águas têm vivenciado os efeitos danosos da ausência dessas políticas no seu
cotidiano. E isso significa que direitos lhes foram negados, assim como foram
negadas existências e possibilidades do cuidado, proteção e segurança”, diz o
texto.
História
O nome da marcha é
inspirado na mulher que se tornou símbolo da luta pela igualdade de
direitos para as mulheres do campo, Margarida Maria Alves. Na década de
1980 ela se destacou como liderança no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de
Alagoa Grande, na Paraíba.
Combativa, a
camponesa exigia direitos trabalhistas e denunciava as longas
jornadas, a baixa remuneração e o trabalho infantil. Também foi responsável
pela implementação de um programa de alfabetização para adultos no
sindicato.
Ao longo de sua
trajetória na luta por direitos de trabalhadoras e trabalhadores, a
ativista foi alvo de diversas ameaças de latifundiários e feitores. Em 12
de agosto de 1983, ela foi executada com um tiro na cabeça na frente do marido
e do filho.
As investigações
apontaram que os autores do crime eram ligados ao Grupo Várzea, que
reunia proprietários rurais, políticos e servidores públicos. Segundo o
Ministério Público, o assassinato da sindicalista envolveu fazendeiros,
usineiros, pistoleiros e um policial militar, mas ninguém foi condenado.
(Brasil de Fato)

Nenhum comentário:
Postar um comentário