“Ela tem uma certa peculiaridade, porque
não foi tomada em uma ADPF, que discutiria a constitucionalidade ou não de uma
lei. O ministro Alexandre de Moraes suspendeu individualmente a possível
extinção de pena de uma pessoa específica que foi condenada por participar dos
atos de 8 de Janeiro. A decisão se dá na execução penal de um caso concreto.
Ela não foi suspensa de uma maneira geral para o país”, afirma ao Conexão BdF,
da Rádio
Brasil de Fato.
Telesca
explica que, agora, o que estará em jogo no STF é analisar a
constitucionalidade de uma lei que altera a Lei de execuções penais. Para ele,
a dosimetria é inconstitucional. “Existe uma usurpação do poder julgador [na
lei]. O que o PL, que agora é lei, fez? Ele não alterou o tipo penal. Ele fez
mudanças em dispositivos no Código de Processo Penal [CPP] e na Lei de Execução
Penal que tratam de dosimetria, por isso o nome. Uma das mudanças se dá na
questão do concurso formal e concurso material, que vou explicar aqui: concurso
material é quando se somam as penas dos crimes. Ou seja, uma pessoa foi
condenada a um crime de 10, depois 12, somam-se os dois. O Congresso fez uma
mexida dentro do CPP que determina ao juiz que aplique, nesse caso específico,
uma parcela da pena. Nesse caso são os crimes do golpe de Estado e tentativa de
abolição do Estado democrático de direito. O Congresso não pode fazer isso.
Isso é uma prerrogativa do poder Judiciário”, argumenta.
“A
outra questão de inconstitucionalidade é a quebra do princípio de
impessoalidade. A lei deve ser genérica, aplicada a todos, de forma não
exclusiva a um grupo de pessoas. Essa lei foi feita pensando em um grupo de
pessoas que atentou contra o Estado”, avalia.
A
questão da inconstitucionalidade da Lei da Dosimetria já havia sido declarada
por Alexandre de Moraes quando o PL foi apresentado. Mas o cenário mudou por
completo e há um novo elemento no tabuleiro: o escândalo do Banco Master e a
possível relação de alguns ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Max
Telesca ressalta que é muito difícil saber o que vai acontecer no julgamento do
STF, destaca que a decisão de Moraes nada tem de ligação com qualquer tendência
de um possível veto a lei e avalia que o caráter político que a Corte assumiu
nas últimas décadas pode influenciar a decisão final.
“Infelizmente,
o que aconteceu nos últimos anos é que o STF ganhou um protagonismo político
que ao meu ver nao deveria, isso para o bem e para o mal. Todo ato de julgar é
político, acontece que ao longo dos últimos 25, 28 anos, o STF foi ganhando um
protagonismo político, ali no final do governo de Fernando Henrique Cardoso. O
Lula não tinha ganhado ainda e a oposição era muito feita dentro do STF. A
Corte foi ingressando em vácuos dos poderes Executivo e Legislativo. Esse
fenômeno traz o bom e o ruim. Tem consigo aquilo que vai ser de positivo no
sentido de fazer uma leitura contra-majoritária, de garantir as políticas
públicas que muitas vezes o Executivo não consegue implementar. Mas com isso
vem também o lado ruim que é a ambiência política que tem em Brasília”, aponta.
(Brasil
de Fato)

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