A taxa representa ainda alta de 0,4 p.p. na
comparação com o período entre novembro de 2025 a janeiro de 2026.
“Tem um mercado que gera trabalho e renda e
consegue manter-se sustentado porque há uma diversificação da produção. Hoje,
não é só o setor público que contrata e nem só o setor privado. Esse
espalhamento e essa difusão ajudam nessa resiliência do mercado de trabalho”,
explicou a coordenadora.
Para Adriana Beringuy, o mercado de trabalho
estaria mais vulnerável e sujeito a flutuações e com baixa sustentabilidade
caso a procura por trabalhadores estivesse restrita, por exemplo, apenas ao
comércio ou ao segmento informal.
“Na medida em que consegue ter vários setores
demandando trabalhadores, isso dá sustentabilidade ao mercado de trabalho. Isso
ajuda a amortecer determinados efeitos até do ponto de vista macroeconômico,
que é a questão das taxas de juros”, disse.
Segundo a pesquisa, o rendimento real habitual de
todos os trabalhos chegou a R$ 3.732, o que significa estabilidade no trimestre
e crescimento de 5,3% no ano.
A massa de rendimento real habitual atingiu R$ 377
bilhões, se mantendo estável no trimestre e com aumento de 6,5% ou mais R$ 22,9
bilhões no ano.
No cenário de taxas de juros maiores, a
coordenadora destacou a importância da manutenção dos trabalhadores no mercado,
ainda mais em um momento de elevação no rendimento, conforme vem ocorrendo.
“Mesmo diante desse rendimento crescente, as
pessoas precisam estar imbuídas no mercado de trabalho para dar conta do
consumo. Com taxas de juros elevadas, o consumo fica mais caro”, pontuou.
“Mesmo com o rendimento elevado, muito em função de
controle inflacionário ou pela política de valorização do salário mínimo, que
traz rendimento maior para algumas atividades mais elementares, ainda assim é
necessário manter um bom nível de ocupação. Haja vista que a manutenção do
consumo torna-se cada vez mais custosa dado essa taxa de juros”, avalia.
Adriana Beringuy destacou a importância de ter
um mercado de trabalho que reaja à questão
dos chamados efeitos adversos, como a taxa de juros, e ainda com
sustentabilidade.
“É de fato um momento bastante interessante que a
gente está vivendo, que a despeito dessas variáveis macroeconômicas nem tão
favoráveis, ainda assim, o mercado se mantém, tanto do ponto de vista quantitativo,
em que a gente vê uma população ocupada bem significativa, e também nos ganhos
de rendimento do trabalhador”, observou.
De acordo com a coordenadora, os efeitos da guerra
no Oriente Médio ainda não se refletiram no mercado de trabalho.
“A gente vê mais [o efeito da guerra] na
variação de preços do combustível, mas isso se converte em efeito no mercado de
trabalho, e a princípio, nesse momento, creio que não seria ainda perceptível”,
comentou.
Carteira assinada
Os resultados da PNAD-Contínua mensal de abril
deste ano indicaram ainda que o número de empregados no setor privado com
carteira assinada, excluídos os trabalhadores domésticos, atingiu 39,3 milhões.
Esse patamar significa estabilidade em comparação
ao trimestre anterior e ao mesmo trimestre de 2025.
Os sem carteira assinada no setor privado somaram
13,3 milhões e também ficaram estáveis no trimestre e no ano.
Outra estabilidade registrada no mercado de
trabalho é a do número de empregados no setor público. São 12,9 milhões no
trimestre, mas houve expansão de 3,4% ou mais 422 mil pessoas no ano.
O número de trabalhadores por conta própria (26
milhões) também ficou estável no trimestre, embora tenha apresentado elevação
de 2,3%, ou seja, mais 580 mil pessoas no ano.
Ainda no trimestre, os trabalhadores domésticos chegaram a 5,4 milhões, o que também é estabilidade no período. Mas, no ano, o número mostrou queda de 4,7%, ou menos 268 mil pessoas.
A população fora da força de trabalho, hoje 66,5 milhões, mostrou estabilidade em relação ao trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026. Frente ao mesmo trimestre do ano anterior, houve expansão de 1,6%, um acréscimo de 1,1 milhão de pessoas.
A população desalentada, calculada em 2,6 milhões
de pessoas, ficou estável no trimestre e teve redução de 15,3%, menos 464 mil
pessoas no ano.
O percentual de desalentados (2,3%) também mostrou
estabilidade no trimestre (2,4%) e recuou 0,4 p.p. no ano (2,7%).
A PNAD Contínua é a principal pesquisa sobre a força de trabalho do Brasil. “Sua amostra
abrange 211 mil domicílios, espalhados por 3.500 municípios, que são visitados
a cada trimestre. Cerca de 2 mil entrevistadores trabalham nessa pesquisa,
integrados às mais de 500 agências do IBGE em todo o país”, informou a
pesquisadora.
(Brasil de Fato)

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