O MapBiomas alerta que, apesar da
redução no desmatamento no ano passado, a área desmatada no Brasil chegou à
média de 2.698 hectares por dia, cerca de 112 hectares por hora.
“É como se 17
parques do Ibirapuera - o maior parque urbano da cidade de São Paulo - fossem
desmatados todos os dias”, comparou a entidade, em nota.
Nos
últimos sete anos, série histórica do MapBiomas Alerta, o Brasil perdeu mais de
10,9 milhões de hectares de vegetação nativa, área superior à do estado de
Pernambuco.
A Amazônia e o Cerrado foram os
biomas mais desmatados em 2025. Juntos, os dois biomas responderam
por mais de 84% de toda a área desmatada no país no ano.
O
Cerrado concentrou sozinho 54,9% do desmatamento do país, um total de 540.614
hectares, apesar da queda de 16,9% em relação a 2024. O bioma perdeu 1.482
hectares de vegetação nativa diariamente.
Na
Amazônia, foram desmatados 289.478 hectares em 2025, uma redução de 23,5%
frente ao ano anterior. O desmatamento no bioma
foi de 792 hectares por dia, o que equivale à perda de cerca de
5 árvores por segundo, segundo análise do MapBiomas.
O
levantamento mostrou que as formações savânicas lideram o tipo de vegetação
nativa mais ameaçada. Pelo terceiro ano consecutivo, foram as mais afetadas
pelo desmatamento no Brasil, respondendo por 51,4% da área total desmatada,
seguidas das formações florestais, com 46,3%.
Na Amazônia e Mata Atlântica
predominou o desmatamento em formações florestais, enquanto nos
biomas Cerrado, Caatinga e Pantanal, o predomínio foi de supressão das
formações savânicas.
Estados
A
região conhecida como Matopiba, que reúne os estados do Maranhão, Tocantins,
Piauí, Bahia e Mato Grosso, concentra mais de 63% do desmatamento entre os
estados. São as cinco unidades federativas com maior
área desmatada em 2025.
No
acumulado de 2019 a 2025, o Pará é o estado com maior área desmatada, com mais
de 2 milhões de hectares de vegetação nativa perdidos no período. No entanto,
em 2025, o estado registrou queda de 40% em relação ao ano anterior.
Entre os estados com maiores
reduções absolutas, Maranhão, Pará e Tocantins registraram queda superior a 50
mil hectares de área desmatada. Sergipe e Alagoas reduziram mais de
60% em relação ao ano anterior.
Expansão
agropecuária
O
desmatamento associado à expansão da agropecuária responde por mais de 97% de
toda a perda de vegetação nativa no Brasil nos últimos sete anos, apontou o
MapBiomas.
Esse vetor de pressão responde
por 99% da vegetação nativa perdida no Brasil em 2025.
Além
disso, no último ano, 99% da área desmatada associada ao garimpo estava
concentrada na Amazônia, com maior incidência no Pará. Já os desmatamentos
relacionados a empreendimentos de energia renovável estiveram concentrados na
Caatinga, que respondeu por 97% da área desmatada associada a esse vetor.
Os desmatamentos associados à
expansão urbana apresentaram aumento de 7% em relação a 2024 e concentraram-se
principalmente no Cerrado e na Amazônia, que juntos responderam por mais
de 60% da área de vegetação nativa perdida vinculadas às áreas
urbanizadas.
Municípios
Mais da
metade dos 5.572 municípios brasileiros (2.932) tiveram pelo menos um evento de
desmatamento detectado e validado em 2025. O município de Canto do Buriti, no
Piauí, lidera o ranking de maior área desmatada pela primeira vez na série
histórica, com 20.877 hectares desmatados.
Localizado
no bioma da Caatinga, Canto do Buriti também apresentou o maior evento de
desmatamento detectado em 2025, com 20.834 hectares desmatados. A média diária de desmatamento neste município foi de 57,2 hectares,
o equivalente a cerca de 80 campos de futebol por dia.
Os dez
municípios com maior área desmatada responderam juntos por 15% do total do
desmatamento validado no país, sendo que oito desses municípios estão
localizados no Matopiba. Só essa região concentra 40% da perda de vegetação
nativa do país e 70% do desmatamento registrado no Cerrado.
Áreas de proteção
As
Unidades de Conservação (UCs) e Terras Indígenas são as áreas mais preservadas,
segundo análise do MapBiomas. Ainda assim, dentro de UCs, foram desmatados
46.257 hectares em 2025, redução de 21,4% em relação ao ano anterior.
Dentro
das unidades de conservação, as UCs de Proteção Integral (federais, estaduais e
municipais) - modalidade com maior grau de preservação - registraram queda de
55,8%, com 2.034 hectares desmatados.
O
Cerrado responde por 43,5% do desmatamento em UCs, sendo 97% desta área
localizada em Áreas de Proteção Ambiental (APAs), que é uma das formas de uso
sustentável - com objetivo de conciliar ocupação humana e sustentabilidade dos
recursos naturais - localizada dentro de unidades de conservação.
A
APA do Rio Preto, na Bahia, com grande parte de seu território no Cerrado, foi
a UC com maior área desmatada (7.701 hectares) no Brasil em 2025, com aumento
de 44% em relação a 2024.
Em Terras Indígenas, a perda foi
de 12.593 hectares, com redução de 22% em relação a 2024. A Terra
Indígena Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, permanece pelo terceiro
ano consecutivo no topo do ranking (com 4.089 ha desmatados), apesar de ter registrado
queda de 34% na área desmatada.
Em
2025, 30% das TIs do Brasil registraram ao menos um evento de desmatamento.
Entre 2019 e 2025, a parcela de 1,7% (184.622 hectares) do total de terras
desmatadas no Brasil estavam em Terras Indígenas.
(Brasil
de Fato)



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