quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Filhos de fumantes têm mais chance de desenvolver leucemia


Para quase todo filho o pai, seja como for, geralmente é o protótipo do seu herói. A figura paterna também se constitui num modelo ideal e cedo é eleita disparada como a pessoa em quem primeiramente a criança se espelhará, passando a imitá-la na sua formação. E, de forma menos intensa, dando continuidade no decorrer de toda sua vida.

Um exemplo clássico são os milhões de fumantes inveterados de hoje que, quando crianças, achavam lindo ver seu pai (mãe) constantemente de cigarro no bico, dando "tragadas" quase intermináveis. Nesses pequenos ficava impregnada a falsa sensação de que aquilo seria o máximo de prazer. Diferentemente do que pensavam estavam também sendo arrastava para o vício mortífero dos pais e a maioria tornou-se dependente da nicotina. Pior ainda: desde feto já eram vítimas do cigarro, conforme atualmente a ciência atesta. Um recente estudo até aponta associação entre tabagismo paterno e tumor: hábito aumenta risco em 15%. Se você é fumante leia atentamente a matéria abaixo, publicada pela agência Reuters. Se vai ser ou já é pai, redobre a atenção.
Filhos de pais que fumam no momento da fecundação têm pelo menos 15% mais chances de desenvolver algum tipo de leucemia, o tipo mais comum de câncer infantil, revela um novo estudo australiano. Ainda que os resultados, publicados no American Journal of Epidemiology, apontem vários fatores relacionados à leucemia linfoblástica aguda, o novo estudo confirma os dados de outros estudos, que mostram maior risco entre os filhos de fumantes. "Os resultados do estudo sugerem que o tabagismo paterno no momento da concepção é um fator de risco para LLA infantil", dizem os autores, liderados por Elizabeth Milne, do Instituto para a Investigação da Saúde Infantil Telethon, na Austrália. Ainda que a LLA seja o câncer pediátrico mais comum, é uma condição rara que afeta entre três e cinco crianças a cada cem mil.

Os especialistas entrevistaram famílias de quase 300 crianças com LLA, e fizeram perguntas sobre hábitos de vida dos pais. A equipe comparou esses dados com informações de mais de 800 crianças com idades similares, mas que não tinham tumores. O tabagismo materno não teve impacto no risco de desenvolver câncer, mas quando os pais eram fumantes o risco aumentou em 15%. As crianças filhos de pais que fumavam pelo menos 20 cigarros diários na época da fecundação tinham um risco 44% maior de ser diagnosticados com a doença. Os autores também encontraram seis estudos mostrando essa associação. "A importância da exposição ao tabaco e os tumores infantis tem sido negligenciada", diz Patricia Buffler, da University of California, uma das autoras.

Ela acrescenta que, considerando que o tabaco está cheio de toxinas, incluindo substâncias cancerígenas, não seria estranho pensar que possa haver dano às células produtoras de sêmen. Milne assinala: "O sêmen que possui danos no DNA ainda pode fecundar um óvulo, o que poderia levar à doença nos filhos." No entanto, Milne acrescenta que o estudo não prova que o dano no DNA dos espermatozoides causa LLA em crianças, uma vez que a doença está relacionada a vários fatores. Outros fatores ambientais relacionados com mais risco de desenvolver leucemia está a radiação emitidas por raios-X e a exposição materna a pesticidas durante a gestação. 

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