Configurando-se numa verdadeira afronta à moralidade,
embora sob a chancela da lei, e numa flagrante zombaria à inteligência dos
brasileiros o paraense Jáder Barbalho já assume hoje o cargo de senador. E
mais: Com direito a um excelente presente natalino.
Insisto em afirmar que a condescendência das leis
brasileiras frequentemente propiciam a que infratores continuem impunes. Dessa
forma, fica aberto e convidativo o caminho para a reincidência dos veteranos na
corrupção. Os novatos, por sua vez, não se intimidam em também passar a
infringir as leis. Saiba mais sobre o
assunto na matéria abaixo, publicada hoje no jornal Folha de São Paulo.
Ao apressar a posse de Jader Barbalho (PMDB-PA),
a Mesa Diretora do Senado dará ao futuro parlamentar um pouco mais do que o
mandato barrado pela Lei da Ficha Limpa e recuperado no Supremo Tribunal
Federal (STF).
Com a solenidade marcada para hoje, em pleno período de recesso parlamentar, Jader deve embolsar uma ajuda de custo de R$ 26.723,13, além de R$ 3,3 mil relativos ao salário dos quatro dias em que trabalhará em dezembro. Somando esse montante ao salário de R$ 26.723,13 de janeiro — mês em que praticamente não há atividade no Congresso —, o senador deverá embolsar R$ 57.009,26, somente pelo fato de a posse não ser realizada em fevereiro, quando se inicia o novo ano legislativo.
Com a solenidade marcada para hoje, em pleno período de recesso parlamentar, Jader deve embolsar uma ajuda de custo de R$ 26.723,13, além de R$ 3,3 mil relativos ao salário dos quatro dias em que trabalhará em dezembro. Somando esse montante ao salário de R$ 26.723,13 de janeiro — mês em que praticamente não há atividade no Congresso —, o senador deverá embolsar R$ 57.009,26, somente pelo fato de a posse não ser realizada em fevereiro, quando se inicia o novo ano legislativo.
Jader Barbalho regressa ao Senado depois de quase
11 meses do início da Legislatura. Segundo candidato a senador mais votado no
Pará nas eleições de 2010, ele teve a candidatura rejeitada com base na Lei da
Ficha Limpa. Jader renunciou em 2001 ao seu mandato anterior de senador para
escapar de processo de cassação por conta do escândalo de desvio de recursos do
Banco do Estado do Pará (Banpará). O peemedebista, no entanto, acabou liberado
para assumir a vaga no Senado pelo Supremo com o voto de desempate do
presidente do STF, ministro Cezar Peluso, que usou pela primeira vez na Corte a
prerrogativa de votar duas vezes para desempatar uma decisão.
Para possibilitar o retorno antecipado de Jader
ao Congresso, a Mesa Diretora do Senado abre uma exceção no período de recesso
e se reúne para definir a saída da senadora Marinor Brito (PSOL-PA), que ocupa
a vaga que será repassada ao peemedebista. A pressa do Senado em empossar o
parlamentar é o foco da argumentação preparada pela defesa da senadora na
tentativa de impedir a perda do mandato de Marinor. “Há, aqui, um procedimento
claramente excepcional beneficiando o senhor Jader Barbalho”, diz o advogado do
PSol, André Maimoni.
De acordo com o advogado, o processo que deve
destituir Marinor Brito do mandato de senadora precisaria necessariamente
passar pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa (CCJ), antes de seguir
para a Mesa Diretora. “Não sabemos qual será o procedimento adotado para o
caso, a defesa da senadora foi muito prejudicada”, reclama Maimoni. “Na
prática, ela está perdendo o mandato em um rito sumário, o direito ao contraditório
foi bastante afetado.”
Os advogados da senadora ainda tentaram uma última cartada no Supremo para protelar a posse de Jader ao entrar com mandado de segurança pedindo o cancelamento da reunião da Mesa Diretora. Na ação, a defesa de Marinor argumentou que a reunião da Mesa fere a Constituição e o regimento interno do Senado ao ocorrer em meio ao recesso parlamentar, sem que a Casa tenha sido convocada extraordinariamente. Nesse entendimento, o Congresso funciona durante esse período apenas por meio de uma comissão representativa, constituída por deputados e senadores. A Mesa Diretora estaria vedada de funcionar dessa forma, e não poderia substituir a comissão formada para atuar apenas em casos considerados urgentes.
Os advogados da senadora ainda tentaram uma última cartada no Supremo para protelar a posse de Jader ao entrar com mandado de segurança pedindo o cancelamento da reunião da Mesa Diretora. Na ação, a defesa de Marinor argumentou que a reunião da Mesa fere a Constituição e o regimento interno do Senado ao ocorrer em meio ao recesso parlamentar, sem que a Casa tenha sido convocada extraordinariamente. Nesse entendimento, o Congresso funciona durante esse período apenas por meio de uma comissão representativa, constituída por deputados e senadores. A Mesa Diretora estaria vedada de funcionar dessa forma, e não poderia substituir a comissão formada para atuar apenas em casos considerados urgentes.
“Abriu-se uma exceção sem precedentes”, afirma o advogado do PSol. “A posse de senador, não estando vaga a cadeira e de modo regular havendo o exercício do mandato, é medida sem nenhuma urgência”, diz a ação apresentada ao STF. O vice-presidente do Supremo, ministro Carlos Ayres Britto, negou o pedido na noite de ontem. Uma decisão liminar favorável a Marinor impediria a reunião da Mesa Diretora e, em consequência, adiaria a posse de Jader Barbalho.
“A qualquer tempo” A Secretaria Especial de Comunicação Social do Senado argumenta que senadores têm o direito de tomar posse de seus mandatos “a qualquer tempo”. “Embora o Congresso esteja de recesso constitucional desde o dia 23, que se estende a 1º de fevereiro, a Mesa do Senado pode reunir-se, a qualquer tempo, para deliberar sobre assuntos de sua competência”, diz o comunicado da secretaria. Ainda de acordo com o órgão, ao menos 19 senadores tomaram posse de seus cargos durante o período de recesso parlamentar desde 2003.
Mesmo com a ofensiva no Judiciário, o clima ontem
no gabinete ocupado por Marinor Brito era de despedida. Funcionários de
carreira lotados no gabinete nº 49 da ala Tancredo Neves do Senado se
movimentavam para conseguir colocações em outros espaços da Casa. A maior parte
das mesas e armários já tinha sido esvaziada. “A orientação é fazer uma saída
discreta, sem espetáculo de caixas e carrinhos deixando as salas”, disse o
chefe de gabinete de Marinor, Fernando Leite. “Ela quer ser correta, ter uma
saída ficha limpa”, afirmou.

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