MAMÃE NÃO SE SEPARA DO PAPAI E DO BEBÊ
Você deve se lembrar
de que antes do “p” e do “b” deve ser
sempre usada a letra “m” e não a letra “n”. Assim, temos: Amparo, ambíguo,
bamba, campo, tampa, tempo, tímpano, tombo, pomba, tumba. Será que há algum
motivo realmente válido para que isso ocorra?
Há, sim. Basta
observar o quadro classificatório das consoantes. Você irá perceber que tanto o
“p” e o “b” como o “m” são consoantes bilabiais (estamos falando dos fonemas, não
das letras). É justamente essa semelhança que faz com que tenhamos de usar “m”
antes de “p” e “b” na grafia, pois essa letra representa o fonema bilabial aí
pronunciado.
Agora você pode
escrever aquela frase que um dia lhe ensinaram para explicar esse fenômeno
fonético (Mamãe não se separa do papai e do bebê) e adotar uma explicação
científica para o fato.
O LADRÃO TINHA MORTO O HOMEM, ANTES DE ROUBÁ-LO
O correto há de ser: O
ladrão tinha matado o homem, antes de roubá-lo. É erro muito comum o
emprego de “morto”, particípio irregular do verbo morrer, por matado,
particípio do verbo matar.
Se substituírmos morto
por morrido, ambos particípios do verbo morrer, teríamos a frase “O ladrão
tinha morrido...”. Mas pode alguém morrer outro? Evidentemente que não. Um
indivíduo pode matar outro, mas morrê-lo seria demais. Diga-se, pois: O ladrão
tinha matado o homem, antes de roubá-lo.
ESTE
TRABALHO ESTÁ MELHOR ORGANIZADO DO QUE O OUTRO
Diga-se: Este trabalho está mais bem
organizado do que o outro. Toda vez que os advérbios mal ou bem precederem um
particípio, ainda que adjetivado, empregar-se-á o comparativo analítico e não o
sintético. Dir-se-á, portanto: O exercício está mais bem feito (e não: melhor
feito).
Contudo, o comparativo sintético
tornar-se-á obrigatório quando não estiver acompanhado de particípio, pelo que
diremos: Este exercício é melhor do que aquele.
DADO
AOS BAIXOS ÍNDICES DE AUDIÊNCIA, O PROGRAMA SAIRÁ DO AR
Diga-se: Dados os baixos índices de
audiência, o programa sairá do ar. A palavra “dado” funciona aí simplesmente
como particípio. Não existe locução prepositiva “dado a”, como existe a locução
“devido a”. Assim, sendo apenas um particípio, a palavra “dado” e o artigo que
vem depois dela devem concordar com o substantivo a que se referem. Ex.: Dada a crise em que
estamos...; Dadas as circunstâncias que nos envolvem...
Observe a ausência de crase. Temos aí apenas
um artigo: Dado o rigor do inverno...; Dados os perigos que nos cercam... O
particípio visto tem a mesma construção que “dado”. Assim, devemos dizer:
Vistos os programas obtidos; Vistas as atuais circunstâncias... Agora, você
entende a razão de podermos dizer “dado que”.
(*) Professor Antonio da Costa é graduado em Letras
Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade
Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água
e Esgoto (SAAE) de Sobral. Contatos: (088) 9409-9922 e (088) 9762-2542.
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