sábado, 5 de abril de 2014

De Olho na Língua - Prof. Antônio da Costa - antoniodacosta53@hotmail.com – (Do Jornal Correio da Semana – 05.04.14)

MAMÃE NÃO SE SEPARA DO PAPAI E DO BEBÊ
Você deve se lembrar de  que antes do “p” e do “b” deve ser sempre usada a letra “m” e não a letra “n”. Assim, temos: Amparo, ambíguo, bamba, campo, tampa, tempo, tímpano, tombo, pomba, tumba. Será que há algum motivo realmente válido para que isso ocorra?

Há, sim. Basta observar o quadro classificatório das consoantes. Você irá perceber que tanto o “p” e o “b” como o “m” são consoantes bilabiais (estamos falando dos fonemas, não das letras). É justamente essa semelhança que faz com que tenhamos de usar “m” antes de “p” e “b” na grafia, pois essa letra representa o fonema bilabial aí pronunciado.
Agora você pode escrever aquela frase que um dia lhe ensinaram para explicar esse fenômeno fonético (Mamãe não se separa do papai e do bebê) e adotar uma explicação científica para o fato.

O LADRÃO TINHA MORTO O HOMEM, ANTES DE ROUBÁ-LO
O correto há de  ser: O  ladrão tinha matado o homem, antes de roubá-lo. É erro muito comum o emprego de “morto”, particípio irregular do verbo morrer, por matado, particípio do verbo matar.
Se substituírmos morto por morrido, ambos particípios do verbo morrer, teríamos a frase “O ladrão tinha morrido...”. Mas pode alguém morrer outro? Evidentemente que não. Um indivíduo pode matar outro, mas morrê-lo seria demais. Diga-se, pois: O ladrão tinha matado o homem, antes de roubá-lo.

ESTE TRABALHO ESTÁ MELHOR ORGANIZADO DO QUE O OUTRO
Diga-se: Este trabalho está mais bem organizado do que o outro. Toda vez que os advérbios mal ou bem precederem um particípio, ainda que adjetivado, empregar-se-á o comparativo analítico e não o sintético. Dir-se-á, portanto: O exercício está mais bem feito (e não: melhor feito).
Contudo, o comparativo sintético tornar-se-á obrigatório quando não estiver acompanhado de particípio, pelo que diremos: Este exercício é melhor do que aquele.

DADO AOS BAIXOS ÍNDICES DE AUDIÊNCIA, O PROGRAMA SAIRÁ DO AR
Diga-se: Dados os baixos índices de audiência, o programa sairá do ar. A palavra “dado” funciona aí simplesmente como particípio. Não existe locução prepositiva “dado a”, como existe a locução “devido a”. Assim, sendo apenas um particípio, a palavra “dado” e o artigo que vem depois dela devem concordar com o substantivo a que  se referem. Ex.: Dada a crise em que estamos...; Dadas as circunstâncias que nos envolvem...
Observe a ausência de crase. Temos aí apenas um artigo: Dado o rigor do inverno...; Dados os perigos que nos cercam... O particípio visto tem a mesma construção que “dado”. Assim, devemos dizer: Vistos os programas obtidos; Vistas as atuais circunstâncias... Agora, você entende a razão de podermos dizer “dado que”.


(*) Professor Antonio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Contatos: (088) 9409-9922 e (088) 9762-2542.




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