sábado, 27 de setembro de 2014

De Olho na Língua - Prof. Antônio da Costa - antoniodacosta53@hotmail.com (Jornal Correio da Semana -27.09.14)

“PARA CHEGAR LÁ NA HORA MARCADA PRECISAMOS CORRER MUITO” OU “PARA CHEGARMOS LÁ NA HORA MARCADA PRECISAMOS CORRER MUITO”?
A segunda opção é a correta: Para chegarmos lá na hora marcada precisamos correr muito. Quando um infinitivo aparece no rosto da frase, regido de preposição, deve concordar com o sujeito, e não permanecer invariável. Portanto: Para conseguirmos ingresso, termos de apressar o passo. E não: Para conseguir ingresso, termos de apressar o passo. A fim de trabalharem, vieram eles aqui. Para te alimentares, podes comer do meu pão.

DADO QUE
Dado que - muda de sentido e, pois, de categoria, conforme se empregue com indicativo ou subjuntivo: “Dado que é inteligente (porque é...) será aproveitado. Dado que (embora) seja inteligente, não será aproveitado. Também com subjuntivo, pode ainda ser condicionada e o próprio sentido  no-lo mostra: Dado que chova (se chover), não irei lá.

TENHO PENA DE QUE ISSO ACONTEÇA
Tanto podemos construir: “Tenho pena de que isso aconteça” como “Tenho pena que isso aconteça” (omitido a preposição de). O mesmo acontece com: “Tenho dúvidas de que isso aconteça” ou “Tenho dúvidas que isso aconteça”.

IR DE ENCONTRO
Ir de encontra a seus interesses é ir contra, e não a favor dos interesses, como pensa o autor da frase. Ir ao encontro de seus interesses é que, no caso, devia ter sido dito. Ir ao encontro é o ser favorável; ir de encontro é ser contra, desfavorável.

“TRATA-SE DE LIVROS IMPORTANTES” OU “TRATAM- SE DE LIVROS IMPORTANTES”?
Trata-se de livros importantes, com o verbo na 3º pessoa do singular. O sujeito é indeterminado e “de livros importantes” é objeto direto. É o mesmo caso de: Precisa-se de operários.

TUDO O QUE / TUDO QUE.
Tudo o que equivale a tudo aquilo que. Também, se pode dizer: Tudo que = tudo quanto. Vejamos: Tudo o que dizes já sei; Tudo que dizes é mentira; Tudo quanto fazes é correto.

NOVO HOMEM/ HOMEM NOVO
Anteposto, novo quer dizer “outro”, como no exemplo: Não é o mesmo; é um novo homem.  Posposto, significa moço, recente, etc.: “Carlos é ainda um homem novo.

NUMERAIS
Com referência a séculos, papas, reis etc. empregam-se os ordinais, que se podem grafar com os cardinais arábicos ou romanos: Século V (Quinto ou 5º);  Capítulo XV (Décimo quinto ou 15º). Mais comum, contudo, é o emprego dos cardinais, além do décimo: Leão XV, Leão Dezesseis ou Leão 16.

NINGUÉM /NINGUÉM NÃO
O adjetivo a ele referente fica no neutro (aparentemente feminino): Ninguém aqui é tolo. Pode, contudo, por silepse, concordar com o nome a que se refere: Ninguém aqui é tola. “Ninguém não” hoje, desusada, a não ser em linguagem comum: “Não vai ninguém” ou “Ninguém vai” (por: Ninguém não vai).


(*) Professor Antonio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Contatos: (088) 9409-9922 e (088) 9762-2542.


        







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