Dr. Massilon Saboia de Albuquerque
Nascido em Sobral (CE) a 1º de abril de 1886, seguindo as pegadas
do seu tio Visconde de Saboia, Massilon Saboia de Albuquerque também foi uma
das glórias da medicina brasileira. Filho de Ernesto Deocleciano de
Albuquerque, pioneiro da indústria sobralense, e de dona Francisca Figueira
Saboia de Albuquerque, o grande médico, mesmo no auge do sucesso jamais
esqueceu seu torrão natal.
Em Sobral, frequentou as escolas de D. Anna Monte, do Prof.
Joaquim de Andrade Pessoa e o curso no Prof.
Arruda, onde se ensinava, com desvelo, Português, Francês e Latim.
Concluiu seus estudos preparatórios em Recife (PE), no Instituto Pestalozzi,
dirigido pelo Dr. Raimundo Honório da Silva e por seus filhos, entre os quais,
o então Pe. Augusto, que veio a ser Arcebispo da Bahia. Os estudos iniciais de
Massilon Saboia em sua terra natal moldaram-lhe o caráter no amor aos livros e
à disciplina, dando-lhe sólida base de conhecimentos, o que fez com que, apesar
de esquivo e tímido, a princípio se impusesse à consideração dos mestres e
colegas do Recife.
Uma temporada em Sobral, em contato com a realidade do meio
carente, com tempo para leituras e reflexão, decidiu-o a seguir a profissão de
médico para qual tinha especial pendor. Ingressou em 1906 na Faculdade de
Medicina do Rio de Janeiro, onde pontificara o seu tio Visconde de Saboia.
Durante o estudo de medicina concluído em 1911, seguiu o curso de
microbiologia e parasitologia do instituto Oswaldo Cruz, durante três anos, fazendo
pesquisas originais sobre trypanosoma equiperdum, que encontrou pela primeira
vez na América do Sul (em equinos trazidos do Ceará). O tratado francês
“trypanosomes et trypanosomiase”, dos professores Laveran e Mesnil, ambos do
Instituto Pasteur, traz à pag. 558, da edição de 1912, referência a esse
trabalho e a seu autor.
De 1912 a 1914, Dr. Massilon Saboia esteve na Europa em viagem de
aperfeiçoamento em Pediatria e em Higiene Infantil, ramo da medicina que
abraçou em definitivo. Cuidando da higiene e assistência médica escolares
exerceu suas atividades no serviço público do Rio de Janeiro (então Distrito
Federal), desde inspetor médico escolar em 1916 até superintendente de educação
de saúde e higiene escolar, cargo em que se aposentou em 1952.
Dirigiu (1932-1936) o serviço médico escolar do Rio de Janeiro,
inclusive na gestão (como Diretor Geral do Departamento de Educação) do notável
Dr. Anísio Teixeira. Prestou serviços médicos gratuitos a várias instituições
de amparo à infância, como a Policlínica do Patronato de Menores (1915 a 1920)
e o Hospital Arthur Bernardes (1926-1931). Foi professor de Higiene Infantil do
Curso de Higiene e Saúde Pública anexo à Faculdade de Medicina da Universidade
do Rio de Janeiro de 1929 a 1937, tendo sido reconduzido no período anualmente,
sem interrupção, a essa cátedra. Entre seus alunos, o Dr. Marcelino Candau,
depois Diretor Geral da Organização Mundial de Saúde, da ONU, por muitos anos.
Na sua clínica particular, como pediatra, o Dr. Massilon Saboia
tornou-se conhecido no Rio de Janeiro, principalmente pelo seu Solário e
Clínica Infantil. Com essa Clínica, que funcionou por mais de 30 anos, com
início em 1931, realizou, segundo suas palavras, com idealismo, firmeza e
desprendimento de lucros materiais, um sonho que idealizara, convencido da
importância dos métodos preventivos para o aperfeiçoamento da saúde física e
mental, a partir da infância. Seus conhecimentos, espírito de observação e
sentimento de solidariedade humana fizeram-no também um notável clínico geral
que prestou muitos benefícios à população de Sobral nas suas estadas regulares
nesta cidade, principalmente até 1933, quando sua mãe ainda vivia. Suprindo as
deficiências do meio, completava sua assistência médica, realizando ele próprio
sem preocupação pecuniária, análises clínicas em laboratório que montou em um
sótão no Beco do Cotovelo.
No derradeiro quarto de século de sua vida vinha quase todos os
anos passar um mês no convívio de seu filho, Dr. Carlos Saboia, que foi
colaborador deste Semanário, e netos na Serra da Meruoca, sempre atendendo à
população pobre, inclusive por ocasião de seus costumeiros passeios a cavalo.
A paixão pelas causas do Ceará, que, na opinião do Dr. Massilon
Saboia, será um dia uma segunda Califórnia, era uma constante do seu espírito:
“Meu querido Ceará, sempre em minha lembrança” é a frase que encerra o folheto
que editou em comemoração dos 25 anos do Solário.
Essa paixão e também o idealismo do Dr. Massilon Saboia
transparecem na palestra que proferiu, quase aos 80 anos, em 28.12.1964, no
Rotary Club de Sobral, sobre as águas minerais do Pajé, também editada em
folheto.
O espírito pioneiro do ilustre médico sobralense fez-se notar por
mais de uma vez. Foi o primeiro (em 1918) a introduzir na América do Sul a
vacinação ativa contra a difteria. Foi o primeiro a divulgar no Brasil a
fluoretação da água como método de prevenção da cárie dentária que observara
nos Estados Unidos. Suas muitas viagens de estudo àquele país e à Europa
resultaram em numerosas publicações e conferências relacionadas com a higiene e
com a saúde da infância.
Dr. Massilon Saboia foi casado com dona Judith Giudice, do Rio
Grande do Sul, falecida em 1917, com quem gerou o engenheiro Carlos Ernesto
Saboia de Albuquerque, único filho do casal, um dos mais lidos colunistas do
Correio da Semana há alguns anos. Dr. Massilon, irmão caçula do líder político
sobralense Dr. José Saboia. Foi membro, entre outras associações, nacionais e
estrangeiras, da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Sociedade
Brasileira de Pediatria, Associação Brasileira de Educação (ABE), American
Public Health Association, American Child Health Association, Associação
Internacional de Pediatria Preventiva. Publicou: Escolas ao Ar Livre (1915); Alguns Problemas
de Higiene Infantil (1918); Vantagens do Ensino da Higiene Doméstica e da
Puericultura nas Escolas (1919); O Problema da Infância Desamparada (1921) e
Clínicas Escolares (1922).
Dr. Massilon Saboia, um dos orgulhos da terra sobralense, mas que
ainda não foi devidamente reconhecido, faleceu no Rio de Janeiro (RJ), em 14 de
setembro de 1974, aos 88 anos.
Que lembrasse o nome do grande médico, o que consegui localizar
foi apenas a Escola Dr. Massilon Saboia de Albuquerque, no vilarejo de Olho
d´água do Pajé, na zona rural de Sobral. É uma lástima!
Caso você tenha conhecimento de mais alguma homenagem a esse
ilustre sobralense, gentileza informar para: thiagoalvesobral@hotmail.com
(Informações colhidas com Dr. Carlos Saboia, filho do biografado)


Nenhum comentário:
Postar um comentário