sexta-feira, 31 de maio de 2019

DE OLHO NA LÍNGUA - Prof. Antônio da Costa (Do Cornal Correio da Semana - Sobral-CE - Sábado - 1º.06.19)

Kombinationsfahrzeug
O leitor Arnaldo quer saber o que significa esse nome tão esquisito. Caro Arnaldo, você já deveria ter desconfiado de que se trata de nome alemão. É a forma completa da nossa simples “Kombi”, antigo carrinho de transporte. Em alemão, significa: veículo combinado para carga e passageiros.

Pagamento em médio e longo “prazo”?
Não. Quando o substantivo se refere a dois ou mais adjetivos, deve estar no plural. Assim: As administrações direta e indireta; As imprensas falada, escrita e televisionada; As polícias civil e militar; Os setores público e privado. Portanto, faça qualquer pagamento em médio e longo prazos. O importante é fazê-lo.

Ante ao exposto, devemos reconhecer que certos professores...
Diga-se: Ante o exposto, devemos reconhecer que o senhor só diz bobagens. Use sempre: Ante o (nunca ante ao). Muitos advogados (os despreparados, evidentemente) escrevem: Ante ao exposto, peço a Vossa Excelência a absolvição do réu; Ante ao sucedido, só resta condenar o réu. Condenável!

A história que vou reproduzi-la
O correto será: A história que vou reproduzir. Frases desse jaez são encontradas frequentemente; nada, entretanto, mais desgracioso, pois essa construção forma um pleonasmo detestável. O verbo reproduzir já tem, por objeto direto, o pronome “que”, tornando-se, assim, inteiramente desnecessária a repetição do mesmo objeto representado no pronome “lá”, posposto ao verbo. É como se disséssemos: A história que vou repetir ela.

Ele foi perdoado...
O correto será: Foi-lhe perdoada a falta. O verbo perdoar é simplesmente transitivo direto e indireto: o objeto direto deverá ser nome de coisa e o indireto, nome de pessoa. Com efeito, perdoa-se o quê? A culpa, objeto direto. Perdoa-se a quem? A alguém, objeto indireto. Não se diga, pois: O pai perdoou o filho a falta cometida. Mas: O pai perdoou ao filho a falta cometida.

Fazem dois meses que ele chegou
Diga-se, corretamente: Faz dois meses que ele chegou. Nas expressões designativas de tempo, o verbo “fazer” se comportará como o verbo impessoal “haver”, pois, sendo o sujeito indeterminado, o verbo não se flexiona.

O livro que eu falei dele
O correto será: O livro de que eu falei. Sendo pronome “que” complemento do verbo, escusado se torna o emprego do pronome “ele”. Desse modo, basta antepor, ao pronome “que”, a preposição “de”, uma vez que se está falando de alguma coisa.

Eis o livro que eu mais gosto
A construção para ser correta deverá ser: Eis o livro de que mais gosto. Quem gosta, gosta de alguém ou de alguma coisa. Não se gosta alguém. Daí, a necessidade da preposição “de” vir sempre posposta ao verbo gostar, quando este tiver complemento.
Estão, portanto, erradas as seguintes construções: A valsa que eu mais gosto; O passeio que eu mais gosto. Diga-se, então, corretamente: A valsa de que eu mais gosto; O passeio de que eu mais gosto.

 
(*) Graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, funcionário do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral (CE). Contatos: (88) 99762-2542 e (88) 98141-2183.




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