sexta-feira, 6 de novembro de 2020

POUCAS E BOAS - artemisiodacosta@hotmail.com - SOBRAL-CE - SÁBADO - 07.11.2020

“Rádio: Oportunidade perdida...”
Ary Barroso
No Brasil, desde 2006, o Dia Nacional dos Radialistas passou a ser comemorado em 07 de novembro, numa homenagem ao músico, político e radialista Ary Barroso (1903-1964). São profissionais que, juntamente com os que fazem jornal, televisão e as novas mídias (internet), são os principais agentes na famosa sentença “A imprensa é o quarto poder”, cunhada pelo advogado, filósofo e político anglo-irlandês, Edmund Burke (1729 – 1797).

A ação desses trabalhadores da voz - quer voltada para o bem, quer para o mal - vem justificando a frase no decorrer da história. Basta observar a influência desse poder no sucesso ou no fracasso de projetos; na ascensão ou queda de governantes ou simplesmente na facilidade com que um episódio divulgado pode ganhar notoriedade ou cair no ostracismo. O dito de Burke justifica-se também pela forma com que uma pessoa deixa de ser um desconhecido qualquer e alcança rapidamente a fama. Vale salientar que o inverso também pode acontecer com a mesma facilidade. Vai depender de como o caso for trabalhado pela imprensa.

Quando ao mau uso do microfone, o grande comunicador brasileiro Hélio Ribeiro (1935-2000), cujo nome oficial é José Magnoli, pregava que “O Rádio é a maior oportunidade perdida de melhorar o mundo”. 

Não obstante a grande maioria dos profissionais se norteie por essa filosofia, procurando fazer do rádio um instrumento para educar, questionar, buscar o bem da sociedade e entreter, infelizmente há a parcela que se afasta dessa filosofia como o diabo foge da cruz. 

Mas muito da “oportunidade perdida” de que fala Hélio Ribeiro ainda pode ser evitado.  Em primeiro lugar, que no País haja mais critério e rigor na concessão das emissoras e na consequente fiscalização. Isso evitaria que elas caíssem em mãos indevidas (principalmente de políticos, com raras exceções), como ocorre hoje. Mais profissionalismo: que os profissionais sejam realmente vocacionados para a salutar comunicação; que busquem a verdade através da pesquisa e do estudo, que evitem a terminologia desrespeitosa (palavrão) e imprimam mais respeito ao nosso Vernáculo; que não façam do ouvinte depósito para seus problemas, suas queixas e revoltas; que fujam do “achismo” e da parcialidade. 
 
Com as devidas exceções, é claro, que o profissional procure respeitar a si e à categoria, procedendo de forma honesta, em favor do que é correto, da verdade, sem 'tendencionismo' político. Assim, estará protegido de ceder ao assédio das ofertas de rações financeiras ou dos "favores" de quem só visa arrastá-lo para debaixo do seu jugo, para depois usá-lo como quiser.
 
No quesito gestão, que as emissoras deixem de ter como foco principal apenas o lucro, deixando para segundo plano a boa programação. Lamentavelmente essa sede de lucro abre portas para o ingresso do profissional sem qualidades morais e intelectuais, que, respaldados no pagamento do horário, acham que pode fazer o que bem entender e quiser.

Nesse questionamento, nota-se que os órgãos que formam profissionais (radialistas) continuam falhando na qualificação dos futuros comunicadores e as empresas continuam evitando investir em mais treinamento e acompanhamento profissional. Por outro lado, considero que se torna imprescindível mais consciência de quem usa a fala: ninguém é dono da verdade, mas sujeito a erros e acertos; que não haja qualquer subserviência e nem arrogância; microfone não é arma para intimidar, mas instrumento para formar e orientar cidadãos e para por eles trabalhar. 
 
Que tal os profissionais mais exaltados exercitarem mais a humildade para pedir desculpas quando errar, para aceitar naturalmente sugestões e críticas? 
 
Por fim, que sejam praticadas mais observância e exigência dos radiouvintes quanto ao quesito qualidade do profissional e quanto à programação que está recebendo. Esses são apenas alguns pontos a serem observados por quem deseja oferecer ou receber a boa comunicação. 

E se por um lado há uma corrente que não pensa assim, por outro ainda existem os obedecem à risca, que fazem imprensa com muita responsabilidade, prudência, inteligência e criatividade.  Esses, sim, merecem todo o apoio dos companheiros que comungam com essa filosofia de bem comunicar e, mais ainda, merecem o apoio total da sociedade.  Enfim, ela é quem vai receber o produto final. E que esse seja da melhor qualidade.

Para tanto, que nos apeguemos a essa mesma linha de pensamento, que falemos essa mesma língua. Pois, segundo o inglês David Ogilvy (1911-1999), Pai da Publicidade e fundador da Ogilvy & Mather, "Comunicação não é o que você diz, é o que os outros entendem".  Só assim estaremos em sintonia com o ouvinte qualificado e fazendo a comunicação de que tanto necessitamos. 
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DIA DO RADIALISTA: NÃO CONFUNDA MAIS
A respeito das datas que homenageiam os profissionais que militam no Rádio pairam muitas dúvidas, inclusive entre radialistas. De certo modo, isso induz a uma certa confusão criada por quem não têm conhecimento das origem datas consagradas a esse profissional de extrema importância na sociedade. Eis as principais datas do rádio:

21 DE SETEMBRO - Dia Internacional do Rádio e do Radialista. Trata-se da data em que Orson Welles, em 1930, fez a sua histórica transmissão da adaptação de "A Guerra dos Mundos", baseado no romance do inglês H.G. Wells, no programa Teatro Mercúrio no Ar, em Londres, Inglaterra. 

25 DE SETEMBRO - Dia Nacional da Radiodifusão - Data do nascimento de Edgar Roquette Pinto (1884-1954), fundador da primeira emissora de radiodifusão do Brasil, a Sociedade no Rio de Janeiro. 

7 DE NOVEMBRO - Dia oficial do Radialista no Brasil, criada há onze anos.  Data natalícia do  compositor, músico, político e radialista Ary Barroso (foto). Ary Evangelista de Resende Barroso, filho do deputado estadual e promotor público Dr. João Evangelista Barroso, e Angelina de Resende Barroso, nasceu a 7 de novembro de 1903, em Ubá (MG), e faleceu no dia 9 de fevereiro de 1964 (domingo de carnaval), no  Rio de Janeiro, RJ.

O Dia Nacional do Radialista, antes comemorado em 21.09, nasceu do projeto do advogado, radialista e deputado João Sandes Junior (PP-GO), que culminou na lei 11.327, de 24.07.2006, conforme Diário oficial da União de 25.07.06. 


É mesmo, né?
O homem é um animal que adora tanto as novidades que se o rádio fosse inventado depois da televisão haveria uma correria a esse maravilhoso aparelho completamente sem imagem.  (Millôr Fernandes)

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