Nos últimos dois anos, em função da pandemia
de covid-19, as associações de mágicos e ilusionistas têm se ressentido das
apresentações e ![]()
reuniões presenciais entre seus
membros. O diretor social do Círculo Brasileiro de Ilusionismo (CBI), Igor
Millordi, disse que os mágicos da entidade estão “segurando” encontros
presenciais e confraternizações por causa da pandemia, adotando reuniões online.
O presidente do CBI, Henri Sardou,
afirmou ![]()
que a expectativa é retornar às
atividades presenciais ao longo deste ano. Para isso, precisam encontrar nova
sede que abrigue também a biblioteca de livros raros da entidade. “A gente está
em busca de uma sede para colocar esses livros à disposição, tanto dos mágicos
quanto dos leigos que querem aprender mágica”. O CBI é uma das mais antigas
associações de mágicos do país, fundada em 1952. “A pandemia foi muito ruim
para os mágicos, tanto na parte comercial, porque os shows praticamente zeraram, quanto
na das associações de mágicos, que perderam a periodicidade de encontros”.
AMI
O presidente da Academia Mineira de Ilusionismo
(AMI), Hildon Dias, reforçou que a pandemia afetou fortemente a categoria
porque, apesar de os mágicos serem peças fundamentais ![]()
em uma festa ou espetáculo, são
considerados supérfluos. “E quando se está com o orçamento apertado, a primeira
coisa que se dispensa é o entretenimento mágico”. Para Dias, “a pandemia
estragou tudo, porque acabou com os espetáculos, com as festinhas”.
Atualmente, apesar da variante Ômicron da
covid-19, o presidente da AMI considera que as coisas já melhoraram. Voltaram
as festas, com a adoção de todos os cuidados sanitários, inclusive nos teatros.
Mas, no ápice da crise, muitos mágicos chegaram a passar necessidade ![]()
e a depender da ajuda de colegas. A
AMI tem ![]()
hoje ![]()
40 mágicos filiados.
Nuamac
Alexandre Yoshida é presidente do Núcleo de
Amigos Mágicos do Ceará (Nuamac) pelo segundo mandato. Ele disse que a
profissão de mágico evoluiu muito no Brasil, principalmente com a chegada da
internet, que facilitou a questão de contatos e de comunicação entre os mágicos
brasileiros e estrangeiros. Yoshida afirmou que, no Brasil, os mágicos não são
muito unidos, ao contrário do que acontece na Argentina ou na Espanha, por
exemplo. “Esse individualismo impede que as coisas avancem com mais rapidez e
força”, observou. Ele atribui isso também ao fator cultural.
Alexandre Yoshida concorda que a pandemia
afetou muito a categoria, porque o setor de eventos foi o primeiro prejudicado
e é o último que está voltando a funcionar. Por causa do avanço da variante
Ômicron, a comemoração pelo Dia Mundial do Mágico foi transferida ![]()
para os dias 5 e ![]()
6 de março, “se não houver novo
decreto” que suspenda atividades presenciais. O Nuamac tem 19 anos de
existência. É uma das associações mais ativas do Brasil. Entre mágicos
profissionais e amadores, são 20 membros.
Flasoma
O congresso da Federação Latino-Americana de
Sociedades Mágicas (Flasoma), que antes ocorria de dois em dois anos e ![]()
passou a ser trienal, não foi
realizado no Brasil em 2020, como estava previsto, em função da pandemia. Ele
seria realizado em Fortaleza, mas acabou adiado para o primeiro semestre deste
ano, em formato virtual. Esse é o principal evento de mágica da América Latina
e tem grande troca de experiências entre mágicos da região e e de outros
países, informou ![]()
Yoshida.
Crianças
Para Rodrigo Lima, ser mágico para uma
plateia de crianças "é incrível". "A ![]()
energia delas, na maioria das
vezes, retroalimenta. É tão bacana a energia das crianças e seus sorrisos, que
a gente sai contagiado.” ![]()
Formado como analista de sistemas,
Lima manteve, no início, os dois nichos de mercado. Aos 30 anos de idade,
porém, descobriu que o que ele fazia por amor era a mágica.
Quem quer ser mágico deve gostar de interagir
com o público e não ![]()
ter ![]()
vergonha de falar para as pessoas,
deixar a timidez de lado e assumir a personalidade do mágico. Lima citou três
pilares necessários a um bom mágico: exercitar muito bem o truque,
exaustivamente; só fazer o truque uma vez, porque a mágica é a surpresa; e
guardar segredo. Para viver de mágica, como faz Lima, o profissional deve beber
de outras fontes, como estudar um pouco de marketing, ![]()
ter ![]()
bom relacionamento com as redes
sociais, porque é onde cativa ![]()
os clientes. "É nessa conexão
que você vai trazer a família, as crianças e pais ![]()
para contratar sua apresentação”.
Rodrigo Lima admitiu que a covid-19 deu uma
“rasteira” nos profissionais que trabalham com festas mas, em contrapartida,
abriu novos caminhos. “Fui um pioneiro em fazer eventos digitais pela
plataforma Zoom fora de Pernambuco, em outros estados e outros países, como a
Austrália”. Recomendou aos profissionais do setor que é preciso ficar atento e
se adaptar ao mercado. “Você tem duas opções: ou sentar e chorar ou ver como
consegue conexão com o cliente de ![]()
forma online. Para mim, deu super certo”.
Referência
Presidente da Sociedade Mágica do Brasil
(Sombra), Kellys disse que existe associação de mágicos em quase todas as
capitais do país, cada uma com média de 15 integrantes, no mínimo. De acordo
com Kellys, na Europa e nos Estados Unidos, a mágica só perde para a caça e
pesca como hobby e, muitas vezes, é indicada no combate à
depressão. “Creio que seja pela interação com quem assiste e pelo envolvimento
com as pessoas”.
Informou que, no Brasil, os cursos de mágica
são, de maneira geral, divididos em blocos, etapas ou módulos, na maior parte
ministrados por mágicos que estão pensando em se aposentar, por entidades de
mágicos ou lojas que trabalham com equipamentos para a classe. A arte de iludir
já foi chamada de escapismo e cria ilusões que surpreendem, escapam à lógica e
enganam os nossos sentidos, em geral a nossa visão. Por isso se diz que as mãos
de um mágico devem ser mais rápidas que os olhos de quem está assistindo seu
número.
Famosos
O mais famoso profissional da arte de iludir
de todos os tempos foi Harry Houdini. Seu nome ainda ![]()
hoje ![]()
é sinônimo de mágica. Começou a
fazer truques com cartas de baralho e se apresentava em parques de diversão,
nos Estados Unidos, no fim do século 19.
Já o pai da mágica no Brasil é João Peixoto
dos Santos, natural da cidade de Formiga (MG), onde nasceu em maio de 1879.
Aprendeu a fazer mágica com estrangeiros que vinham ao Brasil e, aos 19 anos,
foi estudar em Paris para se aperfeiçoar. Peixoto instalou a primeira loja de
mágicas do Brasil: A Casa das Mágicas, em 1910. São de sua autoria três livros
considerados referência do profissional de ![]()
mágica: Tratado Completo de Prestidigitação e Ilusionismo ![]()
(1937); Curso Prático de Prestidigitação e Ilusionismo ![]()
(1943); Trucs de Magia Selecionados ![]()
(1946).
(Ag. Brasil)
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