Natural
de Neuilly-sur-Seine, filho do renomado escultor franco-argelino Paul Belmondo
(1898-1982) e da dançarina Madeleine Belmondo, esteve longe de ser um aluno exemplar,
optando por se dedicar à prática esportiva, mormente o futebol e o boxe, duas
de suas grandes paixões. Enveredou pelo cinema, vindo a ganhar imensa
notoriedade em sua décima segunda película, "Acossado" (À Bout de
Souffle, 1960), do mítico cineasta parisiense Jean-Luc Godard, nascido em 1930.
Nesse
filme seminal, vanguardista e absolutamente transgressor - um dos preciosos
marcos do movimento da Nouvelle Vague, ao lado de "Os
Incompreendidos" (Les Quatre Cents Coups, 1959), do notável realizador François
Truffaut (1932-1984) -, Bébel, como era conhecido na intimidade o famoso ator,
interpreta com brilhantismo o icônico personagem Michel Poiccard, anti-herói de
um cinismo exuberante, magnificamente incorporado à personalidade dos diversos
tipos que passou a viver no écran, moldando para sempre sua vitoriosa
trajetória no fascinante universo da sétima arte. Foi, não há de negar, um dos
maiores nomes do cinema francês de todos os tempos, marcando indelével presença
como o feio mais charmoso, e também o mais irresistível, das telas.
Vivenciei
gratos instantes de saudável entretenimento e aprazíveis recordações assistindo
aos seguintes filmes do inesquecível ator, por sinal genitor do ex-piloto de
Fórmula 1, Paul Belmondo, nascido em 1963: "Acossado" (supra
referido); "O Homem do Rio" ( L'Homme de Rio, 1964), de Philippe de
Brocca (1933-2004); "O Demônio das Onze Horas" (Pierrot le Fou,
1965), de Jean-Luc Godard; "Paris Está em Chamas?" (Paris
Brûle-t-il?", 1966), de René Clement (1913-1996); "Casino Royale"
(Casino Royale, 1967), de Val Guest (1911-2006), Ken Hughes (1922-2001), John
Huston (1906-1987), Joseph McGrath (1930) e Robert Parrish (1916-1995); "O
Ladrão Aventureiro" (Le Voleur, 1967), de Louis Malle (1932-1995); "A
Sereia do Mississipi" (La Siréne du Mississipi, 1969), de François
Truffaut; "Borsalino" (Borsalino, 1970), de Jacques Deray
(1929-2003), com Alain Delon, nascido em 1935 - o admirável tema musical objeto
da seleta mostra de hoje é de autoria do reputado compositor e pianista Claude
Bolling (1930-2020), nascido na Cannes dos festivais da Palma de Ouro;
"Armadilha Para um Lobo" ( Docteur Popaul, 1972), de Claude Chabrol
(1930-2010); "Scoumoune, o Tirano" ( La Scoumoune, 1972), de José
Giovanni (1923-2004); "O Magnífico" (Le Magnifique, 1973), de
Philippe de Broca; e "Stavsky" (Stavisky, 1974), de Alain Resnais
(1922-2014).
No
ano de 2001, Jean-Paul Belmondo foi acometido de um grave acidente vascular
cerebral, que lhe deixou visíveis sequelas, comprometendo os movimentos de seu
lado direito corporal. Uma pena. "C'Est la vie", certamente diria
ele, como todos os bons franceses. Foi o ocaso de sua bela carreira no cinema.
Todavia, veio a receber em 2016, em justa e merecida consagração, o Leão de
Ouro do prestigiado Festival de Veneza, pelo conjunto de sua obra, que tão bem
evidencia rico acervo à luminosidade da arte dos irmãos Lumière - Auguste
(1862-1954) e Louis (1864-1948) - e de Georges Méliès (1861-1938).
Finalizando, faço questão de assinalar em pétrea inscrição, por imperativo da mais cristalina e absoluta justiça, que Jean-Paul Belmondo foi mesmo um sortudo de marca maior e de primeira grandeza, haja vista ter contracenado em dois filmes com a deslumbrante atriz franco-tunisiana-italiana Claudia Cardinale, nascida em 1938, indubitavelmente o mais paradigmático exemplo da beleza feminina desde que o mundo é mundo, criada à perfeição por Deus, a quem o magistral e fleugmático ator britânico David Niven (1910-1983) definiu, com inquestionável acerto, como sendo "a melhor coisa inventada pelos italianos, juntamente com o espaguete": "Cartouche" (Cartouche, 1962), de Philippe de Broca; e "Scoumoune, o Tirano" (acima reportado).
(*) Francisco Santamaria Mont'Alverne Parente. Juiz de Direito. Membro da Academia Sobralense de Estudos e Letras.
Membro da Academia Cearense de Cinema.
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