Ele estava internado desde dezembro do ano passado no Hospital Sírio-Libanês, na região central da cidade.
Jabor havia sido hospitalizado após
sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Segundo a família, ele
faleceu por volta da meia-noite, em decorrência de complicações do AVC.
Jabor dirigiu "Eu sei que vou te amar" (1986), indicado à
Palma de Ouro de melhor filme do Festival de Cannes. É colunista de telejornais
da TV Globo desde 1991.
Trajetória
Arnaldo Jabor teve
extensa carreira dedicada ao cinema, à literatura e ao jornalismo. No cinema,
dirigiu sete longas, dois curtas e dois documentários. Também era cronista e
jornalista.
Formado no ambiente do Cinema Novo, Jabor participou da segunda fase do
movimento, um dos maiores do país, conhecido por retratar questões políticas e
sociais do Brasil inspirado no neorrealismo italiano e na nouvelle vague
francesa.
Mesmo antes de se tornar um premiado diretor e roteirista, já mostrava
paixão pela sétima arte. Foi também técnico sonoro, assistente de direção e
crítico de cinema. Ele se formou pelo curso de cinema do Itamaraty-Unesco em
1964.
Em 1967, produziu o documentário “Opinião Pública”, seu primeiro longa
metragem e uma espécie de mosaico sobre como o brasileiro olha sua própria
realidade.
O primeiro longa de ficção que Jabor produziu, roteirizou e dirigiu foi
“Pindorama”, em 1970. Ele tinha um excesso de barroquismo e de radicalismo
contra o cinema clássico. No ano seguinte, foi indicado à Palma de Ouro, o
maior prêmio do festival de Cannes, na França.
A partir daí, sucessos de bilheterias e obras premiadas marcaram a
carreira do cineasta. Três anos mais tarde, fez um dos grandes sucessos de
bilheteria do cinema brasileiro: “Toda Nudez Será Castigada”, uma adaptação da
peça homônima de Nelson Rodrigues. Por ele, Jabor venceu o Urso de Prata no
Festival de Berlim em 1973.
O filme tem críticas à hipocrisia da moral burguesa e de seus costumes.
É a história do envolvimento da prostituta Geni, interpretada pela atriz
Darlene Glória, com o viúvo Herculano, personagem de Paulo Porto. O papel deu a
Darlene o prêmio Kikito de Melhor Atriz no Festival de Gramado. O filme também
ganhou um troféu no evento.
Nelson Rodrigues seguiu inspirando Jabor. O filme “O Casamento” (1975)
foi adaptado de um romance do escritor e faz uma crítica comportamental da
sociedade. Ele premiou a atriz Camila Amado com o Kikito de Melhor Atriz
Coadjuvante e o Prêmio Especial do Júri no Festival de Gramado.
Outro sucesso do roteirista e diretor foi “Tudo Bem” (1978), o início de sua "Trilogia do Apartamento". O filme investiga, num tom de forte sátira e ironia, as contradições da sociedade brasileira que já vivia o fracasso do milagre econômico.
Os protagonistas são Fernanda Montenegro e Paulo Gracindo. Em atuações
consideradas primorosas, eles gravaram em um apartamento de classe média da
época. O filme tem um elenco coadjuvante estelar, com Zezé Mota, Stênio Garcia,
Fernando Torres, José Dumont, Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães, entre
outros.
“Tudo Bem” venceu o prêmio de Melhor Filme no Festival de Brasília e deu
a Paulo César Peréio o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante na competição. O longa
também foi selecionado para ser exibido no Festival de Berlim e na Quinzena dos
Realizadores do Festival de Cannes.
Em 1981, Jabor escreveu e dirigiu o premiado "Eu te amo”, que
consagrou Paulo César Pereio e Sônia Braga no cinema brasileiro. O Industrial
falido pelo milagre dos anos 70 conhece uma mulher e a convida para sua casa,
onde vivem um intenso romance em meio às crises existenciais. A produção era de
Walter Clark e a fotografia, de Murilo Salles.
Cinco ano depois, voltou com outro sucesso de bilheteria e crítica. “Eu
Sei que Vou Te Amar”, de 1986, conta a história de um casal em crise,
interpretado pelos jovens Fernanda Torres e Thales Pan Chacon. Foi mais um
sucesso do cineasta gravado entre quatro paredes em uma casa projetada por
Oscar Niemeyer, e deu o prêmio de melhor atriz para Fernanda Torres no Festival
de Cannes.
Jornais e livros
Nos anos 1990, Jabor se afastou do cinema por “força das circunstâncias
ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção
cinematográfica nacional”, segundo seu site oficial.
A partir de 1991, ele passou a escrever crônicas para jornais e também a
fazer comentários políticos em programas de TV da Globo — “Jornal Nacional”,
“Bom Dia Brasil”, “Jornal Hoje”, “Fantástico” — e de rádio na CBN.
No “Jornal da Globo”, dividia os comentários com Paulo Francis e Joelmir
Beting. A partir dos anos 2000, assumiu sozinho a coluna.
Nela, abordava temas como cinema, artes, sexualidade, política nacional
e internacional, economia, amor, filosofia, preconceito.
Nesse tempo, também se dedicou à literatura, com a publicação de oito
livros de crônicas. O primeiro deles, “Os canibais estão na sala de jantar”,
foi lançado em 1993. Já os dois últimos, “Amor é prosa”, de 2004, e
“Pornopolítica” (2006), se tornaram best-sellers.
Em 2010, voltou a filmar depois de 24 anos afastado de uma de suas
maiores paixões. Assinou roteiro e direção de “A Suprema Felicidade”, contando
a história de Paulo (Jayme Matarazzo), um adolescente que precisa lidar com as
frustrações do pai (Dan Stulbach) e se aproxima do avô (Marco Nanini).
Mais uma vez, o filme é indicado e leva categorias técnicas (direção de
arte, figurino) em festivais
brasileiros e internacionais.
Nem a pandemia parou Arnaldo Jabor –
longe da redação, gravava as colunas em casa. Graças ao avanço da vacinação,
conseguiu voltar pra redação da TV Globo, em São Paulo. O último comentário foi
no dia 18 de novembro, quando comentou sobre as suspeitas de interferência no
Enem
(G1)
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