domingo, 20 de fevereiro de 2022

ARTIGOS: Dia da "Justiça Social" (Raimundo Nonato Aragão*)

A ONU - Organização das Nações Unidas - estipulou o dia 20 de fevereiro como o Dia Mundial da Justiça Social e enumerou alguns malefícios que um país NÃO deve tolerar, para que seja considerado socialmente justo: pobreza, desemprego ou subemprego e discriminação, com base em gênero, idade, raça, religião, cultura ou deficiência.

NO PRINCÍPIO:

No Rio de Janeiro, após 1808, ano em que dom João VI invadiu nosso paraíso arrastando milhares de fujões, havia trabalhadores conhecidos como “tigres” ou “tigrados.” A especialidade deles era recolher nas manhãs, das casas dos “nobres”, barris repletos de fétidos dejetos e os despejar nas águas do mar.

As listras claras desenhadas pelos líquidos que desciam pelas costas daqueles humanos, lembravam o exótico animal. Como escravos, eles não tinham voz e aceitavam sua desdita em silêncio. A população livre entrava com os aplausos. Aquilo era normal.

NO SÉCULO XX:

Até os anos 1.970, as trabalhadoras domésticas eram recrutadas no campo e, salvo exceções, mantidas nas casas em regime de semiescravidão. Somente no ano de 2013, com a “PEC das Domésticas” elas adquiriram alguns direitos, o que causou revolta em muita gente e ainda hoje, são burlados pela maioria. Continuava a normalidade.

NO ANO DE 2022:

Segundo dados do UOL, 27 milhões de pessoas vivem abaixo da linha de pobreza e cerca de 90% dos brasileiros ganham menos de três salários mínimos. O IBGE relata que 19,10 milhões de pessoas passam fome. São valores que bloqueiam a essa multidão, o acesso a cinemas, praias, viagens, cerveja...Sorvete para os netos...

Os deficientes são ignorados, e a cultura é relegada. Os afro-brasileiros e os índios são massacrados. Os descendentes dessa gente sofrida, à margem de quase de tudo o que a vida moderna oferece, continuam nas periferias, à beira dos abismos e desprotegidos da vingança da Natureza. Sem perspectivas, matam-se todos os dias, numa corrente sem fim de violência,

SILÊNCIO E VIRULÊNCIA: .

Parte da classe média se engalfinha nas redes sociais, postando ou repassando postagens grosseiras, repletas de rancor, mentiras em tentativas de resgatar ideias já em extinção, como nazismo e comunismo. Através da eletrônica, enchem os baldes como era feito pelos príncipes.

Com contribuição das pestes, aprofunda-se a cada dia o abismo social. O mais triste, é que de um modo geral, temos consciência disso e não discutimos a sério, as formas de evitarmos mais uma previsível catástrofe.

Na verdade, desde o princípio, tudo isso é anormal, cruel e deplorável, mas somos os mesmos de 1.808.





(*) Bancário aposentado, Escritor e Membro da Academia Sobralense de Estudos e Letras (ASEL).







Nenhum comentário:

Postar um comentário