domingo, 13 de fevereiro de 2022

ARTIGOS: Carinhoso (Por Dr. Francisco Santamaria Mont'Alverne Parente*)

 

No firmamento musical brasileiro brilham estrelas de várias grandezas e cintilações mil, sendo um bom número de luminoso esplendor. Duas delas estão representadas na composição que hoje homenageio, sem sombra de dúvidas uma das mais cristalinas preciosidades da música popular brasileira de todos os tempos: "Carinhoso".


Reporto-me aos fluminenses Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha (1897-1973), e Carlos Alberto Ferreira Braga, o João de Barro ou Braguinha (1907-2006).

Sobre o velho Pixinguinha, cognominado "o Mestre do Chorinho", costumava referir, com a maior reverência, nosso grande escritor, diplomata, poeta, compositor e crítico de cinema Vinícius de Moraes (1913-1980): "O maior de todos os músicos populares brasileiros, o meu querido pai".

Por sua notória bonomia e grandeza de caráter, foi-lhe atribuído o afetuoso apelido de São Pixinguinha. Sempre norteou sua conduta pessoal dentro dos padrões da ética e foi reconhecido em vida como um cidadão exemplar.

À época de estudante, atuou como sacristão no Mosteiro de São Bento, na cidade do Rio de Janeiro, e morreu na Igreja de Nossa Senhora da Paz, nessa mesma metrópole, quando se preparava para ser padrinho de batismo do filho de um amigo, caindo fulminado por um infarto em pleno altar no momento em que iria assinar o seu nome no livro da igreja.

Mestre Pixinguinha compôs esta obra-prima entre 1916 e 1917, e, somente em 1937, o talentoso e prolífico João de Barro colocou os inspirados versos na composição musical, dando sua relevantíssima contribuição para imortalizá-la como um dos pontos culminantes de nosso cancioneiro.

O impagável Braguinha era um boêmio de primeiro quilate e um emérito conhecedor dos bastidores da música popular brasileira. Seus relatos a respeito desse tema eram notáveis, além de chistosos, e prendiam a atenção de qualquer ouvinte pelo fascínio inato à boa verve que o caracterizava. Foi o mais longevo de nossos compositores, tendo deixado mais de quatrocentas músicas gravadas.

Na década de 40 do século passado, o versátil João de Barro realizou algumas versões para a língua portuguesa de músicas extraídas de filmes em desenho animado de Walt Disney (1901-1966), que ficaram indelevelmente marcadas no imaginário infantil.

A título de exemplo, você sabia que o famoso estribilho "Quem tem medo do lobo mau, lobo mau, lobo mau" é de João de Barro, ao dublar a música original do simpático curta-metragem animado "Os Três Porquinhos" (Three Little Pigs, 1933), dos estúdios Disney?


(*) Dr. Francisco Santamaria Mont'Alverne Parente. Juiz de Direito. Membro da Academia Sobralense de Estudos e Letras. Membro da Academia Cearense de Cinema.

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