O tema da campanha será apresentado pelo Inca
nesta sexta-feira, com debate sobre a importância da equidade no
controle do câncer. “Equidade é entender que para essas populações, que
julgamos mais vulneráveis, é preciso ter medidas a fim de facilitar o
acesso e o tratamento. Todos somos iguais, mas é importante ter ações
diferenciadas para dar a essas pessoas a mesma oportunidade que àquelas com
mais acesso à comunicação, ao hospital, ao médico, disse o coordenador de
Assistência do Inca, Gélcio Mendes. O trabalho do instituto na campanha da UICC
será baseado em três pilares: justiça, igualdade e equidade.
Segundo Mendes, o trabalho será dividido em
etapas anuais. Este ano, a proposta é fazer uma análise da situação, avaliando
o que existe no cenário brasileiro, seja em termos de comunicação sobre medidas
de prevenção, acesso ao rastreio de câncer de mama e de colo do útero, seja em
relação às dificuldades de acesso do paciente ao diagnóstico e
tratamento.
Em 2023, a partir das informações obtida
neste ano, a ideia é trabalhar com possíveis encaminhamentos - “o que poderá
ser feito para melhorar ou diminuir as dificuldades de acesso das pessoas ao
sistema de saúde". No terceiro ano, será desenvolvida a parte mais
executiva, disse o médico.
Gélcio Mendes acrescentou que, em 2022, serão
feitas entrevistas e oficinas com pacientes, de modo a obter conhecimento
sobre dificuldades mais frequentes. Um dos objetivos é distinguir os
grupos que enfrentam mais dificuldades, mesmo que sejam minoritários. Como exemplo,
citou o grupo de idosos, que representa metade da população oncológica.
Prevenção
De acordo com o Inca, o Brasil deve registrar
625 mil novos casos de câncer este ano. Nova estimativa será divulgada em 2023,
para o triênio até 2025.
Prevenção e diagnóstico precoce são as
grandes oportunidades para evitar, pelo menos, chegar à gravidade da doença. Do
lado da prevenção, as oportunidades são muitas, disse Mendes. Lembrou que,
historicamente, desde a década de 90, o Inca realiza trabalho preventivo muito
forte dos diversos tipos de câncer, iniciado pela luta contra o tabagismo.
Alimentação saudável e atividade física são
grandes ferramentas de prevenção do câncer, afirmou. Seguem-se vacinação contra
hepatite B e HPV, que trazem potencialmente redução do câncer de fígado e de
colo do útero. “São grandes oportunidades de redução de incidência da doença”.
Há também o fortalecimento das políticas de rastreio do câncer, em especial o
exame preventivo, ginecológico e a mamografia.
Não fumar e não beber devem nortear também o
comportamento das pessoas, observou Mendes. Não começar a fumar e parar com o
hábito de fumar têm grande impacto, admitiu. Em relação às bebidas alcoólicas,
disse que, se no passado a sugestão era “beba moderamente”, hoje a
recomendação é outra, porque se entende que o consumo de bebidas alcoólicas
está associado ao aumento do risco de desenvolver câncer como, por exemplo, da
boca, do esôfago, do fígado. “Não beber pode ter impacto muito grande
na sociedade, nas próximas gerações”, disse o especialista.
Tipos de câncer
Entre os homens, os principais tipos de
câncer são os de próstata, intestino (cólon e reto) e pulmão. “É importante
saber que o câncer do intestino grosso vem aumentando de forma impressionante
na última década”. Entre as mulheres, prevalecem os de mama, de cólon e reto
também. “São os tumores mais frequentes”. Existem variações grandes entre as
regiões do país.
Entre as mulheres, no Norte e Nordeste, o
câncer de colo do útero passa a ter importância muito maior do que no
Sul e Sudeste. No Norte e Nordeste, entre homens e mulheres, o de estômago tem
maior relevância. Gélcio Mendes explicou que, com relação ao de colo do útero,
sobressai a questão de menos acesso a exames preventivos. “São tumores
associados à dificuldade de acesso a exames e à pobreza”.
O câncer de estômago, por sua vez, está
associado a condições piores de alimentação e maior consumo de carnes salgadas,
como a de sol. Já no Sul e Sudeste, os de cólon e reto estão associados ao
desenvolvimento. As pessoas passam a comer mais pão, mais carne, menos legumes,
e realizam menos atividade física. “Tudo isso contribui para o aparecimento do
câncer do intestino”. (Ag. Brasil)
Nenhum comentário:
Postar um comentário