Apesar de ter sido o Dr. Zé Dantas, um bom e
competente Médico, sua notoriedade e popularidade maior/ se devem ao fato de
ter sido também, um grande compositor musical de xotes, baiões, toadas e de
tantos outros ritmos nordestinos, que o notabilizaram apenas com o nome de Zé
Dantas, sobretudo na magistral interpretação de Luís Gonzaga,
o famoso Rei do Baião.
Nas comemorações do Centenário de Seu Luís,
uma neta de Zé Dantas – a musicista, cantora fenomenal e dançarina, sobretudo
de dança oriental – Marina Elali, promoveu um grandíssimo Show no
Chevrolet Hall, em Recife, deixando-nos um DVD, artisticamente belo, para
recordar sempre a grande homenagem a Luís Gonzaga. Foram interpretadas músicas
do vovô, Zé Dantas com a participação de inúmeros artistas convidados: Ivete
Sangalo, Tânia Mara e Elba Ramalho que cantaram em dueto com Marina e
outros artistas como: Zezé de Camargo e Luciano, Aviões do Forró, Geraldo
Azevedo, Valdonis, Daniel Gonzaga, Charlie Brown Júnior, tornando aquela
noitada inesquecível.
Da história de Zé Dantas, nós nos lembramos.
Nascido em Carnaíba e iniciado nos estudos. Com 17 anos transferiu-se para o
Recife para estudar no Colégio Americano Batista, onde já compunha letras e
músicas com temas e ritmos bem sertanejos, de tal maneira que deixava professores
e colegas impressionados com as mensagens que saiam da sua inspiração. Apesar
desta vocação para a música, sobretudo de inspiração mais regional e
nordestina, ele continuava seus estudos, ingressando na Faculdade de Medicina
até se tornar Médico pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1949. Era a
grande motivação da Família: ter um filho médico. Servia até de orgulho.
Dois anos antes de se formar - em 1947 - ele
se encontrou com o já famoso Rei do Baião, Luís Gonzaga, no Grande Hotel, em
Recife e cantou para ele, algumas de suas composições: “Acauã”, “Vem
morena”, “A volta da asa branca” e outras que o deixaram impressionado.
Tanto que foi logo lhe pedindo algumas dessas músicas para gravar. Zé Dantas
ficou felicíssimo com o aval do Sanfoneiro, mas lhe disse que estava a dois
anos da conclusão do curso de medicina e a família se honrava muito com a
vocação do filho. Aceitava ser gravado pelo Rei do Baião, mas lhe pedia para
não colocar o seu nome como autor. Deixasse para depois/ para não assustar, por
enquanto, à família. Nem é preciso dizer que Luís Gonzaga não aceitou a
exigência. Nada de anonimato e, muito menos, colocar só seu nome, omitindo o do
parceiro. Pouco tempo após este encontro, estouraram pelo Brasil afora,
especialmente, no Nordeste, os sucessos de Zé Dantas-Luís Gonzaga, sobretudo
suas composições proféticas.
Se isto dava orgulho a Zé Dantas, era o que
ele mais queria/, à família, é claro que não. Terminado o Curso de Medicina no
Recife, vamos conseguir uma “Residência” no Rio de Janeiro. Vamos
especializá-lo; e assim se fez. Foi bom também em Medicina, mas por pouco
tempo. Tanto que, quando um amigo, um conterrâneo o visitava, ele o convidava a
aparecer no Hospital, onde trabalhava, dizendo: “vamos lá pra você ver o que é ser bom numa cesárea”!...
Depois de 13 anos no Rio, com apenas 41 de
idade, morreu. Suas músicas continuaram a fazer sucesso. Até hoje, 60 anos
depois, ainda servem de reflexão e de programa de governo para todo o Nordeste.
Do Dr. José de Souza Dantas Filho, poucas lembranças. Do compositor Zé
Dantas, muitas.
Depois do sucesso da Missa do Vaqueiro em
Serrita, homenageando Raimundo Jacó, iniciada em 1971/; depois de outro,
iniciado em Serra Talhada em 1987 e continuado em Tabira, em 1991, chamado
Missa do Poeta, em homenagem a Zé Marcolino, ambas já tradicionais e
integrantes do Calendário Pernambucano de Eventos/, em Carnaíba, o Pe. Luizinho,
ordenado à época e assumindo a Paróquia de Santo Antônio e São João Vianey,
instituiu em 1993, a Missa de Zé Dantas, que eu dizia na minha “Crônica
ao Pé do Ouvido”, pela Rádio Pajeú, “estar
fadada a ser uma grande tradição cultural da região sertaneja e que se fixaria,
como as outras duas, em todo aquele sertão”.
Como o sucesso do Médico, foi passageiro, e o
do Compositor – diziam: de música matuta - foi bastante duradouro/,
a família foi-se acostumando com a ideia e já sente prazer em homenageá-lo como
a maioria da população vem fazendo. Certamente, o fato de ter uma artista como
Marina Elali, neta de Zé Dantas, com prestígio e fama nacional e internacional,
que dá tanta visibilidade a toda essa história, que leva os mais variados
sucessos do avô, em ritmos, danças e figurinos tão notáveis, modernos, com
cores e luzes, tão variadas, por certo, o médico e o artista se equivalem e
trazem a alegria a todos.
Revejam o Show do Centenário de Luís Gonzaga/,
vejam apresentações de Marina Elali no Brasil e no Mundo/, revejam suas
homenagens pela passagem do Centenário do Avô/, e sintam como a família de Zé
Dantas se está sentindo: muito honrada e homenageada pelas recordações que dele
estamos tendo. Seu passado não ficou perdido. Se os homens do poder o tivessem
levado a sério, ouvido os seus apelos, gravado seus sentimentos e
conhecimentos, certamente teriam valorizado sua mensagem em Vozes da Seca
ao pedir aos governantes: vergonha, trabalho, açudagem, democracia, comida a
preço bom e liberdade. Por certo, a mensagem de sua composição musical, “Paulo
Afonso” nos teria aliviado tanto sofrimento: “vejo o nordeste, erguendo a bandeira de Ordem e Progresso à nação
brasileira. Vejo a indústria, gerando riqueza, findando a seca, salvando a
pobreza”... Ah! Poeta Zé Dantas! Você não morreu. Você nos disse, há mais
de 65 anos, que o Nordeste é viável. Os homens é que não acreditaram em seu recado.
Tornaram o Nordeste um desertão. Descreram em nossas
potencialidades.
Quando seu colega compositor, Humberto Teixeira, também formado, como você/, em 1947 compôs “ASA BRANCA”, parecia não haver mais nada a dizer sobre a nossa dura realidade. Um colega de vocês dois, Ivanildo Vila Nova, a classificou como “O Hino Nacional do Nordeste”. Você nos apareceu 03 anos depois, em 1950, com a “Volta da Asa Branca” e completou o nosso Hino Nacional, enchendo-nos de esperança ao mostrar o reverso da medalha. O advogado cearense, Humberto Teixeira, mostrou a dureza do Sertão seco. O médico pernambucano, Zé Dantas, encaminhou a solução: o chão molhado, o verde da plantação e o sertão habitável, hospitaleiro e cheio de felicidade. Foi este seu otimismo, Zé Dantas, esta sua mensagem de esperança que levou o Rei do Baião, Luís Gonzaga, a bradar em Vozes da Seca, aludida acima: “mas doutor, uma esmola/ para um homem que é são/ ou lhe mata de vergonha/ ou vicia o cidadão”. Se você curou tão bem o corpo, de inúmeros Cariocas, em tão pouco tempo/, você curou por muito mais tempo, até em nossos dias, muitas almas/ pela mensagem de esperança e de união para todo o Nordeste através de suas composições musicais.
Você está vivo meu Doutor e Poeta!
O guaraciabense João Batista Bezerra de Sousa* , Psicólogo (CRP 01/13787) pela Universidade Católica de Brasília. Diplomado por una Psicología, un Counseling y una Psicoterapia en Diálogo(360h) pelo Instituto Colombiano de Análisis Existencial y Logoterapia Viktor Frankl. Embaixador da Rede Internacional de Proteção à vítima/Laço Branco Brasil.
Presidente da
Comissão de Estudos de Direito e Psicologia
Rede Internacional de Excelência Jurídica do DF. Palestrante, fundador da *JB PSI Consultoria. Membro de Health
Dialogue and Culture. Fundador e Coordenador da Psicoterapia Breve
para Deficientes Visuais no Distrito
Federal, desde 2009.
Fundador do
Projeto Esperança ativa de prevenção ao risco
de suicídio no DF desde 2016. Diretor de Empreendedorismo Humano e
Social da Academia Inclusiva de Autores Brasilienses.
Membro da Academia de
Letras de Taguatinga.
*Especialista em Suicidologia: Prevenção e Pósvenção do suicídio e
prevenção de Automutilação pela FAEPi/ Centro Débora Mesquita.
Membro do
Coalizão Interfé-Saúde e Espiritualidade/Brasil, Psicólogo/Consultor do UBEF
(Instituto Brasileiro Espaço Futuro) Pós-graduando em Logoterapia e Saúde da
Família pelo CEPELOGI/UEPB.
(*) Mons. ASSIS ROCHA - Sacerdote aposentado, Mestre e Doutor em Comunicação Social, residente em Bela Cruz – CE.
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