Os resultados do Pirls 2021 (Progress in International Reading Literacy
Study) foram divulgados nesta terça-feira (16) e marcam a estreia
brasileira na avaliação, existente desde 2001.
📕O que a prova mede? O teste avalia a capacidade de as
crianças compreenderem textos, estabelecerem conexões entre as informações
lidas e desenvolverem um senso crítico a respeito de um conteúdo.
📕 Como funciona? É uma
prova aplicada para alunos das redes pública e privada, com questões
dissertativas e mais complexas do que as usadas nos exames nacionais de leitura,
como o Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica).
📕 Quando a avaliação foi aplicada? Por
causa da pandemia e das restrições no funcionamento das escolas, os 400 mil
estudantes, dos 43 países participantes, foram avaliados em datas diferentes —
de outubro de 2020 a julho de 2022. No Brasil, os estudantes participaram no
fim de 2021.
"Não só estamos entre os últimos países do ranking,
como também temos um dos maiores índices de desigualdade entre os
estudantes", afirma Gabriel Corrêa, diretor de políticas públicas da ONG
Todos Pela Educação.
"Tudo o que aconteceu na pandemia — escolas fechadas, acesso precário ao ensino remoto e falta de coordenação nacional do governo federal — trouxe impactos. Há muito o que evoluir."
📖 Só 13% dos brasileiros têm nível de aprendizado adequado
Os dados individuais são preocupantes, afirmam especialistas ouvidos pelo g1: 38% dos estudantes brasileiros não dominavam as habilidades mais básicas de leitura. Só 13% foram classificados, segundo a avaliação, como proficientes.
"É um cenário difícil. E pode ser que a situação seja mais grave, porque a avaliação considera os alunos que estavam na escola. Sabemos que, na pandemia, quase 2 milhões de crianças ficaram sem aulas", afirma Anna Helena Altenfelder, presidente do conselho de administração do Cenpec (organização que busca a equidade na educação).
Exemplos: Na prática, significa
que os alunos no Brasil conseguiram ler textos simples e localizar ideias que
estavam explícitas. No nível mais avançado, registrado por países como Inglaterra,
os estudantes conseguem interpretar as emoções dos personagens, avaliar o
estilo do autor, fazer ligações complexas entre as ideias e estabelecer
comparações mais elaboradas.
📖 Brasil está entre os
últimos do ranking
No ranking geral, o Brasil, com 419 pontos,
ficou bem abaixo da média (500 pontos) e atrás de países como Turquia (496),
Azerbaijão (440), Uzbequistão (437) e Omã (429).
Os melhores desempenhos foram
registrados em Singapura, Hong
Kong, Rússia,
Inglaterra e Finlândia.
"Ficou claro que estar bem em índices nacionais,
como o Saeb, não significa estar bem em parâmetros internacionais", diz
Ernesto Faria, diretor-fundador do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no
Debate Educacional).
"Nossas avaliações são importantes, mas precisam ser revistas. Temos de subir a 'barra' de exigência. O Pirls traz textos mais longos e complexos, que levam a um diagnóstico mais preciso [da aprendizagem dos alunos]."
(g1)

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