O comunicado é assinado de forma
conjunta pelos ministérios de Relações Exteriores, Igualdade Racial, Esporte e
Direitos Humanos e Cidadania.
No texto, o governo pede que as "autoridades governamentais e esportivas da Espanha" tomem providências para punir os autores dos atos de racismo e evitar que eles se repitam.
O governo brasileiro cita nominalmente, na nota, a Federação Internacional de Futebol (FIFA), a Federação Espanhola e a "LaLiga", como é conhecida a primeira divisão do campeonato espanhol.
Mais cedo, a ministra de Igualdade
Racial, Anielle Franco, classificou os atos de racismo como "mal" que precisa
ser combatido "na raiz".
O blog da Andréia Sadi informou que
o Itamaraty vai chamar a embaixador da Espanha no Brasil, Mar
Fernández-Palacios, para explicações após o episódio racista deste domingo
(21), em que Vini Jr. foi chamado de "macaco" por torcedores do
Valencia.
Do Japão, ainda na noite de domingo
(no horário brasileiro), o presidente Lula (PT) manifestou solidariedade ao
jogador, e cobrou ações por parte de autoridades do futebol espanhol.
"É importante que a Fifa e a
liga espanhola tomem sérias providências, porque nós não podemos permitir que o
fascismo e o racismo tomem conta dos estádios de futebol", disse Lula.
No dia 10 de maio, Brasil e Espanha
assinaram um acordo bilateral para o combate ao racismo e à xenofobia.
Íntegra
Leia abaixo a íntegra da nota de repúdio
divulgada pelo governo brasileiro:
"O governo brasileiro repudia,
nos mais fortes termos, os ataques racistas que o atleta brasileiro Vinícius
Júnior vem sofrendo reiteradamente na Espanha.
Tendo em conta a gravidade dos
fatos e a ocorrência de mais um inadmissível episódio, em jogo realizado ontem,
naquele país, o governo brasileiro lamenta profundamente que, até o momento,
não tenham sido tomadas providências efetivas para prevenir e evitar a
repetição desses atos de racismo.
Insta as autoridades governamentais
e esportivas da Espanha a tomarem as providências necessárias, a fim de punir
os perpetradores e evitar a recorrência desses atos. Apela, igualmente, à FIFA,
à Federação Espanhola e à Liga a aplicar as medidas cabíveis.
O governo brasileiro tem atuado em
cooperação com o governo da Espanha para coibir, reprimir e promover políticas
de igualdade racial e compartilhar conhecimento e boas práticas para ampliar o
acesso de pessoas afrodescendentes e imigrantes ao esporte com total
intolerância a toda e qualquer prática discriminatória, com o apoio ao
aperfeiçoamento das melhores práticas internacionais para promover a prevenção
e o combate ao racismo, além de qualquer tipo de discriminação nas diferentes
modalidades de esportes."

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