Ambas
corretas, porém, a expressão mais usada no Português Brasileiro (PB) é a
segunda “O que não se deve dizer”.
Em Gramática, esse tipo de colocação pronominal se denomina apossínclise, que é a intercalação de uma ou mais palavras entre o pronome complemento átono e o verbo. O famoso filólogo Cândido de Figueiredo escreveu uma obra intitulada “O que se não deve dizer”.
Explicação:
Tanto o advérbio de negação “não” atrai o pronome “se”, como o “que” também atrai
o pronome “se”. Portanto, as duas formas estão corretas. Porém, “o que se não
deve dizer” é a forma preferida no Português de Portugal (PE). Ficou arcaizada no
Português Brasileiro (PB).
Elétrodo X Eletrodo
Há muitas discussões sobre grafia e pronúncia dessa palavra. No Português Brasileiro (PB) devemos escrever e pronunciar elétrodo. No Português Europeu a pronúncia mais julgada é eléctrodo. A grafia/pronúncia eletrodo (paroxítona), assim eletrôdo, é pronúncia coloquial, utilizada na linguagem do dia a dia. Essa pronúncia ficou muito conhecida devido a uma belíssima canção interpretada por Nélson Gonçalves.
“Eu não o
vejo a alguns anos” ou “Eu não o vejo há alguns anos”?
Na indicação de tempo decorrido, usa-se
impessoalmente o verbo haver. O recurso prático que ajuda a evitar esse erro é
muito simples. Na indicação de tempo usa-se sempre “há” quando puder ser
substituir por “faz”. Exs.: Ele saiu há (faz) instantes; Ele partiu há (faz)
uma hora.
OBS.: Na indicação de futuro ou de espaço entre
épocas usa-se a preposição “a”: Estamos a três dias do Natal.
“Por favor, coloque aqui a sua rúbrica” ou “Por favor, coloca aqui a sua rubrica”?
O emprego de rúbrica
por rubrica é um exemplo mais comum e um tipo de erro que se deve evitar a todo
custo escrever ou pronunciar uma palavra com a sílaba tônica errada. A esse
equívoco os gramáticos costumam denominar de silabada. Veja a grafia e a
pronúncia de várias palavras que comumente aparecem nos telejornais e emissoras
de rádio incorretas: rubrica (brí) Nobel (bél), Eiffel (fel), ruim (ím),
recorde (cór), recém (cém), condor (dor), cateter (tér), novel (vel), gratuito
(túi), fortuito (túi), descuido (cúi).
Adequar
O verbo adequar, no presente do Indicativo, só apresenta a primeira e a segunda pessoa do plural: nós adequamos; vós adequais. Também não possui o presente do Substantivo e o Imperativo negativo. O Imperativo afirmativo só apresenta a segunda do plural “adequais”. Nas formas falantes desse verbo deve-se utilizar um verbo sinônimo (adaptar, ajustar, apropriar, habituar, acostumar, etc...) ou uma locução verbal (estou adequando, for adequar, etc. Ele é mais utilizado como verbo pronominal adequar-se. Adequar é verbo deceptivo, ou seja, não é conjugado em todas as pessoas.
Advinhar ou adivinhar?
Adivinhar é a forma correta. Grafa-se “i” entre o
“d” e o “v”. Adivinhar vem do Latim “divinare”, que significa prever o futuro e
é ligado a “divinus” (divino, relativo a um Deus) e “divus” (Deus), pois a
capacidade de prever era vista como dom divino.
(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato: (088) 99373-7724.
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