Trump foi obrigado a apagar uma publicação nas redes sociais que trazia uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparecia como uma figura semelhante a Jesus, com luz divina saindo de suas mãos.
Ele afirmou que a intenção era retratá-lo como um médico curando pessoas. Ainda assim, a postagem provocou uma onda de críticas — não apenas de opositores, mas também de setores de sua própria base.
Alguns cristãos conservadores, tradicionalmente
alinhados a Trump, classificaram a imagem como blasfema e desrespeitosa às
crenças religiosas. Um deles escreveu:
"Deus não será zombado", enquanto outro
descreveu a publicação como "blasfêmia vinda do Salão Oval", pedindo
que o presidente a apagasse — o que acabou acontecendo.
A decisão representa uma rara mudança de posição de
Trump diante da pressão pública, especialmente de apoiadores cujo respaldo
político ele considera essencial.
Além disso, o presidente também entrou em conflito com
papa Leão 14, após publicar um ataque duro contra o pontífice na
rede Truth Social, em resposta a críticas do papa à guerra no Irã. Trump
declarou: "Não sou um grande fã do papa Leão".
O papa, por sua vez, afirmou não temer o governo
Trump e disse que continuará defendendo a paz e se posicionando firmemente
contra conflitos armados.
No dia 31 de março, em conversa com jornalistas
quando saía do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, o
posicionamento de Leão era coerente com o discurso da Igreja: pedia a paz,
cobrava a defesa da dignidade humana e reforçava a necessidade de que as partes
buscassem se sentar à mesa de negociação.
No entanto, vaticanistas e observadores notaram uma
mudança de padrão. Em vez da crítica indireta, falando sobre o problema sem
mencionar o nome do chefe de Estado envolvido, o sumo pontífice citou
claramente Trump.
Com os mais recentes conflitos bélicos como pano de
fundo, as discordâncias entre os dois líderes vêm escalando para uma verdadeira
guerra discursiva, com trocas de farpas que escancaram a oposição de seus
pensamentos e interesses.
A disputa é considerada arriscada para Trump. Ele
conquistou forte apoio entre eleitores católicos na eleição de 2024, mas esse
apoio já caiu para menos de 50% desde o início dos ataques ao Irã.
No ano passado, Trump já havia publicado imagens em
que aparecia como o próprio papa, sugerindo que talvez devesse assumir a
liderança da Igreja Católica.
Embora alguns de seus apoiadores mais fervorosos o
tratem como uma espécie de novo messias, até mesmo ele parece ter reconhecido
que, dessa vez, foi longe demais.
(BBC
Brasil)

Nenhum comentário:
Postar um comentário